terça-feira, 27 de novembro de 2012

Raul Teixeira: Chico Xavier não foi Kardec





JL - O Dr. Raul Teixeira é físico, é doutorado na área da Educação, foi Professor da Universidade Federal Fluminense, de Niterói, Rio de Janeiro. Ainda é, ou já está reformado?
Dr. Raul Teixeira - Estou reformado há dois anos. 


JL – Sei que orienta «O Remanso Fraterno», que é uma instituição que apoia crianças.
RT – Sou um dos directores, sim. Crianças socialmente carentes e as famílias dessas crianças. Fazemos um trabalho de escolarização das crianças. Elas entram às 7H30 da manhã, saem às 17H00, nós temos transporte, para ir buscá-las e devolvê-las aos mesmos lugares. Os pais vão deixá-las e vão buscá-las aos mesmos lugares. 
JL – Porque é que se meteu com uma trabalheira dessas, quando podia levar uma vida tão boa como professor universitário?
RT – O que ocorre é que eu sou um professor universitário espírita, e sempre, desde jovem, fazendo palestras espíritas e pregando a fraternidade e a caridade como bandeira. E os bons espíritos entenderam que era importante que o meu falar tivesse o respaldo da minha prática. A minha prática de vida pessoal era uma prática já vivida por mim, ainda que com esforços, mas a minha prática social precisava de ser desenvolvida. Então em 1978 reuni um grupo de companheiros, começámos a atender numa das favelas da minha cidade. Durante 2 anos atendemos ali, fundámos, em função disso, a sociedade espírita, logo o nosso trabalho social começou antes da fundação do Centro Espírita da Sociedade Vida Fraternidade. Depois dessa sociedade fundada nós não pudemos mais manter os trabalhos sociais na mesma favela, porque ela foi urbanizada pelo Governo e não nos permitiram mais qualquer espaço físico e como nós tínhamos o trabalho de reforço escolar, de aulas de costura com as mães, etc., precisávamos de espaço físico. Daí saímos para adquirir um terreno de 50 mil m2 onde instalámos há 22 anos o «Remanso Fraterno» e dessa maneira o Remanso vem sendo o braço social da sociedade espírita Fraternidade, embora a sociedade tenha nascido a partir desse trabalho social na favela. 
JL – O Raul seguiu um chamamento, uma opção interior, ou foram os espíritos que lhe propuseram essa tarefa?
RT- Não, eu não tive nenhum desejo pessoal de começar alguma coisa, de fazer alguma coisa. Desde criança fui chamado pelo mundo dos espíritos. Até onde a minha memória alcança, tinha dois anos e meio de idade quando comecei a registar os espíritos e digo até onde a minha memória alcança porque comecei a registar os espíritos atravessando as paredes, descendo o tecto, conversando com a minha mãe, a minha mãe ainda era encarnada e era médium, vidente, audiente, médium de efeitos físicos. Eu nasci num lar de médiuns, eles não eram espíritas, eram médiuns, a minha mãe e a minha irmã mais velha, até que eu perguntava à minha mãe, muito criancinha, o que era aquilo que eu estava vendo, quem eram aquelas pessoas que atravessavam paredes e ela dizia-me naturalmente, para acatar a minha mentalidade infantil, que eram os nossos irmãos de luz e eu fiquei com essa frase na minha cabeça.
A minha mãe desencarnou quando eu tinha apenas 4 anos de idade, logo, as memórias que eu tenho dela foram até essa data e depois disso envolvi-me com trabalhos da igreja católica, o meu pai colocou-me junto à igreja católica porque naquela época as famílias, mesmo que tivessem mediunidade, que fossem médiuns, todo o mundo se dizia católico, porque não se conhecia na nossa região nenhum centro espírita. Onde eu vivia não havia centro espírita e depois dos meus 17 anos, continuando aqueles registos é que eu pude conhecer o Espiritismo. Conversando com um amigo meu de infância que há muito não via a respeito das coisas que eu sentia, dos registos, a minha conversa com o sacerdote e ele sempre me orientava para ler a Bíblia e aos 14 anos para 15 eu tinha lido a Bíblia cinco vezes de ponta a ponta e ele me dizia que o que eu via era o Satanás e eu dizia-lhe que via a minha mãe e ele dizia que era o Satanás que se fazia passar por minha mãe e eu dizia que eles me davam bons conselhos e ele afirmava-me que o Satanás também dá bons conselhos e então foi-me criando uma confusão na cabeça. Então se Deus dá bons conselhos e Satanás também, é difícil a gente optar com quem fica. Conversando com esse amigo, José Luís Vilaça, ele disse-me que frequentava um grupo de jovens espíritas e que se eu quisesse ir lá visitar, ele me levaria. E de facto, eu fui, atendendo ao seu convite, conhecer um grupo de jovens espíritas e desde 1967 eu conheci esse grupo de jovens ao qual me vinculei porque eu, que eu tinha uma suposição bastante equivocada a respeito do que fosse o Espiritismo e um grupo de jovens espíritas para mim parecia-me uma coisa muito surreal, acabei por me encantar porque achei jovens da minha faixa de idade alegres, joviais, estudando, conversando, cantando e com muita seriedade e toda uma mensagem que eu vim a saber que era a doutrina espírita. Estudei, li avidamente os livros da codificação espírita, os livros que me caíram na mão. O primeiro livro que eu li, antes de estudar Kardec, foi o livro de Leon Denis, «O Problema do Ser, do Destino e da Dor» que me causou viva impressão, uma paixão imensa até hoje e só depois de Leon Denis é que eu comecei a estudar os livros de Allan Kardec. Recebi outro impacto muito forte ao perceber que as ideias de Allan Kardec eram exactamente as coisas que eu pensava e que eu não imaginava que estivesse aquilo devidamente escrito, codificado, organizado. E nesse primeiro dia que conheci um centro espírita na actual encarnação, por ser muito tímido, eu vi a aula daquele dia muito bem ministrada pela professora, até que ela me perguntou, para me tirar com certeza do silêncio, o que é que eu sabia sobre o tema tratado. Naquela tarde estudava-se sobre a 1ª. Revelação de Deus ao Ocidente, falava sobre Moisés e quando eu ouvia falar de Moisés a minha alma fervia, porque eu tinha lido a Bíblia 5 vezes, eu tinha tudo de Moisés na cabeça, até que ela me perguntou o que é que eu sabia sobre Moisés. Nesse momento tive uma sensação muito estranha porque a língua pareceu-me crescida dentro da boca, o peito cresceu-me e eu falei durante vinte minutos sem respirar, sem parar, sem pôr vírgulas, sem pontos, sem nada. Falei num estado de semi-transe, sem raciocinar o que eu falava. Falei 20 minutos e quando parei de falar ela me anunciou, e à classe, que não tinha mais aula para dar, porque eu tinha falado tudo o que ela programara para a aula da tarde. E ficámos a conversar sobre o que eu tinha falado. Pela 1ª vez que entrei num centro espírita realizei a minha 1ª palestra e nunca mais parei. 
JL – Até hoje...
RT – Até hoje. E com isso já se vão 44 anos e tenho essa felicidade de ter conhecido o Espiritismo através do Espiritismo. Não conheci o Espiritismo através de médiuns de mediunidade famosa, eu não me cerquei dessas coisas, eu apaixonei-me pelo Espiritismo, pela ideia, pela proposta, pela mensagem. E daí até hoje tenho muita dificuldade em admitir que um movimento espírita possa enraizar-se quando ele nasce em redor de  médiuns e de  mediunidade, porque na medida em que os médiuns falham, em que os médiuns se equivocam, uma vez que são seres humanos, tudo o que foi criado em cima deles desaba junto. 
JL – Claro.
RT – Quando você torna-se espírita em torno da doutrina espírita, quem quiser pode cair, quem quiser pode levantar-se, você está com o espiritismo. Essa tem sido a minha felicidade até hoje de ter começado pelo espiritismo e ter tido muita resistência por aceitar a mediunidade em mim, resisti muito e quem me ajudou sobremodo nessa minha fase inicial do espiritismo para que eu aceitasse a mediunidade, admitisse a mediunidade, foi Divaldo Franco. Devo-lhe os diálogos pacientíssimos comigo, devo-lhe as orientações que me deu nesse capítulo, as oportunidades que ele me deu de exercitar a minha mediunidade no grupo espírita, no centro espírita Caminho da Redenção, nas suas reuniões mediúnicas a convite dele. Tive essa segurança de saber que qualquer deslize, qualquer coisa, ele me orientaria e me falaria. Foi só depois dessas orientações de Divaldo Franco que eu tive coragem de me apresentar como médium publicamente. Eu trabalhava a mediunidade num centro espírita. 
JL - Eu não sabia que  tinha frequentado o Centro do Divaldo.
RT – Não, eu não frequentei, mas cada vez que eu ia a Salvador ele colocava-me nas reuniões e dava-me muito apoio e, vendo-me muito jovem e inexperiente, certamente ele se apiedava da minha ingenuidade e deu-me muito respaldo. Devo-lhe essa segurança mediúnica que tenho hoje, graças a Deus. Então foi assim que eu comecei na tarefa espírita. Conheci Divaldo Franco 3 anos depois de me ter tornado espírita e 4 anos depois conheci Chico Xavier e dessa maneira fui desenvolvendo o meu início espírita em muito boas bases, porque fui observando Divaldo Franco, fui observando Chico Xavier, D. Ivone Pereira tornou-se uma grande amiga minha, eu frequentava a sua casa e falávamos pelo telefone e as minhas dúvidas em relação à minha vida como espírita, eu conversava com essas criaturas e tive a oportunidade de ter um entrosamento com Deolindo Amorim, no Rio de Janeiro, que se me tornou um grande amigo, um excelente conselheiro, ele e a sua esposa. Eu tive uma formação da qual não me posso queixar. Se eu cometer algum deslize, se cometer algum desatino no trabalho espírita, isso deve-se à minha irresponsabilidade, não à falta da orientação, da formação que eu tive. Graças a Deus tenho procurado manter-me nessas bases, procurando o Espiritismo segundo a codificação espírita num tempo de muitos modismos, num tempo em que muita gente quer colocar os seus pontos e as suas vírgulas na codificação, numa época em que muita gente já quer «consertar» a codificação espírita, que ainda nem é conhecida. Neste mundo de muitos novidadeiros, felizmente tenho-me procurado manter na pauta da fidelidade ao conhecimento espírita, ampliando, desenvolvendo, discutindo, hoje com os meus companheiros da Sociedade Espírita Fraternidade a respeito da verdade que a doutrina espírita traz e da capacidade que ela tem de nos fazer entender a nós próprios, o nosso momento histórico, o nosso estado psicológico, psico-espiritual, de tal modo que nós saibamos viver neste mundo, sem que nos deixemos arrojar por este mundo, no chão das frustrações. Sabemos das dificuldades de viver num planeta como o nosso, o momento que estamos vivendo de muita necessidade e muito cuidado, de muita vigilância e isso tudo vai-nos levar a procurar ser pessoas inseridas no seu tempo com os pés fincados no chão da realidade mas com os olhos voltados para as estrelas. 
Chico Xavier não foi Kardec, 
ele próprio me disse
JL - O Raul Teixeira é solteiro?
RT – Sou solteiro, sou.

JL – O Raul conduz automóveis?
RT – Sim, eu dirijo já há 20 anos. Durante muito tempo relutei mas hoje eu dirijo. 

JL – E quem compra a sua roupa, é você ou tem alguém?
RT – Sou eu mesmo, eu não tenho secretário, não tenho empregados, tenho um faxineiro quinzenal. 

JL – É o Raul que vai comprar esta camisa, aquelas calças?
RT – Sou eu é que compro, as minhas compras de casa, que pago as minhas contas, eu sou um homem normal, um homem no mundo, sou eu que vou ao Banco, pago as minhas contas, faço as minhas reservas de viagens, faço a minha agenda de viagens, não tenho secretários, conduzo a minha vida, regulo-a da mesma forma que toda a gente. 

JL - Qual é a sua bebida alcoólica preferida, se é que bebe álcool?
RT – A minha bebida alcoólica preferida é H2O sem gás. 

JL – Que tipo de música gosta mais?
RT – Olhe, eu gosto de todos os tipos de música desde que ela se enquadre bem nos momentos. Sendo brasileiro, gosto muito de samba, dos ritmos que nasceram do « afro» e no Brasil temos sambas muito bonitos, mas eu gosto de música clássica, gosto de bossa nova, do rock and roll, não do rock barulhento, do rock bate-estaca, isso não faz a minha cabeça porque eu não gosto de barulho, gosto de um rock balada, um rock romântico, e isso faz-me muito bem. Eu sou da geração da década de 1950/60, então  aprendi a gostar dessas músicas que eram a música típica da minha época. 

JL – Raul Teixeira, qual é a sua comida preferida?
RT – Eu não tenho um prato preferido, eu gosto de comidas caseiras, eu gosto de coisas simples. Sou de uma família muito simples e aprendi a gostar de coisas simples, eu sou um homem do feijão com arroz, do legumezinho guisado e não tenho muitas exigências alimentares. 

JL – Não sei se fuma ou não.
RT – Não, nunca fumei. 

JL – Que tipo de filmes é que gosta?
RT – Gosto muito de filmes épicos, gosto muito de filmes históricos e encantam-me muito os filmes donde saímos levando uma mensagem, levando uma aprendizagem. Eu não gosto de filmes de melodrama. Não gosto nada que as pessoas saiam a chorar, não tenho um temperamento de muito chorar, sou de um temperamento de pensar e a minha formação académica ajuda-me muito nisso, porque nós vemos às vezes, no meio espírita, o povo que se acostuma muito a chorar e pensa pouco, e eu gostaria que o povo pensasse mais e chorasse menos. Estudando física ou matemática choramos de emoção quando vemos uma grande descoberta, a aplicação de um grande invento em prol da humanidade, o cientista também se comove. Mas não é esse choro barato de quem, por qualquer coisa chora, porque isso demonstra um desequilíbrio emocional. 

JL – Existe algum planeamento no sentido de levar os cientistas a descobrir Deus, a descobrir o espírito, a curto prazo, ou será a médio ou longo prazo, ao longo deste milénio?
RT – Vejamos. Eu aprendi com os bons espíritos que as leis de Deus funcionam sempre rigorosamente. Do mesmo modo que ninguém fez planos de trazer à Terra o Espiritismo e no momento certo ele chegou, a despeito do que pensassem os outros, não existe nenhum trabalho nosso, no sentido de levar os cientistas a aceitar o Espírito, o Espiritismo, isso era uma pretensão muito grande, como se nós tivéssemos uma argumentação capaz de convencer o cientista. Então acredito que os cientistas, realizando o trabalho honesto que eles vêm realizando, não têm outra saída senão encontrar Deus. Como já vem acontecendo com muitos deles, individualmente. 

JL – Estava a referir-me especificamente a eles descobrirem, por exemplo, a essência do perispírito, a vibração.
RT – Gradativamente eles estão chegando lá. Na área da Física, nós temos a área das micro-partículas e os físicos cada vez que mergulham nas micro-partículas descobrem partículas ainda menores. Estamos a encaminhar-nos para o campo das energias puras e ao chegarmos ao campo das energias puras não haverá saída para a admissão de um mundo de energias puras, chame-lhe a ciência como lhe chamar, nós chamamos-lhe mundo normal primitivo, ou mundo dos espíritos. Os cientistas já se dão conta há muitos anos que há possibilidade (a ciência tem esse cuidado), de haver vida noutros mundos, noutros planetas, já estão a instalar antenas de captação de sinais de rádio para essa tentativa de registar alguma coisa cósmica. De maneira que os cientistas dotados desse amor pela humanidade, de querer descobrir coisas novas, de inventar coisas novas, eles certamente são bem inspirados pelos guias que guiam o nosso planeta. Não precisamos, nós os espíritas de ter nenhuma ansiedade, vamos cumprindo o nosso trabalho. Enquanto nós estivermos com qualquer pensamento de convencer o cientista, ou a quem quer que seja, estaremos deixando de lado a nossa vivência espírita, que é mais fundamental. De modo que cada um vai ter a sua época de chegar, do mesmo modo que nós demorámos o tempo x, y, z para chegar e aceitar o espiritismo, ainda que, nas proporções que o fazemos, chegará o dia em que cada cientista, cada filósofo, cada pensador, cada materialista, cada ateu vai encontrar seu caminho de Damasco. 

JL – Também usa telemóvel?
RT – Ah, sim, uso telemóvel, insiro-me no progresso possível aos meus tempos. 

JL – Dentro do conhecimento que tem, viu o filme «O Nosso Lar». Aquilo está próximo da realidade, retrata mais ou menos a realidade no mundo espiritual?
RT
 – Tendo em vista que o filme foi orientado e teve a participação de muitos espíritas que opinaram, os factos ali mostrados estão muito próximos da realidade. Naturalmente que o mundo espiritual é muito mais intenso, muito mais rico, as cenas que nós registamos do mundo espiritual umbralino, das regiões de sofrimento, são muito mais intensas do que se pode fazer num filme. Até porque, no mundo dos espíritos, na medida em que os espíritos vão pensando nos seus tormentos, esses tormentos vão-se expressando como se fossem "materialmente", e naturalmente isso o filme não podia mostrar e cada coisa que eles pensam aparece em volta deles e tudo isso. Mas está muito próximo da realidade. Eu lamento que sempre que assistimos a um filme desse teor, não tenhamos a oportunidade de fazer um debate em torno dele, para que extraiamos do filme o que a massa do público não consegue extrair. Nós vemos mas não entendemos, ninguém sabe porque é que aquilo foi posto no filme. 


JL – Mas  Raul, como físico que é, o André Luiz ditou isto na década de 40.
RT – Na década de 30. 

JL – Já lá vão 80 anos. Quer dizer que nesta altura já está desactualizado? O mundo espiritual já deve ter evoluído?
RT – Não, não, a Terra é que evoluiu para chegar ao que o mundo espiritual era há 80 anos... 

JL – O mundo espiritual não evolui tecnologicamente?
RT – Sim, mas acontece que esses conhecimentos que o mundo espiritual tem hoje, nós só vamos obter daqui a muito tempo, porque estamos hoje a materializar o que no mundo espiritual já era facto corriqueiro há muito tempo. Nós não temos esse imediatismo, nós não conseguimos captar imediatamente o que o mundo espiritual já produz. Eu recordo-me que há quase 40 anos, vivi um desdobramento espiritual, em que fui levado por entidades benfeitoras a penetrar um antro de espíritos obsessores que planeavam obsidiar um grupo de criaturas terrestres; fui usado como uma isco para que eles ao verem-me, corressem atrás de mim e pudessem manifestar-se nas reuniões mediúnicas, como aconteceu. O facto é que, ao entrar numa das salas daquele contraforte, à beira do mar, vi uma série de televisõezinhas sobre as mesas, nas quais passavam os nomes das pessoas com as respectivas imagens. Não se falava de microcomputador ainda no Brasil, aquilo já era um microcomputador, quando eu narrei aos meus companheiros as televisõezinhas diferentes, que marcavam o nome das pessoas. E depois, quando eu vi o primeiro microcomputador da minha vida, reparei que era isso que eu tinha visto no desdobramento. Então o mundo dos espíritos tem coisas que nós ainda nem sonhamos ter na Terra, porque precisam que aqueles espíritos reencarnem ou inspirem os indivíduos que estão na área da pesquisa tecnológica, para que eles então comecem a trazer para cá. Há muitos anos tive oportunidade de ver, no mundo dos espíritos, uma exposição de livros destinados a crianças, livros infantis, livros espíritas infantis onde as imagens saltavam das páginas. Nós estamos longe ainda disso e no mundo espiritual isso já é corriqueiro. Não é facto que, na hora em que o mundo espiritual apresenta um desenvolvimento, a Terra já o assimile imediatamente. Porque, aquele indivíduo que preparou aquilo, que aprendeu aquilo no Além, tem de reencarnar, chegar à idade da razão, entrar na idade da pesquisa, e só então, com a dificuldade limite do planeta, ele consegue exteriorizar aquilo. De modo que o mundo espiritual está sempre muito à frente de nós, e nós, com a nossa mentalidade muito conservadora, ainda demoramos a assimilar as coisas novas do Além. 

JL – Porque é que há tanto mistério em torno de Allan Kardec? Nas «Obras Póstumas», que não faz parte da codificação, diz que ele voltaria para completar a sua obra. Uns dizem que o Allan Kardec poderia ter sido o Chico, outros dizem que podia ser o Divaldo Franco porque tem todo o perfil de educador, a obra, outros dizem que podia ser o Raul, outros dizem que ele estará no mundo espiritual, se está porque é que ele não se comunica, se ele se comunica, se  usa pseudónimos ou não usa, porquê tanto mistério quando as coisas são tão simples?
RT – Existem nessas suas abordagens algumas questões equivocadas. Há muitos anos, Chico Xavier disse-me, pessoalmente, numa conversa que tivémos em Uberaba, que a mensagem mais autêntica de Allan Kardec que ele tinha lido, tinha sido recebida pela médium brasileira D. Zilda Gama, professora, que se achava num livro chamado «Diário dos Invisíveis». Eu procurei esse livro, que está esgotado, encontrei-o e estava lá a mensagem de Allan Kardec. Depois disso, nós tivemos uma mensagem de Allan Kardec recebida por vários médiuns na França, no Brasil. Como é que nós podemos dizer que o Chico Xavier é Allan Kardec se ele dizia que a D. Zilda Gama recebera a mais autêntica mensagem? Se enquanto Chico estava encarnado outros médiuns receberam mensagens de Allan Kardec? O «Reformador» publicou essas mensagens. Então, não é que nós queiramos fazer complexidade, é que as pessoas ficam tirando proveito da ignorância alheia. Quanto menos o povo sabe, eu posso dizer as minhas tolices. Agora as pessoas dizem isso, alegam que era por ele ser humilde; então ele enganou-me, porque podia ser humilde e não dizer nada. Mas se ele me disse aquela mensagem, ele era merecedor de crédito, eu não podia duvidar do que falava. Se ele diz a outras pessoas a mesma coisa, ele não podia estar a fingir, senão eu perco o crédito que eu dava à mediunidade de Chico Xavier e ao homem que ele era. De modo que não existe confusão, existem exploradores. O Chico estando desencarnado, toda a gente fala dele o que bem entende, o que bem deseja, e ele não está aí para defender-se, de modo que nós, os espíritas é que temos de ter bom-senso, e bom-senso e água fluidificada não nos fazem mal jamais. Eu não posso acreditar em tudo o que dizem, eu tenho que ver aquilo que tem senso, que tem nexo, e se Allan Kardec estivesse aqui reencarnado, qual seria a vantagem disso para nós? O nosso problema é viver o Espiritismo e não Allan Kardec. Porque também já dizem que Jesus Cristo está aqui reencarnado, e no Brasil há um que diz ser Jesus Cristo. 

JL – Tem algum tipo de  informação de que Kardec estará ainda no mundo espiritual?
RT – Para mim, ele está no mundo espiritual. 

(Entrevista concedida pelo Dr. José Raul Teixeira ao Jornal de Espiritismo, da ADEP, Portugal, aquando do 6º Congresso Espírita Mundial, Valência, Espanha, Outubro 2010) 
Transcrito do áudio por Conceição Venâncio. Fotografia de Jorge Gomes, 1996.

Postado originalmente no http://artigosespiritaslucas.blogspot.com.br

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Depressão e autoconhecimento






Depressão e autoconhecimento – como Extrair lições preciosas dessa dor

Proposta – Analisar a depressão pela perspectiva de uma doença que tem como propósito conduzir ao crescimento moral, emocional e espiritual. Aprender a identificar os "gatilhos emocionais" que disparam os quadros depressivos.
ALGUMAS ABORDAGENS

Enfoque básico: depressão crônica (endógena).
Tipos de depressão.
Como é construída a depressão.
Estrutura moral da depressão.
Estrutura psíquica da depressão.
O que a depressão vem ensinar.
Você está pronto para sair da depressão?
A dor da depressão como caminho para crescimento.
Medo, o principal obstáculo para que o deprimido aceite a realidade.
A dificuldade de aceitar a si próprio. Como resolver?
Tristeza, o núcleo emocional da depressão.
Culpa e medo: os principais carcereiros da vida emocional do deprimido. Como encará-los?
Uma perspectiva transpessoal: a mensagem dos sintomas.
Depressão: mensagem de que você merece algo melhor.
Corpos sutis e a origem da doença.
A construção da estima pessoal.
As 4 dimensões da cura.
Os 7 passos de educação emocional.
Modelo de reeducação emocional para deprimidos.
Importância da crise existencial da meia-idade.
Teste prático para saber se está deprimido. (não é um diagnóstico)

Wanderley Soares de Oliveira


CONHEÇA O WANDERLEY

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Wanderley Oliveira tem uma ampla atuação em treinamentos e seminários ao longo de mais de 30 anos de experiência com grupos. Sua atividade profissional com foco no desenvolvimento humano embasa todo o seu trabalho de comunicador eficaz e de bons resultados, melhorando a vida das pessoas.
Seus principais alvos de trabalho são: aprimoramento e descoberta de talentos, melhoria da convivência nos contextos de grupo e ampliação do conhecimento pessoal, motivando o impulso de crescer na busca da saúde e da paz.
Na área profissional atua como terapeuta holístico (CRT - 44016) com formação Master e Practitioner em PNL – Programação Neurolinguistica. Especializações em: terapia floral pelo Bach Centre da Inglaterra, Life Coaching para metas pessoais nos relacionamentos e na mudança comportamental, e diagnóstico energético com foco em alinhamento de chacras e defesa contra forças intrusas.
Como educador emocional é criador do modelo de tratamento complementar para depressão com base na reeducação dos sentimentos. Como conferencista já participou de eventos em todo o Brasil cumprindo uma extensa agenda de compromissos. Como escritor estará lançando seu primeiro livro autoral em maio de 2012 cujo título é “Depressão – como extrair lições preciosas dessa dor”, pela Editora Dufaux, de Belo Horizonte.


“Já sabemos O QUE FAZER para sermos felizes. Mas COMO FAZER para transformar o que já sabemos na construção de nossa felicidade? Minha proposta educacional e terapêutica está focada em orientar "como fazer”, descobrindo os caminhos para a realização e desenvolvimento pessoal.”
Wanderley Oliveira

Dia 10/11 seminário cordões energéticos em Vitória







Proposta – Conhecer os laços energéticos que nos mantém ligados a pessoas e lugares, qual o teor de influência que podem exercer sobre a nossa conduta, nossa saúde e nossos sentimentos. Aprender como desintoxicar os cordões energéticos.

ALGUMAS ABORDAGENS
  • Que são os cordões energéticos e como se formam?
  • O que é uma pessoa “carregada”?
  • Quem está sujeito a formar cordões?
  • Que situações são mais propícias aos cordões – contextos prováveis.
  • Tipos de doenças mais comuns decorrentes dos cordões.
  • Cordões construídos em outras existências corporais.
  • Prisão energética a pessoas, lugares e objetos.
  • Alguém pode nos prejudicar com mau-olhar?
  • Existem cordões com quem já partiu para outro plano de vida?
  • Como a energia dos cordões pode "travar" sua vida e afetar relações, saúde e prosperidade.
  • Existe magia encomendada?
  • Como os inimigos espirituais podem usar os cordões.
  • Como limpar seu corpo energético e fechar o corpo.
  • Cordões de amor libertadores.
  • Curando os cordões: desvinculação afetiva e construção de defesas pessoais.
  • Case de tratamento – relacionamento mãe e filha – a doença do apego.
  • Case de tratamento – depressão nos religiosos – a doença da hipocrisia.
  • Case de tratamento – amarras psíquicas diante de um erro – a doença da culpa.
  • Práticas: uso de pulsos mento-magnéticos / reequilíbrio de chacras / higienização de cordões / limpeza de aura / limpeza de endereço vibratório / libertação de angústia / abertura de frequência para fechar corpo / desentoxicação de aura.

Aproveite esta oportunidade

Em Novembro, o consciente escritor e orador espírita Wanderley Soares de Oliveira estará conosco em Vitória. O Grupo Espírita Lamartine Palhano Jr. (Gelp) esforçou-se para trazer o autor a Vitória para que pudesse, mais uma vez, nos engrandecer com temas relevantes e com sua apurada visão do espiritismo, já há muito conhecida através de inúmeros livros publicados.
Wanderley estará conosco em três momentos:
  1. Palestra gratuita no dia 09/11, às 19h30: Depressão e autoconhecimento
  2. Seminário 1 dia 10/11, das 8h30 às 12h30: Depressão e autoconhecimento: como extrair valiosas lições dessa dor
  3. Seminário 2 dia 10/11, das 14h30 às 18h30: Cordões energéticos

Evento será realizado no Ifes

Todas as etapas do evento serão realizadas no Anfiteatro do Ifes, local de fácil acesso e conforto para todos. Caso tenhamos público superior a 100 (cem) pessoas, teremos restaurante self-service servindo comida no local (o valor da refeição não está incluído na inscrição).

Faça sua inscrição

Preencha a Ficha de Inscrição Wanderley Oliveira em Vitória e envie, juntamente com o comprovante de depósito ou transferência, para o e-mail leonardo@gelpalhano.org.
O seminário custa R$ 20,00 (vinte reais) se for pago até o dia 31 de Outubro. Após esta data, custará R$ 30,00 (trinta reais) até o dia 08 de Novembro (véspera do evento) e, no dia, custará R$ 40,00 (quarenta reais). Aproveite e faça sua inscrição, pagando o valor promocional de R$ 20,00.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

"VÓS SOIS DEUSES"




Por Leonardo Pereira*
Vós sois deuses” (João 10:34) é uma afirmativa de Jesus muito utilizada no meio espírita, para gerar motivação e esperança. É acompanhada, em geral, do complemento “podem fazer o que eu faço e muito mais...” (João 14:12). (Neste artigo usamos a tradicional tradução de João Ferreira de Almeida corrigida e revisada).

Por ser de uso corrente, principalmente entre os oradores, consideramos que sua análise deve partir, primordialmente, do contexto original no qual Jesus a formulou, a saber: “Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo.” (Salmo 82:6).

Reproduzamos, então, o que anotou o apóstolo João em seu Evangelho (10:23-38):

"E Jesus andava passeando no templo, no alpendre de Salomão. Rodearam-no, pois, os judeus, e disseram-lhe: Até quando terás a nossa alma suspensa? Se tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente. Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo tenho dito, e não o credes. As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim. Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai. Eu e o Pai somos um."

Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar. Respondeu-lhes Jesus: "Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais?"

Os judeus responderam, dizendo-lhe: "Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo". Respondeu-lhes Jesus: "Não está escrito na vossa lei: “Eu disse: Sois deuses?” Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada), Àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus? Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis. Mas, se as faço, e não credes em mim, crede nas obras; para que conheçais e acrediteis que o Pai está em mim e eu nele."

Observe que nessa passagem Jesus “cita” a lei já existente, ou seja, o Salmo 82:6; não faz nenhuma afirmativa, nem a anula. Usa a própria Lei Judaica para calar a boca da turba, pois a lei referia-se a homens comuns ─ embora homens de autoridade e prestígio (juízes) ─ muitas vezes, citados pela tradição judaica como “deuses". Vale salientar que a afirmação é do Salmista do Antigo Testamento, e não de Jesus, que a utilizou somente para demonstrar a contradição de seus perseguidores, ao acusá-lo de blasfemo. Depois de tudo isso, todos se vão, indo também Jesus rumo ao rio Jordão...

* * *

Quanto ao complemento da frase de Jesus, citada no início do nosso texto: “Podem fazer o que eu faço e ainda muito mais”, observemos que esta remete à sentença original: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas...” (João 14:12).

Ambas as formas, por sua vez, fazem parte de um das mais ricas passagens do Mestre Nazareno, cuja essência demonstra estreita relação com os princípios básicos da Doutrina Espírita. Analisemos, pois, a partir do texto bíblico integralmente - João 14:1-17:

"Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho. Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho? Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto. Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.

Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai. E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei. Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós."

Analisemos, então, o excelso ensinamento do Cristo:

Ao começar pedindo “credes em Deus, crede também em mim”, está em concordância com um princípio básico da Doutrina Espírita: a crença em Deus como “inteligência suprema, causa primária de todas as coisas” (1) ;

Em seguida, maravilhando os que O cercavam, ao dizer “Na casa de meu Pai há muitas moradas” também acorda com outro princípio básico da 3ª Revelação: a existência de “diferentes categorias de mundos habitados” (2) . Continuando com o roteiro seguro para a felicidade, assevera “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”.

Mais adiante, respondendo a Felipe que O interpelara rogando para que lhe mostrasse o Pai, o Rabino da Galileia, com exímio raciocínio lógico, leciona acerca da fé raciocinada (princípio basilar espírita):

"Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras."

É justamente nesse contexto que o Meigo Carpinteiro se utiliza da frase: “[...] Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas [...].

Finalmente, a maior correspondência doutrinária se dá quando, na excelsa passagem bíblica, o Mestre promete: “[...] eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Consolador para que fique convosco para sempre; o Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.”. Assim, quando nos promete enviar um novo Consolador, ensina acerca da esperança, sobrevivência e retorno do espírito ao mundo corporal ─ princípios basilares do próprio Espiritismo.

Vale notar que o Cristo de Deus já nos trazia um Consolador: sua mensagem de amor e paz; suas lições de vida e felicidade; sua forma simples de dizer de nossas imperfeições e de nos apontar o caminho reto e seguro, pautados nas verdades eternas do 'amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo'. Logo, o Ser mais evoluído que pisara em nosso planeta, falava de Si mesmo e de Suas mensagens. Por outro lado, sabia, de antemão, que nós as esqueceríamos, motivo pelo qual faz sentido prometer um outro Consolador e rogar ao Pai enviar o Espírito da Verdade, que os apóstolos conheciam e estaria com eles.

E foi assim que aconteceu...

Transformados pela letra morta, ludibriados pelos poderes temporais dos sacerdócios em seu nome, movidos pela ambição e covardia, esquecemos as mensagens do Cristo. Deflagramos guerras santas, queimamos pessoas, destruímos ideias e ideais, levantamos falso testemunho, erigimos castelos de ouro e templos vazios - tudo em Seu nome, e Ele o sabia.

Vós sois Deuses”, disse o Mestre de Amor, mas à medida que seguirmos seu caminho: suportando nosso cadinho de dor, erigido nos dias de ontem (vivos, porém, na consciência de hoje), enviaria o Consolador, relembrando-nos de nossos compromissos perante a nossa consciência, perante Deus e perante os talentos desprezados nas sucessivas encarnações.

Este mesmo Consolador chega e fala-nos do Sublime Peregrino que exemplificou todas as Leis e os Profetas, dividindo a Historia em antes e depois d’Ele, vivificando o espírito da verdade de que tanto precisamos nos dias de hoje.

Sim, somos 'deuses', ou um templo divino!

E, para que o Reino de Deus se estabeleça em nós e seja compartilhado com o próximo, precisamos acreditar que isso, de fato, seja possível. Sem vaidade ou supervalorização, pois Deus não fere, não mata, não magoa, não rouba, não sofre, não se envaidece, nem é egoísta ─ “a Causa primária de todas as coisas” só pode ser Amor...

Salvemos, pois, o Consolador Prometido, que vivifica a letra e nos faz retomar a Fé com a Razão, que retira o véu dos textos apostólicos, transfigurando-os em frases iluminadas a nos banhar de conhecimento!
*  *  *
(*) Leonardo Pereira é orador espírita e presidente do Gelp, em Goiabeiras, Vitória-ES.
1 – KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: princípios da Doutrina Espírita.
67. ed. S.Paulo: FEB,/USE. 1985: Parte Primeira; Das Causas Primárias; Capítulo I; De Deus. pág. 51.
2 - KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo.106. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1992.cap. III, pág. 71.
Imagem:http://www.imotion.com.br/. Acesso em: 10.04.10.
Formatação atualizada em 27.06.2012.

Novo curso no gelp


terça-feira, 19 de junho de 2012


O AUTOENCONTRO

Paisagem da Cilícia
Por Leonardo Pereira*

"[...] Buscando o exemplo do Apóstolo dos Gentios, devemos nos inquirir se já não está na hora de também invadir os nossos desertos e perscrutar o que desconhecemos em nós mesmos [...]"

Saulo!.. Saulo!.. por que me persegues?” ─ a frase emblemática se refere ao encontro do doutor da Lei judaica, Saulo de Tarso, com Jesus de Nazaré, na estrada de Damasco, a “cidade de jasmim”, capital da Síria.

Considerada a cidade mais antiga a ser habitada continuamente no mundo, Damasco foi palco da conversão de Saulo, perseguidor do Cristianismo, que, após o seu autoencontro, tornou-se, no seu tempo, o maior divulgador da mensagem de Jesus.

O então futuro Apóstolo dos Gentios nasceu por volta do ano 5, da nossa era, na cidade de Tarso, na Cilícia, Ásia Menor, pertencente hoje à Turquia, à época território anexado ao Império Romano (talvez aqui a programação Divina propiciando a um futuro divulgador do Cristianismo o salvo-conduto, o passaporte romano).

Apesar da cidadania romana, Saulo era um judeu da Diáspora (Dispersão) e pertencia a uma importante e rica família. Aos 14 anos, começou a receber a formação rabínica, sendo criado de forma rígida, com a exigência do cumprimento das rigorosas normas dos Fariseus, classe religiosa dominante daquela época, na qual predominava o orgulho racial tão peculiar aos judeus da antiguidade.

Depois de ser preparado para se tornar um doutor da Lei, mudou-se para Jerusalém, despontando como um dos principais sacerdotes do Templo de Salomão. Nesse período, deparou-se com uma seita iniciante, nascida dentro do judaísmo, contrária, porém, na visão dos doutores da lei judaica, aos principais ensinos farisaicos ─ o Cristianismo.

Contratado para perseguir e exterminar os seguidores dessa seita ─seguidores do carpinteiro de Nazaré ─ apelido dado aos discípulos de Jesus, Saulo não mediu esforços para acabar com o que acreditava ser uma ameaça ao seu povo, sua religião. Mas, apesar de tudo que fazia para minar o crescimento dos adeptos da nova seita, ela continuava crescendo com força, principalmente após a morte e ressurreição de seu líder ─ Jesus. A cada dia novos seguidores surgiam, engrossando a massa dos que acreditavam que Ele era “o filho de Deus”, “o messias”, “o ungido”, “aquele que veio para libertar o povo”.

No ano de 35 d.C., dois anos após a crucificação de Jesus, logo depois de ter mandado executar Estevão (um dos primeiros mártires do Cristianismo), Saulo, impulsionado pela obsessão de acabar com os principais líderes cristãos, seguiu para Damasco. Ia ao encalço de um deles principalmente ─ Ananias ─ “a fim de castigá-lo devidamente.

Antes de chegar a Damasco teve uma visão fulgurante de Jesus que, em espírito, lhe perguntava: "Saulo!... Saulo!... por que me persegues?". Sobrevindo-lhe imediata cegueira, foi conduzido à cidade, onde foi curado pelo mesmo Ananias, convertendo-se, então, ao Cristianismo, passando a chamar-se Paulo. A partir daí, surge, então, o "Apóstolo dos Gentios", ou seja, o enviado, para disseminar o Evangelho para o povo não judeu.

O Espírito Emmanuel, na belíssima obra “Paulo e Estevão”, um clássico da literatura espírita, de leitura indispensável, editado pela Federação Espírita Brasileira, narra, com profundidade, pela psicografia do médium mineiro Chico Xavier, a comovente história de Saulo x Paulo.

Essa obra nos desperta para uma importante reflexão: “Saulos” de hoje, a caminho da transformação, não raras vezes encontramos o chamamento “às portas de Damasco”, sendo convocados ao Bem universal e instados, pelo livre-arbítrio, a decidir utopicamente entre matar em nós o amor ou, corretamente, aprender a amar! Mas somente a segunda escolha é capaz de nos conduzir a uma importante perspectiva: a de como nos vemos e como vemos a vida, o que nos permite sair da cegueira material para a claridade espiritual.

Na verdade, Saulo, às portas de Damasco, entendeu que até então vivia na escuridão do orgulho, do egoísmo, da vaidade e do poder prepotente, e o seuautoencontro, nesse caso, propiciado pela cegueira temporária, lhe facultou conhecer-se e conhecer o seu caminho, a sua estrada.

De acordo com Emmanuel (op. cit.), Saulo passa mais de um ano no deserto, tempo necessário para consolidar a sua transformação em Paulo. Ao retomar a antiga profissão (tecelão), começa a tecer um novo caminho na manta da vida. Afasta-se de tudo em que acreditava e mergulha em si mesmo. E, através da introspecção e da reflexão, entende que o homem velho devia dar lugar ao homem novo. E coloca isso em prática. Podemos dizer, então: a luz se fez em Paulo e Paulo fez luz por onde foi.

Buscando o exemplo do Apóstolo dos Gentios, devemos nos inquirir se já não está na hora de também invadir os nossos desertos e perscrutar o que desconhecemos em nós mesmos; se já não chegou o momento de utilizarmos o autoconhecimento para iluminar os escaninhos escuros da nossa mente, onde habitam os homens velhos que teimam em retornar vez ou outra exigindo o direito adquirido pelo tempo, gritando: “Eu sou assim e não vou mudar... eu mando, eu posso”; de promover, na nossa rota de Damasco, oautoencontro, questionando o Saulo que reside em nós  ─ “por que me persegues?” ─ para que, na cegueira da matéria, não predomine o homem velho. E, como Paulo, perguntar: “Senhor, que quereis que eu faça?”.

Deixemos, portanto, que a Claridade Divina transforme a nossa vida, para que, com a visão restaurada e o coração firme na fé, possamos dizer, a exemplo do Apóstolo dos Gentios: “Não sei mais se sou eu que vivo no Cristo ou o Cristo que vive em mim.”
*  *  *
(*) Leonardo Pereira  é orador espírita e atual
presidente do Gelp – Bairro Goiabeiras – Vitória-ES.
Imagem:http://www.lycianturkey.com/lycia-piracy.htm.
Acesso em: 13/junho/2012.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Chico Xavier








Chico de Francisco...



Primeira infância


Nascido no seio de uma família humilde, era filho de João Cândido Xavier, um modesto vendedor de bilhetes de loteria, e de Maria João de Deus, uma dona de casa católica e piedosa.



Segundo biógrafos, a mediunidade de Chico teria se manifestado pela primeira vez aos quatro anos de idade, quando ele respondeu ao pai sobre Ciências, durante conversa com uma senhora sobre gravidez. Ele dizia ver e ouvir os espíritos e conversava com eles.
Os abusos da madrinha



A mãe faleceu quando Francisco tinha apenas cinco anos de idade. Incapaz de criá-los, o pai distribuiu os nove filhos entre a parentela. Nos dois anos seguintes, Francisco foi criado pela madrinha e antiga amiga de sua mãe, Rita de Cássia, que logo se mostrou uma pessoa cruel, vestindo-o de menina e batendo-lhe diariamente, inicialmente por qualquer pretexto e, mais tarde, sob a alegação de que o "menino tinha o diabo no corpo". Não se contentando em açoitá-lo com uma vara de marmelo, Rita passou a cravar-lhe garfos de cozinha no ventre, não permitindo que ele os retirasse, o que ocasionou terríveis sofrimentos ao menino. Os únicos momentos de paz que tinha consistiam nos diálogos com o espírito de sua mãe, com quem comunicava desde os cinco anos de idade o menino viu-o após uma prece, junto à sombra de uma bananeira no quintal da casa. Nesses contatos, o espírito da mãe recomendava "paciência, resignação e fé em Jesus" ao filho.



A madrinha ainda criava outro filho adotivo, Moacir, que sofria de uma ferida incurável na perna. Rita decidiu seguir a simpatia de uma benzedeira, que consistia em fazer uma criança lamber a ferida durante três sextas-feiras em jejum, sendo a tarefa atribuída ao pequeno Francisco. Revoltado com a imposição, Francisco conversou novamente com o espírito da mãe, que lhe aconselhou a "lamber com paciência". O espírito explicou-lhe que a simpatia "não é remédio, mas poderia aplacar a ira da madrinha", esta sim passível de colocar em risco a sua vida. Os espíritos se encarregariam da cura da ferida. De fato, curada a perna de Moacir, Rita de Cássia melhorou o tratamento dado a Francisco.
A madrasta



O seu pai casou-se novamente, e a nova madrasta, Cidália Batista, exigiu a reunião dos nove filhos. Francisco tinha então sete anos de idade. O casal teve ainda mais seis filhos. Por insistência da madrasta, o menino foi matriculado na escola pública. Nesse período, o espírito de Maria João parou de manifestar-se. O jovem Francisco, para ajudar nas despesas da casa, começou a trabalhar vendendo os legumes da horta da casa.



Na escola, como na igreja, as faculdades paranormais de Francisco continuaram a causar-lhe problemas. Durante uma aula do 4º ano primário, afirmou ter visto um homem que lhe ditou as composições escolares, mas ninguém lhe deu crédito e a própria professora não se importou. Uma redação sua ganhou menção honrosa num concurso estadual de composições escolares comemorativas do centenário da Independência do Brasil, em 1922. Enfrentou o ceticismo dos colegas, que o acusaram de plágio, acusação essa que sofreu durante toda a vida. Desafiado a provar os seus dons, Francisco submeteu-se ao desafio de improvisar uma redação (com o auxílio de um espírito) sobre um grão de areia, tema escolhido ao acaso, o que realizou com êxito.



A madrasta Cidália pediu a Francisco que se aconselhasse com o espírito da falecida mãe dele sobre como evitar que uma vizinha continuasse a furtar hortaliças e esta lhe disse para torná-la responsável pelo cuidado da horta, conselho que, posto em prática, levou ao fim dos furtos.



Assustado com a mediunidade do jovem, o seu pai cogitou em interná-lo. O padre Scarzelli examinou-o e concluiu que seria um erro a internação, tratando-se apenas de "fantasias de menino". Scarzelli simplesmente aconselhou a família a restringir-lhe as leituras (tidas como motivo para as fantasias) e a colocá-lo no trabalho. Francisco, então, ingressou como operário em uma fábrica de tecidos, onde foi submetido à rigorosa disciplina do trabalho fabril, que lhe deixou seqüelas para o resto da vida.



No ano de 1924 terminou o antigo curso primário e não mais voltou a estudar. Mudou de trabalho, empregando-se como caixeiro de venda, ainda em horários extensos. Apesar de católico devoto e das incontáveis penitências e contrições prescritas pelo padre confessor, não parou de ter visões e nem de conversar com espíritos.
O contato com a Doutrina Espírita



Em 1927, então com dezessete anos de idade, Francisco perdeu a madrasta Cidália, e se viu diante da insanidade de uma irmã, que descobriu ser causada por um processo de obsessão espiritual. Por orientação de um amigo, Francisco iniciou-se no estudo do espiritismo. No mês de maio desse mesmo ano recebeu nova mensagem de sua mãe, na qual lhe era recomendado o estudo das obras de Allan Kardec e o cumprimento de seus deveres. Em junho, ajudou a fundar o Centro Espírita Luiz Gonzaga, em um simples barracão de madeira de propriedade de um seu irmão. Em julho, por orientação dos espíritos seus mentores, iniciou-se na prática da psicografia, escrevendo 17 páginas. Nos quatro anos subseqüentes aperfeiçoou essa capacidade embora, como relata em nota no livro Parnaso de Além-Túmulo, ela somente tenha ganho maior clareza em finais de 1931. Desse modo, pela sua mediunidade começaram a manifestar-se diversos poetas falecidos, somente identificados a partir de 1931. Em 1928 começou a publicar as suas primeiras mensagens psicografadas nos periódicos O Jornal, do Rio de Janeiro, e Almanaque de Notícias, de Portugal.
As primeiras obras



Em 1931, em Pedro Leopoldo, iniciou a psicografia da obra "Parnaso de Além-Túmulo". Esse ano, que marca a "maioridade" do médium, é o ano do encontro com seu mentor espiritual Emmanuel, "...à sombra de uma árvore, na beira de uma represa..." (SOUTO MAIOR, 1995:31). O mentor informa-o sobre a sua missão de psicografar uma série de trinta livros, e explica-lhe que para isso são lhe exigidas três condições: "disciplina, disciplina e disciplina". Severo e exigente o mentor instruiu-o a manter-se fiel a Jesus e a Kardec, mesmo na eventualidade de conflito com a sua orientação.



Em 1932 foi publicado o "Parnaso de Além-Túmulo" pela Federação Espírita Brasileira (FEB). A obra, coletânea de poesias ditadas por espíritos de poetas brasileiros e portugueses, obteve grande repercussão junto à imprensa e à opinião pública brasileira, e causou espécie entre os literatos brasileiros, cujas opiniões se dividiram entre o reconhecimento e a acusação de pastiche. O impacto era aumentado ao se saber que a obra tinha sido escrita por um "modesto caixeirinho" de armazém do interior de Minas Gerais, que mal completara o primário. O espírito de sua mãe aconselhou-o a não responder aos críticos.



Os direitos autorais das suas obras são concedidos à FEB. Neste período inicia a sua relação com Manuel Quintão e Wantuil de Freitas. Ainda neste período descobriu ser portador de uma catarata ocular, problema que o acompanhou o resto da vida. Os espíritos seus mentores, Emmanuel e Bezerra de Menezes, orientam-no para tratar-se com os recursos da medicina humana e não contar com quaisquer privilégios dos espíritos. Continua com o seu emprego de caixeiro e a exercer as suas funções no Centro Espírita Luís Gonzaga, atendendo aos necessitados com receitas, conselhos e psicografando as obras do Além. Paralelamente, inicia uma longa série de recusas de presentes e distinções, que também perdurará por toda a vida, como por exemplo, a de Fred Figner, que lhe legou vultosa soma em testamento, repassada pelo médium à FEB. Com a notoriedade, prosseguem os ataques de adversários que tentam desmoralizá-lo, e de inimigos espirituais, que buscam atingi-lo com fluidos negativos e tentações.
O processo da viúva de Humberto de Campos



No decorrer da década de 1930, destacaram-se ainda a publicação dos romances atribuídos a Emmanuel e da obra "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", atribuída ao espírito de Humberto de Campos, onde a história do Brasil é interpretada de forma mítica e teológica. Esta última obra trouxe como consequência uma ação judicial movida pela viúva do escritor, que pleiteou por essa via direitos autorais pelas obras psicografadas, caso se confirmasse a autoria do famoso escritor maranhense. A defesa do médium foi suportada pela FEB, e resultou, posteriormente, no clássico "A Psicografia Perante os Tribunais", do advogado Miguel Timponi. Em sua sentença, o juiz decidiu que os direitos autorais referiam-se à obra reconhecida em vida do autor, não havendo condição do tribunal se pronunciar sobre a existência ou não da mediunidade. Ainda assim, para evitar possíveis futuras polêmicas, o nome do escritor falecido foi substituído pelo pseudônimo "Irmão X".



Neste período, Francisco ingressou no serviço público federal, como Auxiliar de Serviço no Ministério da Agricultura. Como curiosidade, refere-se que, em toda a sua carreira como funcionário público, não existe registro de qualquer falta ao serviço.
Nosso Lar



Em 1943 vem a público uma das obras mais populares da literatura espírita no país, o romance "Nosso Lar", o mais vendido e divulgado da extensa obra do médium. Este é o primeiro de uma série de livros cuja autoria é atribuída ao espírito André Luiz.



Neste período, a celebridade de Chico Xavier é crescente, e cada vez mais pessoas o procuram em busca de curas e mensagens, transformando a pequena cidade de Pedro Leopoldo, em um centro informal de peregrinação. Tendo morrido na miséria o seu antigo patrão, José Felizardo, o médium empenha-se em arranjar-lhe um sepultamento digno, pedindo doações de casa em casa para esse fim. De acordo com o seu biógrafo Ubiratan Machado, "...até mesmo um mendigo cego doou-lhe toda a féria do dia". (MACHADO, 1996:53).
O caso Amauri Pena




Em 1958 o médium viu-se no centro de uma nova polêmica, desta vez por conta das denúncias de um sobrinho, Amauri Pena, filho da irmã curada de obsessão. O sobrinho, ele mesmo médium psicógrafo, anunciou-se pela imprensa como falso médium, um imitador muito capaz, acusação que estendeu ao tio. Chico Xavier defendeu-se, negando ter qualquer proximidade com o sobrinho. Já com antecedentes de alcoolismo e com sérios remorsos pelos danos causados à reputação do tio, Amauri foi internado num sanatório psiquiátrico em São Paulo, onde veio a falecer.
A parceria com Waldo Vieira



No mesmo período, Chico Xavier conheceu o jovem médico e médium Waldo Vieira, em parceria com quem psicografou diversas obras em comum, até à ruptura de ambos, alguns anos depois.



Em 1959 estabeleceu residência em Uberaba, onde viveu até ao fim de seus dias. Continuou a psicografar inúmeras obras, passando a abordar os temas que marcam a década de 1960, como o sexo, as drogas, a questão da juventude, a tecnologia, as viagens espaciais e outros. Uberaba, por sua vez, tornou-se centro de peregrinação informal, com caravanas a chegar diariamente, de pessoas com esperança de um contato com parentes falecidos. Neste período popularizam-se os livros de "mensagens": cartas ditadas a familiares por espíritos de pessoas comuns. Prosseguem também as campanhas de distribuição de alimentos e roupas para os pobres da cidade.



Em 22 de maio de 1965 Chico Xavier e Waldo Vieira viajaram para Washington, Estados Unidos, a fim de divulgar o espiritismo no exterior. Com a ajuda de Salim Salomão Haddad, presidente do centro Christian Spirit Center, e sua esposa Phillis, estudaram inglês e lançaram o livro "Ideal Espírita", com o nome de "The World of The Spirits".
As entrevistas no programa televisivo Pinga-Fogo




No alvorecer da década de 1970, Chico participou de programas de televisão que alcançaram picos de audiência. Nessa década, além da catarata e dos problemas de pulmões, passou a sofrer de angina. Passou ainda a ajudar pessoas pobres com o dinheiro da vendagem de seus livros, tendo para tanto criado uma fundação.
As décadas de 1980 e 1990



Em 1981 foi proposto para o Prêmio Nobel da Paz, que não ganhou. Neste período a sua fama ampliou-se no exterior, com diversas de suas obras sido vertidas em diversas línguas, assim como ganhou adaptações para telenovelas.



Ao final da década de 1990 o médium contava com mais de 400 títulos de livros psicografados. Nesse período estimava-se em aproximadamente 50 milhões os livros espíritas circulando no Brasil, dos quais 15 milhões eram atribuídos a Chico Xavier e 12 milhões a Kardec (SANTOS, 1997:89).



No ano de 1994 o tablóide estadunidense National Examiner publicou uma matéria em que, no título, declarava que "Fantasmas escritores fazem romancista milionário". A matéria foi alardeada no Brasil com destaque pela hoje extinta revista Manchete, com o título de "Secretário dos Fantasmas", onde se declarava que, segundo informava a "National Examiner", o médium brasileiro ficou milionário, havendo ganho 20 milhões de dólares como "secretário de fantasmas". A revista Manchete continuava: "Segundo o jornal, ele é o primeiro a admitir que os 380 livros que lançou são de 'ghost-writers', mas 'ghosts' mesmo, em sentido literal", concluindo "Chico simplesmente transcreve as obras psicografadas de mais de 500 escritores e poetas mortos e enterrados."



O médium não respondeu, mas a FEB, por seu então Presidente Juvanir Borges de Souza, editora de boa parte das obras de Chico Xavier, enviou uma carta à revista em que informava utilizar os direitos autorais e remuneração pelas obras de Francisco Cândido Xavier, para uso da caridade, o mesmo se passando com outras editoras, ressaltando que "os direitos autorais são cedidos gratuitamente, visando tornar o livro espírita bastante acessível e contribuir, destarte, para a difusão da Doutrina Espírita."



O mesmo Presidente da FEB, em 4 de outubro daquele ano, por ocasião do I Congresso Espirita Mundial, apresentou uma "moção de reconhecimento e de agradecimento ao médium Francisco Cândido Xavier", aprovada pelo Conselho Federativo Nacional da FEB, em proposta apresentada pelo Presidente da Federação Espírita do Estado de Sergipe. No documento, as entidades representativas do Espiritismo no Brasil devotavam a sua gratidão e respeito ao médium "pelos intensos trabalhos por ele desenvolvidos e pela vida de exemplo, voltados ao estudo, à difusão e à prática do Espiritismo, à orientação, ao atendimento e à assistência espiritual e material aos seus semelhantes".



Falecimento



O médium faleceu aos 92 anos de idade em decorrência de parada cardio respiratória. Conforme relatos de amigos e parentes próximos, Chico teria pedido a Deus para morrer em um dia em que os brasileiros estariam muito felizes, e que o país estaria em festa, por isso ninguém ficaria triste com seu passamento. O país festejava a conquista da Copa do Mundo FIFA de 2002 no dia de seu falecimento.



Antes de sua morte, ele havia deixado uma espécie de código com pessoas de sua confiança para que pudessem ratificar a sua presença quando houvesse um contato. Já nos aproximamos do décimo ano de sua morte e nenhum contato confirmando o código foi feito até ao momento.



Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.
Chico Xavier




Fonte: Wikipedia