domingo, 15 de maio de 2011

"Quais são suas obras"


*Por Leonardo Pereira

Estudo e comentários da mensagem contida no Evangelho Segundo o Espiritismo capítulo XVIII, ITEM 16, de autoria do espírito Simeão na cidade de Bordeaux, 1863..

Continuação:
 
8 -O viajor sedento, que se detém sob seus galhos à procura do fruto da esperança, capaz de lhe restabelecer a força e a coragem, somente vê uma ramaria árida, prenunciando tempestade. Em vão pede ele o fruto de vida à árvore da vida; caem-lhe secas as folhas; tanto as remexeu a mão do homem, que as crestou. (grifos meus).


Muitos têm buscado na doutrina espírita as respostas para seus dramas e suas dores. Tentam entender o porquê da vida, do sofrimento, das doenças, desigualdades sociais, e, principalmente, decifrar os enigmas da morte física e as verdades do pós-morte.
Desorientados e sem encontrar essas respostas em suas religiões aportam em nossas instituições querendo soluções imediatas para tudo e para todas as coisas. Frutos de um mundo atribulado e apressado ficam na periferia da doutrina espírita sem se aprofundar ou buscarem modificar o pensamento e as ações.
Nós muitas vezes também contribuímos para a inércia de muitos e a desilusão de outros tantos por não sabermos acolher!
Transformamos nossas reuniões em burocracia querendo ver nossas casas grandes e cheias de gente mesmo que essa "gente" não saiba o que esta fazendo ali.
Buscamos temas complicados e palestrantes com fala rebuscada que, na verdade, ninguém sabe o que realmente querem dizer. Não conseguem consolar e esclarecer, fundamento básico para qualquer reunião de estudos da doutrina espírita.
Tratamos as pessoas com indiferença, não percebemos o irmão ou irmã sentados semana a semana na nossa casa, não sabemos seu nome, de onde veio, porque veio?
Criamos tantos trabalhos e atividades e não vemos os trabalhadores. Não paramos para observar, escutar e principalmente para amparar. O pobre e estropiado não tem lugar em muitas das nossas casas espiritas. Elitizamos os centros onde são bem vindos os ricos, famosos e doutos, contudo, os que buscam o fruto da árvore da vida realmente não encontram nada. A árvore não germinou. Nossa árvore está seca.
Queremos templos gigantes, luzes e grandes plateias. Tudo isso como fruto do atavismo religioso que trás de volta os antigos lideres cristãos acostumados com a pompa das grandes catedrais.
Queremos os grandes congressos para divulgar e ensinar as pessoas, onde quanto mais gente melhor para que possamos divulgar: "o nosso foi 1000 pessoas", "minha semana espírita foi a melhor", "eu trouxe fulano e ciclano".
Na verdade queremos nos fazer grandes quando a recomendação é de sermos pequenos e humildes.
É preciso olhar nosso irmão de doutrina e sentir quando ele está bem ou não. Saber da sua vida e saber quem é ele ou ela!
Que frutos sua casa espírita tem dado?


9 - Abri, pois, os ouvidos e os corações, meus bem-amados! Cultivai essa árvore da vida, cujos frutos dão a vida eterna. Aquele que a plantou vos concita a tratá-la com amor, que ainda a vereis dar com abundância seus frutos divinos.

 
Allan Kardec, o insigne codificador, nos convida a amar e nos instruir. Com isso reconhece a necessidade de aprimoramento intelectual, mas, também de autoconhecimento. No processo de amar é preciso auto amor. Somente assim cultivaremos a árvore da vida.
Em um planeta em transição, o amor, fruto da árvore divina, deve florescer em cada um de nós.
É importante nesse momento a dedicação ao bem comum e a pratica da caridade pura como Jesus nos ensinou.
Assim, fica fácil perceber quão abundante serão os frutos de nossa colheita pessoal.

 
10 - Conservai-a tal como o Cristo voa-la entregou: não a mutileis; ela quer estender a sua sombra imensa sobre o Universo: não lhe corteis os galhos. Seus frutos benfazejos caem abundantes para alimentar o viajor faminto que deseja chegar ao termo da jornada; não amontoeis esses frutos, para armazená-los e deixar apodrecer, a fim de que a ninguém sirvam.

 
Por muitos séculos temos lutado em guerras pelo poder e pela posse. Temos exercitado o orgulho e a vaidade procurando sempre os tesouros perecíveis da vida material. Com isso, esquecemo-nos de praticar o bem e, mais, esquecemos que respondemos por todo mal gerado do bem não praticamos em favor do próximo.
A árvore do cristianismo em sua pureza recebeu, nos exemplos do sublime carpinteiro de Nazaré, os mais belos exemplos de vida, que alguém poderia no legar, lecionando magistralmente,  como agir, perdoar, amar, dividir e doar em todos os instantes.
Fica bastante visível que com a falta da caridade, da justiça e do amor aos semelhantes cortamos os galhos que se estendiam com seus frutos que alimentariam a multidão esfomeada de amor.
Sem o agasalho do perdão e da caridade a justiça divina perde seu poder de curar e deixa de ser o balsamo que alivia,   transformando o mendicante de justiça em criminoso e pecador.
Passamos tanto tempo amontoando os frutos do conhecimento sem praticar o bem, sem consolar nem esclarecer, que acabamos transformando todo conhecimento em lixo.
Esperamos tanto para distribuir os frutos do Cristo redevivo, perdendo tempo avaliando se as pessoas podem comer, se sabem comer, ou, se é hora de comer. Colocamo-nos na condição de espíritos evoluídos e passamos a decidir até quem pode comer. Avaliamos o outro pelo intelecto, cultura e dinheiro.
Será que não estamos deixando os frutos do amor apodrecer aos pés de nossas portas fechadas?

 
11 - "Muitos são os chamados e poucos os escolhidos." É que há açambarcadores do pão da vida, como os há do pão material. Não sejais do número deles; a árvore que dá bons frutos tem que os dar para todos. Ide, pois, procurar os que estão famintos; levai-os para debaixo da fronde da árvore e partilhai com eles do abrigo que ela oferece.

 
O Arquivo mental de nossas vidas pretéritas, o que fomos e como fomos, se apresenta na personalidade atual em forma de tendências. Ao analisarmos essas tendências sabemos quem realmente somos.
Ainda egoístas e orgulhosos e presos às paixões do mundo que nos impõem necessidades, tais como as de conquistar e dominar, não queremos ficar para trás, pois, acreditamos que nascemos para sermos os primeiros em tudo.
Muitas vezes quando fracassamos na vida social, familiar ou profissional acabamos conseguimos a projeção que nos faltava dentro das religiões. Nesse momento o atavismo reencarnatório nos faz querer mais e mais o poder.
Acreditando que somos dominadores das mentes das outras pessoas, nos tornamos os açambarcadores (nos apoderamos dos bem do senhor).Usamos o conhecimento das escrituras, da bíblia, do corão, dos livros de Allan Kardec, dos conhecimentos milenares trazidos por benfeitores da vida maior em todas as partes da Terra para sobrepujamos os irmãos, que chegam até nós trazidos pelas suas dores incompreendidas, recheados de perguntas e esfomeados de respostas.
Usamos e abusamos dos cargos. Esses abusos tem um triste registro na história do cristianismo chegando às fileiras do espiritismo cristão onde a disputa por cargos, a necessidade de títulos e rótulos, a pregação proselitista e a luta pela tal "pureza" doutrinária tem causado muito mal.
Diante de tantas fugas da realidade, e, novamente transformando a mensagem de Jesus, continuamos como os sacerdócios do passado, agora, com roupagem democrática, "aqui todos podem" , mas, "só alguns tem a capacidade". É preciso fazer esse ou aquele curso de catecismo espírita para trabalhar, amar, doar, e, se você não faz, "que pena, não pode ficar".
Então, é hora de mudar. A árvore da vida doa seus frutos para todos. É urgente caminharmos em busca dos famintos e trazê-los para se alimentar da árvore do cristianismo.
Tal qual o samaritano da parábola devemos descer do cavalo, nos aproximar, pesar as feridas deitando-lhes o azeite do carinho, cobrindo-lhes com o cobertor da caridade e o abrigando-lhes na hospedaria do senhor. Essas hospedarias são as igrejas, os templos, os centros espíritas, os terreiros de umbanda e todos os  outros lugares onde o bem se faz presente.
É necessário e imprescindível aprender a acolher e evangelizar, principiando pela auto-evangelização.

 
12- "Não se colhem uvas nos espinheiros." Meus irmãos, afastai-vos dos que vos chamam para vos apresentar as sarças do caminho, segui os que vos conduzem à sombra da árvore da vida.

 
Duas são as portas que nos levam da vida terrena. Tais portas são escolhidas pela conquista do livre arbítrio e podem nos lançar em regiões de trabalho e aprimoramento ou em regiões de sofrimento.
A porta do bem é sempre estreita, difícil de passar, requer esforço, dedicação, coragem, humildade e amor. A porta larga é a porta dos prazeres materiais, do orgulho, do egoísmo, da negação do bem e a ostentação do poder.
Essas portas nos trazem os estados de céu interior ou de inferno astral, onde vivenciamos e nos alimentamos pelos frutos de nossas escolhas. Se buscarmos a árvore da vida receberemos o alimento do conhecimento aprenderemos a semear e não demoraremos a colher bons frutos. Se, ao contrario, escolhemos as sarças do caminho ou seguirmos os que gostam de "sarças" a lei Divina nos conduzirá a viver com nossos semelhantes colhendo sempre o que plantamos.
Há de ficar claro que mesmo seguindo a porta larga nunca estaremos desamparados, pois, a oportunidade de mudar de se transformar e refazer os caminhos sempre existe, e, ainda poderemos escolher o melhor e o mais doce fruto: o amor, apenas lembrando, esse caminho mais fácil no início é responsável por muitos dificuldades no futuro dos que o escolhem.

 
13 - O divino Salvador, o justo por excelência, disse, e suas palavras não passarão: "Nem todos os que dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos Céus; entrarão somente os que fazem a vontade de meu Pai que está nos Céus."
Realmente não basta dizer: " Senhor! Senhor!". O reino dos céus não se conquista com palavras. É preciso muita ação no bem, profundo senso de abnegação e trabalho constante de humildade e resignação.
Allan Kardec sabia disso e nos alertou em relação a nossa fala espírita e nossa pratica do espiritismo. Vejamos seus apontamentos: (3)
  1. Os que creem nas manifestações: espíritas experimentadores. Só se importam com os fenômenos e sua explicação científica.
  2. Os que, além dos fatos, compreendem as consequências morais, mas não as colocam em prática: espíritas imperfeitos, que não abrem mão de ser como são.
  3. Aqueles que praticam a moral espírita e aceitam todas as suas consequências: os verdadeiros espíritas ou espíritas cristãos, apresentando duas características básicas: a caridade como regra de proceder, e, pela compreensão dos objetivos da existência terrestre, o esforço "por fazer o bem e coibir seus maus pendores" (3).
  4. Os demasiadamente confiantes em tudo que se refere ao mundo invisível, aceitando sem verificação ou reflexão todos os conteúdos que lhes chegam ás mãos: espíritas exaltados. Este tipo de adeptos é mais nocivo que útil à causa espírita. (4)
Diante dessas colocações de Kardec como nos enquadrar ou avaliar? Que tipo de espírita somos nós?
Kardec, ainda, informa o caminho para recuperarmos o cristianismo esquecido e vivenciarmos os ensinos do Cristo Jesus em nossas relações, em nossas vidas, resumindo todos os deveres do homem na máxima: "Fora da caridade não há salvação"(5)
Complementando com o preceito: "Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações". (6)

 
14 - Que o Senhor de bênçãos vos abençoe; que o Deus de luz vos ilumine; que a árvore da vida vos ofereça abundantemente seus frutos! Crede e orai. — (SIMEÃO. Bordeaux, 1863.)

 
Não há tempo para substituições, cada um de nós esta inserido no seu campo de trabalho. São muitas as oportunidades de fazer o bem de sermos caridosos, equilibrados, brandos e pacíficos.
As provas são muitas e muitos são os que expiam suas faltas, contudo, se percebermos a vida com um olhar de impermanência, um olhar na vida futura saberemos que tudo passa e que as provas e expiações, escolhidas por nós pelo livre arbítrio das ações, nos atrela ao carro das reações.
A misericórdia Divina chega pelas bênçãos da reencarnação oportunizando uma vida nova, um tempo novo, novas oportunidades redentoras, que só s cabe a cada um, individualmente, cumprir ou executar.
Que o senhor da vida nos fortaleça e ilumine a consciência!

 
*Leonardo Pereira
Designer Gráfico - Orador espírita
Colaborador do Grupo Espírita Lamartine Palhano Jr em Vitória do ES

 

 
Fontes de consulta:
(1) Daemon (mitologia) Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Daimon ou daemon (grego δαίμων, transliteração dáimon, tradução "divindade", "espírito"), é um tipo de ser que em muito se assemelha aos gênios da mitologia árabe. A palavra daimon se originou com os gregos da Antiguidade; no entanto, ao longo da História, surgiram diversas descrições para esses seres. O nome em latim é dæmon, que veio a dar o vocábulo em português demônio.
(2) - NHENHENHÉM* Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indígenas não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer "nhen-nhen-nhen".
(3) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, 60a ed., FEB, Conclusão, item VII.
(4) Kardec, Allan, O Livro dos Médiuns. 26a ed., FEB, 1ª parte, cap. III, item 28 

(5)
(Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. .XV, item 5).
(6) (Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 4).

 

 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

"Quais são suas obras"


*Por Leonardo Pereira
Estudo e comentários da mensagem contida no Evangelho Segundo o Espiritismo capítulo XVIII, ITEM 16, de autoria do espírito Simeão na cidade de Bordeaux, 1863..

 
Apesar da mensagem ser clara como o dia e límpida como água cristalina, realizando um estudo mais minucioso, verificamos ensinamentos profundos sobre o cristianismo do qual fazemos parte como espíritas cristãos.
Em verdade estamos sendo muito teóricos. Nos falta muito da prática do cristianismo verdadeiro. Sinceramente, como bom mineiro, posso dizer: "bota falta nisso!".
Poderia começar a falar da mensagem de uma forma diferente, mas, colocando meus pensamentos em dia, o que me vem à mente é justamente o titulo da mensagem como uma interrogação insistente a me exigir uma resposta: "Quais são suas obras?".
"- Minhas obras?" - Pergunto-me como se dialogasse com um interlocutor desconhecido.
Busco na memória as obras que tenho feito no sentido de numerá-las, mas, não encontro nada, absolutamente nada que valha a pena de ser colocada como uma obra do Cristo.
Triste, observo que tenho realizado apenas fragmentos de caridade, muitas vezes obrigado pelas circunstâncias, e, tantas outras para ser visto ou provar para mim mesmo que sou bom.
Caro leitor, se eu lhe devolvesse a pergunta qual seria a sua resposta? Quais são suas obras?
Deixemos as perguntas pairando no ar e comecemos o estudo.

 
1 - Pelas suas obras é que se reconhece o cristão e "..Nem todos os que me dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos Céus, mas somente aqueles que fazem a vontade de meu Pai que está nos Céus."

 
O Brasil tem hoje cerca de cento e noventa milhões de habitantes. Grande parte dessa população brasileira se diz Cristã.
Mesmo que o censo, realizado pelo IBGE, não apresente exatamente tais números no que diz respeito às religiões, fazendo uma análise do contexto religioso no País somos cerca de cinquenta milhões de evangélicos, setenta milhões de católicos e trinta milhões de espíritas (incluindo os simpatizantes). Estes números nos colocam como o segundo maior país cristão do mundo estando apenas atrás dos Estados Unidos da América do Norte.
Sendo assim, como um país efetivamente cristão, podemos levantar outra pergunta:
"-Se somos cristãos como deixamos cerca de vinte milhões de irmãos brasileiros viverem, ou melhor, sobreviverem abaixo da linha da pobreza, em verdadeiro estado de miséria?"
Será que nosso cristianismo é somente de Senhor, Senhor? Ou seja, vivemos o Cristo da boca para fora e não convivemos com Ele em nosso íntimo?
Isso tudo nos indica que só de conversa ninguém conquista o reino dos céus, pois, esse reino não é lá ou acolá, não é um lugar no espaço, mas sim dentro de nós.
Trata-se de um estado de espírito que chama-se consciência do dever cumprido.

 
2 - Escutai essa palavra do Mestre, todos vós que repelis a Doutrina Espírita como obra do demônio. Abri os ouvidos, que é chegado o momento de ouvir.

 
A palavra demônio vem do grego "Daimom" ou "Daemom", significando divindade ou espírito (1).
Para muitas pessoas somos cultuadores do demônio, e, ainda, dizem que fazemos o bem ou praticamos a caridade por obra do demônio. Como isso é possível?
Observemos o que fala Jesus (Mateus 12) quando, por ocasião de ter realizado uma cura foi acusado de expulsar os demônios por ser servidor de belzebu (rei dos demônios): " - Se Satanás expulsa a Satanás está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino?"
É tempo de parar de avaliar os outros pelos rótulos religiosos e começar a conhecer intimamente o que vai em cada coração.
O mal não produz o bem e o bem não produz o mal.
É tempo de ouvir o Cristo e não apenas escutar repetições dos textos bíblicos. Ouvir é mais profundo. É quando paramos e meditamos sobre: o que escutamos, o que lemos, o que conversamos e principalmente o que vivemos.
É tempo de religiosidade que, diferente de religião, é a prática do amor no dia a dia.
3 - Será bastante trazer a libré do Senhor, para ser-se fiel servidor seu? Bastará dizer: "Sou cristão", para que alguém seja um seguidor do Cristo?

 
O texto fala que não basta vestir a farda de servidor (libré), ou, apenas ter "aparência".
Não basta dizer "sou cristão" e, pronto, "estamos salvos"!
Apesar de  muitos acreditarem nisso e viverem uma vida de aparência e auto enganação, nós, os espíritas, sabemos que não basta manter aparência de cristãos.
Mesmo assim, nossas casas estão rodeadas de hipócritas: sorriem na nossa frente e nos abraçam com tapinhas nas costas, e, logo depois, na nossa ausência desfilam o veneno da maledicência. Dentro do centro são pessoas boas e fora são verdadeiros carrascos.
Tem ainda os que se apoderam de cargos vitalícios impedindo muitas instituições de progredir fechando as portas a qualquer ideia de melhora. Fazem politicas rasteiras para continuar no poder (temporal) e usam de todos os meios para puxar o tapete dos que não pensam igual a eles.
Sabemos que existem pessoas boas e ignorantes em todas as religiões, mas, alguém que age assim pode se dizer espírita? E principalmente Cristão?

 
4 -Procurai os verdadeiros cristãos e os reconhecereis pelas suas obras. "Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má pode dar frutos bons."— "Toda árvore que não dá bons frutos é cortada e lançada ao fogo." São do Mestre essas palavras. Discípulos do Cristo compreendam-nas bem! (grifos meus).

 
Nesse item Jesus apresenta a lógica perfeita nos mostrando a resposta precisa de como devemos agir.
Devemos compreender a lição! Como ser verdadeiros cristãos? Verdadeiros espíritas?
É muito simples entender o recado, o complicado é colocar a lição em pratica. Vejamos:
Qualquer pessoa que se diga cristão deve agir, em tese, de acordo com as recomendações do Cristo, não é assim?
Resumindo os mandamentos da lei mosaica Jesus recomenda: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo".
Fica claro que para sermos verdadeiros conosco e com Jesus temos que vivenciar essas lições no dia a dia. Isso realmente acontece? Não, é claro que não!
Amamos coisas e pessoas acima de Deus. Gostamos mais da riqueza, do poder, da posse, dos títulos.
E o próximo? Ah! O próximo sou eu mesmo, não penso em mais ninguém, são todas as minhas vontades que devem ser atendidas. Gosto de quem gosta de mim. Dou presente se também recebo. Ajudo para ser visto. Dou o que não preciso mais, e, muitas vezes o que não serve para mais ninguém. Infelizmente, ainda nos comportamos assim!
Comecei o texto perguntando sobre nossas obras. A consciência me incita a elaborar mais essa questão: "- Que frutos são os nossos?"

 
5/6- Que frutos devem dar a árvore do Cristianismo, árvore possante, cujos ramos frondosos cobrem com sua sombra uma parte do mundo, mas que ainda não abrigam todos os que se hão de grupar em torno dela? Os da árvore da vida são frutos de vida, de esperança e de fé. O Cristianismo, qual o fizeram há muitos séculos, continuam a pregar essas virtudes divinas, esforça-se por espalhar seus frutos, mas quão poucos os colhem!

 
As lições de Jesus são verdadeiramente os frutos da vida. Da vida eterna, pois, nos ensina que a morte não existe e que a vida continua. Principalmente, fala da nossa destinação a felicidade.
Contudo, a mensagem conhecida do cristianismo não consegue retirar o véu dos olhos dos adeptos que continuam a pregar uma "verdade" fragmentada e incapaz de suportar uma análise mais profunda.
Diante de uma observação mais profunda, passando pela mensagem do Mestre Nazareno, dos trabalhadores da casa do caminho do passado, chegando às igrejas opulentas dos dias de hoje, verificamos que há muita diferença nas ações dos cristãos da nova era, ficando claro que o Cristo Jesus perdeu seu lugar, seu espaço.
Seus exemplos se perderam na poeira dos tempos. Tudo foi transformado em politica e interesse onde o que vale é o que se estabelece nos concílios e nas bulas papais. Digo isso com relação à igreja católica.
Já com relação às igrejas protestantes cada qual faz dos ensinos do Cristo o caminho que mais lhes possa oferecer segurança, fieis seguidores e poder.
Observando ainda o New pentecostalismo e sua teologia da prosperidade, segundo a qual "Deus" vai prover de bens materiais todas as pessoas bastando para isso aceitar Jesus e estar disposto a doar o que tem em troca do que se quer, traz uma religião de barganhas e promessas sem resultados morais e práticos pregando um Deus arcaico e vingativo, especulativo e materialista e, ainda, altamente seletivo.
Já no espiritismo verificamos centros grandes onde as pessoas não tem identidade e são apenas números em fichas distribuídas. Em muitos centros espíritas encontramos de tudo, menos Jesus. Estudam de tudo, falam de tudo, contudo, sem nenhuma vivencia do evangelho. Algumas instituições do espiritismo cristão se dizem criadas para ensinar espiritismo, outras para dar coisas. Existem aquelas que se dizem criadas para capacitar as pessoas a fazer bem, mas, elas mesmas não o fazem. Como podemos nos vestir com a faixa da nova revelação e arrotar teorias sem amor? Como falar de cristianismo? Da árvore da vida?
Como diziam os indígenas dos portugueses no processo de colonização do Brasil, é muito NHENHENHÉM. (2)

 
7 - A árvore é boa sempre, porém maus são os jardineiros. Entenderam de moldá-la pelas suas ideias; de talhá-la de acordo com as suas necessidades; cortaram-na, diminuíram-na, mutilaram-na; tornados estéreis, seus ramos não dão maus frutos, porque nenhuns mais produzem. (grifos meus).

 
Os jardineiros mencionados somos todos nós, que, como cartas vivas do evangelho do Cristo, não chegamos onde precisávamos chegar. Pairando na superfície dos ensinamentos divinos, sem os praticar em verdade e vida, transformamos os ensinos em pontos de vista e interpretações que mais nos convém para o momento.
Responsáveis por cuidar da árvore da vida e de seus frutos, como os cristãos do passado, arrancamos dela a seiva do amor puro e verdadeiro e acabamos adubando-a com mentiras, orgulho, egoísmo, vaidade, gerando dores que terão que ser resgatadas na esteira das reencarnações.
Como jardineiros do universo, convidados a cuidar, produzir e espalhar as sementes do cristianismo na sua pureza por todos os cantos da terra acabamos derrubando, no quintal de nossos enganos, os frutos sagrados da imortalidade, da justiça e da caridade.
Assim, essas verdades eternas e imutáveis são lançadas ao solo de nossas consciências e abafadas pela ignorância dos tempos passados e do intelectualismo sem moral dos dias atuais.
Precisamos, com urgência, reformar nossas atitudes semeando o bem no solo árido de nossos corações, adubando todo dia com o suor do trabalho no bem e a água da humildade e tomando como exemplo o amor de Jesus. É tempo de sair a semear.

Continua: na próxima semana estaremos publicando o final do  texto 

*Leonardo Pereira
Designer Gráfico - Orador espírita
Colaborador do Grupo Espírita Lamartine Palhano Jr em Vitória do ES

  
Fontes de consulta:
(1) Daemon (mitologia) Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Daimon ou daemon (grego δαίμων, transliteração dáimon, tradução "divindade", "espírito"), é um tipo de ser que em muito se assemelha aos gênios da mitologia árabe. A palavra daimon se originou com os gregos da Antiguidade; no entanto, ao longo da História, surgiram diversas descrições para esses seres. O nome em latim é dæmon, que veio a dar o vocábulo em português demônio.
(2) - NHENHENHÉM* Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indígenas não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer "nhen-nhen-nhen".
(3) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, 60a ed., FEB, Conclusão, item VII.
(4) Kardec, Allan, O Livro dos Médiuns. 26a ed., FEB, 1ª parte, cap. III, item 28 

(5)
(Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. .XV, item 5).
(6) (Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 4).

  
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