segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Alteridade e Pluralismo: Uma Análise das Condições da Democracia numa Sociedade Espírita do Conhecimento


Alteridade e Pluralismo: Uma Análise das Condições da Democracia numa Sociedade Espírita do Conhecimento.

Escreve: Luiz Signates
Em: Junho de 2010

Resumo

Este artigo tematiza as condições de possibilidade de formação de uma sociedade espírita integradas pela democracia e pelo conhecimento. Para isso, avalia as condições concretas em que se encontram o movimento espírita brasileiro, questionando as políticas de unificação e pureza doutrinária. Nesse sentido, procura demonstrar que o caminho do conhecimento e da democracia — que são as grandes e irrenunciáveis conquistas da modernidade — não é, nem pode ser, o da unificação dos conteúdos de pensamento. Para isso, estabelece esta última pretensão como uma herança do positivismo, somente viável num regime social autoritário, formas de vida que a filosofia e a ciência política têm superado desde o século 20, reposicionando a atitude do saber e a vivência democrática nas possibilidades do pluralismo e da convivência construtiva com as diferenças. Por fim, defende-se a necessidade de que o espiritismo se compatibilize com esses sentidos, a fim de que se mantenha atualizado em relação ao avanço dos tempos, evidenciando, sem prognosticar, a relativa improbabilidade de que isso venha a acontecer, devido à ausência significativa de sinais concretos que permitam identificar essa tendência.
Palavras Chaves: Alteridade, pluralismo, política, democracia, espiritismo.

Introdução

As temáticas da “unificação” e da “pureza doutrinária” não apenas têm sido dominantes no espiritismo brasileiro, ao longo de sua história, como, especialmente no interior do Brasil, gozam de uma legitimidade entre os espíritas que beira o consenso. Raros são os intelectuais orgânicos do espiritismo (oradores, escritores, articulistas etc.) que ousaram contestar tais noções, como direcionadoras do processo de organização do pensamento e das práticas espíritas, tendo havido muitos que as defenderam.

Atualmente, com a crescente e rápida penetração da Confederação Espírita Pan-Americana (Cepa) dentro do movimento espírita no país, começam a surgir os questionamentos a estes termos, tornando necessária uma reflexão mais profunda sobre os sentidos históricos e sociais que cercam essas noções, até para que as diferenças de posicionamento teórico ou político possam ser úteis, o quanto possível, ao enriquecimento das interpretações, mais do que ao fomento de divisões internas.

Uma reflexão dessa natureza é a pretensão deste trabalho. Para isso, procura-se demonstrar, inicialmente, o sentido contraditório das políticas de unificação e pureza doutrinária ao, por um lado, contribuir para a consolidação do processo de institucionalização do espiritismo brasileiro e, por outro, justificar o enrijecimento das possibilidades de diferenciação de interpretações e práticas espíritas. Em seguida, busca-se posicionar analiticamente a atual condição histórica do espiritismo organizado no Brasil, na qual a exigência ético-política de democratização, embora improvável, se torna cada vez maior no interior do movimento, sendo este, hipoteticamente, o principal leitmotiv da penetração de grupos como o da Cepa.

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