segunda-feira, 19 de dezembro de 2011


O PERDÃO EM NOVE ETAPAS



Por Leonardo Pereira*

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a saúde como o completo bem-estar físico, social e mental; não apenas a ausência de doenças. Nós, espíritas, podemos formular: “completo bem-estar espiritual”.


 Sabemos que não perdoar resulta na manutenção de energias negativas, provenientes do pensamento infectado pelo vírus da mágoa. “O estado emocional do paciente tem efeitos específicos sobre os mecanismos envolvidos na doença e na saúde.” (Norman Cousins in “Cura-te pela Cabeça”).


 Alfred Adler propõe que “Uma doença infecciosa não é o produto apenas de uma bactéria ou de um vírus, mas decorrência da participação do indivíduo em sua totalidade, do corpo e da mente, na ‘aceitação’ ou ‘rejeição’ ao vírus ou à bactéria”.


 Dr. Fred Luskin , diretor do Projeto Stanford para o Perdão, enumera nove passos para o perdão. Vejamos:


“1 - Saiba exatamente como você se sente sobre o que ocorreu e seja capaz de expressar o que há de errado na situação. Então, relate a sua experiência a umas duas pessoas de confiança;


2 - Comprometa-se consigo mesmo a fazer o que for preciso para se sentir melhor. O ato de perdoar é para você e ninguém mais. Ninguém mais precisa saber sua decisão;


3 - Entenda seu objetivo. Perdoar não significa necessariamente reconciliar-se com a pessoa que o perturbou, nem se tornar cúmplice dela. O que você procura é paz;


4 - Tenha uma perspectiva correta dos acontecimentos. Reconheça que o seu aborrecimento vem dos sentimentos negativos e desconforto físico de que você sofra agora, e não daquilo que o ofendeu ou agrediu há dois minutos ou há dez anos;


5 - No momento em que você se sentir aflito pratique técnicas de controle de estresse para atenuar os mecanismos de seu corpo;


6 - Desista de esperar de outras pessoas ou de sua vida coisas que elas não escolheram dar a você. Lembre a si mesmo que você pode esperar saúde, amizade e prosperidade e se esforçar para consegui-los. Porém, você sofrerá se exigir que essas coisas aconteçam quando você não tem o poder de fazê-las acontecer;


7 - Coloque sua energia em tentar alcançar seus objetivos positivos por um meio que não seja através da experiência que o feriu. Em vez de reprisar mentalmente sua mágoa, procure outros caminhos para suas metas;


8 - Lembre-se de que uma vida bem vivida é a sua melhor alternativa. Em vez de se concentrar nas suas mágoas – o que daria poder sobre você à pessoa que o magoou – aprenda a buscar o amor, a beleza e a bondade ao seu redor;


9 - Modifique a sua história de ressentimento de forma que ela o lembre da escolha heróica que é perdoar. Passe de vítima a herói na história que você contar.”


Nenhum dos pensadores acima citados, apesar do esforço em compreender a alma humana e os seus conflitos, especialmente os conflitos de relacionamentos, conseguiram, de certa forma, superar (não era a intenção de nenhum dos autores) o jovem carpinteiro de Nazaré, que, de maneira simples e objetiva, através de histórias e parábolas, lecionava sobre os dramas da vida e suas soluções, utilizando o conhecimento de cada povo, sua cultura e suas crenças. Para uns, falava de peixes; para outros, do trigo, da semente, do semeador. Para cada qual uma linguagem, uma imagem, um ponto em comum. E, no final de cada lição, perguntava: “quem foi o próximo?”, “quem devia mais?”. Assim, através do exemplo, da lição, levava cada qual a refletir sobre si e a vida.


A proposta de Jesus permanece, ainda hoje, vigorando como alerta para a nossa evolução: “Reconcilia-te sem demora com o teu adversário, enquanto estás a caminho com ele, para que não suceda que ele te entregue ao juiz, e que o juiz te entregue ao seu ministro, e sejas mandado para a cadeia. Em verdade te digo que não sairás de lá, enquanto não pagares o último ceitil.”(MT- 25:26). E prossegue, indicando o caminho seguro para a libertação das amarras que nos prendem à amargura e ao ressentimento: “Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam [...]” (MT- 5:44)


Vigiar nossas ações mentais e orar em prol do nosso equilíbrio, com firme vontade no trabalho no Bem, com certeza há de nos assegurar um lugar no mundo de Regeneração, onde os corações, imersos no desejo de transformação no Bem comum, entoarão um cântico de paz e harmonia, rompendo os céus. E o universo, em coro divino, responderá: "Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou[...]" . (Lucas 7:47)

*  *  *
(*) - Leonardo Pereira é Designer Gráfico, orador espírita e
um dos trabalhadores do Grupo Espírita Lamartine Palhano Junior.
Imagem: www.google.com. Acesso em: 16/dezembro/2011.


Publicado  originalmente no blog :http://espiritualismoeespiritismo.blogspot.com/

Nenhum comentário:

Postar um comentário