sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

É Ano novo!



É Ano novo, 

O recomeçar de um ano, mês, semana, dia, minuto ou segundo é a chance de renovar o pensamento e transformar o mundo íntimo. Cada novo começo é oportunidade divina de aclaramento das ideias e motivo de rejubilo e agradecimento ao Criador de todos nós. É a mais justa certeza da misericórdia em ação pela sagrada lei da evolução.

Mais um ano se inicia repleto de mentes velhas, antigos dogmas, antigas crenças e atávicos sistemas de conduta, fazem de cada ano novo uma repetição dos enganos e a continuidade da miséria humana.

Festejos, simpatias, oferendas, petitórios diversos e  promessas. A mente humana se prende na materialidade e não na espiritualidade do momento.

Enquanto o Cristo de Deus promove tempo novo continuamos a servir-nos do homem velho que habita em nós.

Fazemos listas de tudo que queremos mudar e festejamos isso como se fossem conquistas, sem avaliar o quanto repetimos, ano após ano, as mesmas lições e delas não apreendemos quase nada. Fica claro que não enxergamos a necessidade de fazer do ano novo um momento de transformação - do velho para o homem novo.

Preparamo-nos para o grande banquete da virada na expectativa de um dia novo, sem olhar o passado e dele nos servir de trampolim para o presente. Esperamos, esperamos milagres.

Em verdade, queremos que tudo se realize sem nada fazer, contando com a ajuda dos céus, sem nem ao menos buscar o céu interior, transformando as agruras da vida em provas de amor e dedicação ao bem.

Ano novo, vida nova -  diz o ditado popular. Mas, o que fazemos de novo?

 A bem da verdade, continuamos na normalidade da vida, sem esperança e na busca pelo ouro fácil, pelo menor esforço, por grandes conquistas. Queremos sim, o destaque dos jornais e a vitrine da vida, e, nem ao menos nos percebemos o quanto isso tem nos trazido dor e sofrimento.

Vestimo-nos de branco por fora, e, nos apresentamos de luto por dentro. O que mais nos importa não é a paz, o amor, a mansuetude e a felicidade. Somos homens como túmulos caídos, de branco, mas, impuros por dentro, carregados de despojos e de morte. E, mesmo assim, com todo o orgulho que reina e a vaidade de cada dia, o senhor da vida nos envia uma nova oportunidade de recomeçar, de novo... de novo...

Parte da humanidade terrena tem se esforçado em refazer vida nova. Essa pequena parte não necessita de data anual para recomeçar. Entendem que todo dia é um dia especial, um dia ideal  para nos renovar, para nos avaliar e lembrar-nos de tudo que precisamos para encontrar o Deus interior que habita em nós, e, assim fazer da vida um constante renovar, saindo da ignorância para o bem, dia a dia, paulatinamente.

Ano novo, brilha o dia apontando o melhor caminho. Sinal divino de que tudo se renova no universo em nossa volta. O pai opera sempre e não para. Jesus continua a nos inspirar no melhor caminho e espera de nos em breve tempo, homens novos em cada ano novo.

Irmão José
Pelo Médium Leonardo Pereira, em reunião pública do dia 18/12/11, no Grupo Espírita Lamartine Palhano Jr.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

É natal !







É natal,

Os sinos da paz e da fraternidade ressoam entre os dois mundos, e, mesmo onde o mestre nazareno ainda não é conhecido ou aceito, isso no mundo da matéria ou no seio de seitas, castas e religiões, é natal.

E natal é renascimento, e renascer é Lei Divina, independe de nossa vontade ou crença.

Por toda a terra vibrações de amor se espalham, com um terço  da população do mundo rogando à cristandade o natalício de Jesus.

Mais e mais o mestre amigo se aproxima da terra, e, suas energias de paz e amor envolvem a todos sem distinção.

É natal,

Em muitos corações o nascimento de Jesus se traduz por nascimento da esperança e da fé.

Para outros tantos é apenas hora de dar e ganhar presentes. Muitos buscam se fartarem nas mesas de homenagem ao nazareno, onde muitas vezes ele quis estar e não deixaram entrar.

Assim é natal,

O natal da diversidade, dos diversos, da espiritualização e da materialidade.
Do lado de cá, cada qual se apresenta com as mesmas vestes mentais que erguiam por aí. A continuidade da vida, e a continuidade dos enganos são os mesmos.

Assim, por todo canto o progresso também se opera e muitos buscam compreender a essência da mensagem do meigo rabi, espalhando amor por onde passam, semeando o bem em toda terra.

Outros tantos, mantem-se no cárcere mental dos ritos religiosos e na cultura dos presentes e dos corações vazios.

Assim caminha a humanidade estando aqui ou acolá.

Caravaneiros do bem, sobre a égide do cristo, descerram* as zonas de sofrimento em busca dos arrependidos, dos que desejam a todo custo o seu renascimento.

Legiões inteiras de homens e mulheres permanecem como mortos vivos, vagueando em suas mentes e vivendo os sentimentos e sensações de seus passados.

Por isso, há necessidade do amor, quiçá apenas uma vez ao ano; quem dera todos os meses, todas as semanas, e, porque não,  todos os dias?

Aproxima-se o dia que o planeta terra terá o seu verdadeiro natal, o natal com Jesus, onde se rendera a evolução dos mundos e renascera como mundo de regeneração, convidando a todos os renascidos no amor a participarem do banquete divino.

Então, queridos e amados irmãos, é hora de prepararmos a nossa roupa de festa. Muitos já foram chamados. Fiquemos atentos: poucos serão escolhidos.

Irmão José

Pelo médium Leonardo Pereira em reunião de treinamento mediúnico em 17/12/11, no Grupo Espírita Lamartine Palhano jr.

*descerram do verbo descerrar = v.t. Abrir (o que estava cerrado).
Descobrir (o que estava encoberto).

Imagem retirada do blog: horacosmica.blogspot.com, por gogle imagens.

PERDOAR A CADA DOIS MINUTOS

Big Ben - Londres
Por Leonardo Pereira*


“Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, se ele continuar a ofender-me?Até sete vezes? Não sete, mas setenta vezes sete” . (Mateus 18, 21-35)


A palavra perdão deriva da palavra “perdonare”, do Latim, e significa perdão, indulto remissão da falta. A história militar romana conta que, pela diversidade de soldados oriundos de povos diferentes, muitas vezes ocorriam brigas no decorrer da viagem. Essas pelejas provocavam buracos nas estradas, e, como Roma dependia das estradas para suprir suas tropas e avançar com seus soldados, os comandantes obrigavam os briguentos a taparem os buracos, usando a palavra perdonare.


Figura das mais singulares do texto bíblico, Pedro é apresentado como um pescador rude, sem cultura, teimoso, ‘cabeça dura’, mas com a firme vontade de ser melhor a cada momento.

Conhecedor do que o vulgo denominaria de “cultura popular”, Pedro sabia que havia um ditado, uma recomendação, de perdoar até três vezes. Não é à toa que até nos dias de hoje temos o hábito de dizer: “Já perdoei uma vez, vou até perdoar a segunda vez, mas, na terceira vez, ele (a) vai se ver comigo!”.

Assim, logo depois de ouvir a parábola da ovelha perdida (Lucas - 15:1 a 10), demonstrando, de antemão, que o Mestre de Nazaré seria muito mais piedoso que os doutores da lei, arrisca-se a perguntar se deveria-se perdoaraté sete vezes, dobrando, desse modo, o número de vezes que ele mesmo conhecia e somando ainda mais um. A resposta do Mestre – “perdoar setenta sete vezes” ─ nos remete a vários estudos sobre numerologia e matemática:

a) 70 x 7 = 490. No texto bíblico o número 7 aparece como a representação do infinito, o mesmo que dizer: “Perdoar até setenta vezes sete, vezes, vezes, vezes...”

b) Muitos perguntam se Jesus não sabia somar mais que 490, resultado de 70x7! Não é isso, com certeza! Imagine 707 (70x7x7x7x7x7x7x7). Faça a conta e veja por si mesmo. Teríamos um número improvável de alcançar para perdoar o outro, sem, nesse meio tempo, aprender a amá-lo de verdade. Essa, sim, foi a resposta para os ‘Pedros’ daquela época e, por que não, também os dos dias atuais.

Minuciando um pouco mais, façamos de 1 dia, com suas 24 horas (ou 1.440 minutos), o ponto de partida para mais um raciocínio.

Das 24 horas, dormimos, em média, 8 horas (ou 480 minutos). Restam, assim, 16 horas (ou 960 minutos) para as nossas atividades diversas. Se, nessas 16 horas, praticarmos o perdão 490 vezes, chegaremos a 30,62. Ou seja, teremos perdoado quase 31 vezes por hora ─ uma vez a cada 2 minutos.

Então, por esse raciocínio, durante os 960 minutos em que passamos despertos, devemos aplicar o perdão a cada 2 minutos da nossa vida. Tempo esse muito bem calculado pelo Cristo, que recomenda não dar atenção à ofensa recebida, já que, em 2 minutos, devemos exercer o perdão. Portanto, não há tempo, para ofensores e ofendidos.

Já o Espírito Emmanuel, mentor de Francisco Cândido Xavier, responde ao médium mineiro, quando ele assim questiona: “Devemos perdoar até 490 vezes o nosso irmão? Emmanuel, na linha de ensinamento do Cristo, responde: Sim, 490 vezes cada erro cometido pelo nosso irmão!”.Novamente, podemos verificar ser humanamente impossível perdoar, a não ser interiorizando o amor.

Como um espelho, Pedro reflete as nossas deficiências e a nossa capacidade de mudar. O apóstolo negou o Cristo, mas arrependeu-se e seguiu em frente. Angariou virtudes, curou, afastou espíritos inferiores e doou-se ─ de corpo e alma ─ na pregação e na vivência do Evangelho.

*  *  *
Obs.: Este tema continua sendo abordado no artigo “Como perdoar meu irmão?”
  

(*) - Leonardo Pereira é Designer Gráfico, orador espírita e um
dos trabalhadores do Grupo Espírita Lamartine Palhano Junior.
Imagem: www.google.com. Acesso em: 15/dezembro/2011
Publicado  originalmente no blog: http://espiritualismoeespiritismo.blogspot.com/

COMO PERDOAR MEU IRMÃO?


Por Leonardo Pereira*


"[...] Perdoar, então, é o melhor caminho entre a dor e o sofrimento. O caminho do meio, o amor. [...]"


Jesus não escolheu doze discípulos angelicais para ajudá-lo na Boa Nova. Mesmo tendo essa possibilidade, optou por selecionar doze pessoas imperfeitas, para que pudéssemos nos ver refletidos nas ações desses homens corajosos, aprendendo com seus erros e acertos. A missão de mestre, dessa forma, faria mais sentido. Se tivéssemos doze arcanjos pregando o amor e o perdão, tendo em vista que já viviam a perfeição relativa a Deus, dificilmente nos veríamos nesses espelhos angelicais.

Somos, portanto, os Pedros, Tomés e os Judas da Era Moderna, em busca de compreensão dos ensinos do Rabino Galileu, tentando, a cada dia, não negá-Lo de novo, não duvidar d’Ele, não precisar buscar provas em tudo e todos, e, muito menos, relegar Sua mensagem e exemplos de Amor aos espinheiros do caminho.

Como perdoar meu irmão?

Parece fácil essa tarefa, por ser fruto de uma escolha, e não de um sentimento, mesmo que não compreendamos assim. Achando que é o sentimento que rege o perdão, escolhemos esquecer a falta, sem a compreender. Aproveitamos o ensejo, e esquecemos também o ofensor, retirando-o do nosso convívio, lançando ao vento as velhas e tão conhecidas palavras: “Eu o perdôo, mas não quero vê-lo nunca mais. É o perdão - esmola: “perdôo, afinal você não é ninguém; ou buscamos, de toda sorte, esconder, com falsos sorrisos, a mágoa retida, revivendo a ofensa em pensamento, impregnando o espírito com energias deletérias, tornando-nos doentes da alma, cujos sintomas se refletem no corpo, os males físicos. O perdão, portanto, deve ser fruto de uma escolha amadurecida, alicerçada na caridade e no amor a si e ao próximo.

Por que perdoar meu irmão?

O perdão desatrela do ofensor quem perdoa, proporcionando paz e tranqüilidade. Não perdoar significa levar o inimigo para casa, situando-o em nossa vida o tempo todo. Se o outro não compreende o seu perdão, o problema é dele. O que perdoa segue de consciência livre, enquanto o outro fica atrelado à Lei de Ação e Reação, que, por certo, oportunizará, no tempo justo, o devido reajuste, através do marco divino da Consciência.

O perdão é sempre melhor para quem perdoa.  O esquecimento da falta nem sempre é perdão, mas o perdão é sempre a chave para o esquecimento da falta. Perdoar, então, é o melhor caminho entre a dor e o sofrimento. O caminho do meio, o amor.

Resumindo, para nosso entendimento, a mágoa, a raiva, o ódio e o sentimento de vingança geram um ‘buraco’ na alma; então, perdoar é, dessa forma, ‘tapar buracos’.

*  *  *
Obs.: A abordagem deste tema continua em “O perdão em nove etapas”.

(*) - Leonardo Pereira é Designer Gráfico, orador espírita
e um dos trabalhadores do Grupo Espírita Lamartine Palhano Junior.
Imagem: www.google.com . Acesso em: 16/dezembrro/2011.
Publicado originalmente no blog: http://espiritualismoeespiritismo.blogspot.com/

O PERDÃO EM NOVE ETAPAS



Por Leonardo Pereira*

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a saúde como o completo bem-estar físico, social e mental; não apenas a ausência de doenças. Nós, espíritas, podemos formular: “completo bem-estar espiritual”.


 Sabemos que não perdoar resulta na manutenção de energias negativas, provenientes do pensamento infectado pelo vírus da mágoa. “O estado emocional do paciente tem efeitos específicos sobre os mecanismos envolvidos na doença e na saúde.” (Norman Cousins in “Cura-te pela Cabeça”).


 Alfred Adler propõe que “Uma doença infecciosa não é o produto apenas de uma bactéria ou de um vírus, mas decorrência da participação do indivíduo em sua totalidade, do corpo e da mente, na ‘aceitação’ ou ‘rejeição’ ao vírus ou à bactéria”.


 Dr. Fred Luskin , diretor do Projeto Stanford para o Perdão, enumera nove passos para o perdão. Vejamos:


“1 - Saiba exatamente como você se sente sobre o que ocorreu e seja capaz de expressar o que há de errado na situação. Então, relate a sua experiência a umas duas pessoas de confiança;


2 - Comprometa-se consigo mesmo a fazer o que for preciso para se sentir melhor. O ato de perdoar é para você e ninguém mais. Ninguém mais precisa saber sua decisão;


3 - Entenda seu objetivo. Perdoar não significa necessariamente reconciliar-se com a pessoa que o perturbou, nem se tornar cúmplice dela. O que você procura é paz;


4 - Tenha uma perspectiva correta dos acontecimentos. Reconheça que o seu aborrecimento vem dos sentimentos negativos e desconforto físico de que você sofra agora, e não daquilo que o ofendeu ou agrediu há dois minutos ou há dez anos;


5 - No momento em que você se sentir aflito pratique técnicas de controle de estresse para atenuar os mecanismos de seu corpo;


6 - Desista de esperar de outras pessoas ou de sua vida coisas que elas não escolheram dar a você. Lembre a si mesmo que você pode esperar saúde, amizade e prosperidade e se esforçar para consegui-los. Porém, você sofrerá se exigir que essas coisas aconteçam quando você não tem o poder de fazê-las acontecer;


7 - Coloque sua energia em tentar alcançar seus objetivos positivos por um meio que não seja através da experiência que o feriu. Em vez de reprisar mentalmente sua mágoa, procure outros caminhos para suas metas;


8 - Lembre-se de que uma vida bem vivida é a sua melhor alternativa. Em vez de se concentrar nas suas mágoas – o que daria poder sobre você à pessoa que o magoou – aprenda a buscar o amor, a beleza e a bondade ao seu redor;


9 - Modifique a sua história de ressentimento de forma que ela o lembre da escolha heróica que é perdoar. Passe de vítima a herói na história que você contar.”


Nenhum dos pensadores acima citados, apesar do esforço em compreender a alma humana e os seus conflitos, especialmente os conflitos de relacionamentos, conseguiram, de certa forma, superar (não era a intenção de nenhum dos autores) o jovem carpinteiro de Nazaré, que, de maneira simples e objetiva, através de histórias e parábolas, lecionava sobre os dramas da vida e suas soluções, utilizando o conhecimento de cada povo, sua cultura e suas crenças. Para uns, falava de peixes; para outros, do trigo, da semente, do semeador. Para cada qual uma linguagem, uma imagem, um ponto em comum. E, no final de cada lição, perguntava: “quem foi o próximo?”, “quem devia mais?”. Assim, através do exemplo, da lição, levava cada qual a refletir sobre si e a vida.


A proposta de Jesus permanece, ainda hoje, vigorando como alerta para a nossa evolução: “Reconcilia-te sem demora com o teu adversário, enquanto estás a caminho com ele, para que não suceda que ele te entregue ao juiz, e que o juiz te entregue ao seu ministro, e sejas mandado para a cadeia. Em verdade te digo que não sairás de lá, enquanto não pagares o último ceitil.”(MT- 25:26). E prossegue, indicando o caminho seguro para a libertação das amarras que nos prendem à amargura e ao ressentimento: “Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam [...]” (MT- 5:44)


Vigiar nossas ações mentais e orar em prol do nosso equilíbrio, com firme vontade no trabalho no Bem, com certeza há de nos assegurar um lugar no mundo de Regeneração, onde os corações, imersos no desejo de transformação no Bem comum, entoarão um cântico de paz e harmonia, rompendo os céus. E o universo, em coro divino, responderá: "Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou[...]" . (Lucas 7:47)

*  *  *
(*) - Leonardo Pereira é Designer Gráfico, orador espírita e
um dos trabalhadores do Grupo Espírita Lamartine Palhano Junior.
Imagem: www.google.com. Acesso em: 16/dezembro/2011.


Publicado  originalmente no blog :http://espiritualismoeespiritismo.blogspot.com/

domingo, 27 de novembro de 2011


PORQUE O PERDÃO LIBERTA

Por Wanderley de Oliveira
O conceito do perdão como atitude de esquecer o mal que alguém nos fez ou como uma virtude de retomar o relacionamento com o ofensor da mesma maneira que antes da ofensa, são enfoques que necessitam ser reconsiderados, porque perdão não tem nada a ver com amnésia das faltas ou negar a dor emocional para continuar a relação com alguém da mesma maneira.
Por conta dessas duas formas de enxergar o perdão, muitos de nós passamos por problemas graves de exploração emocional por parte do ofensor. Não se utilizando da memória, alegando que esquecemos o fato gerador da mágoa, poderemos passar novamente pela mesma experiência e, negando a dor emocional para manter um relacionamento que nos interessa ou do qual não temos como romper instantaneamente, ficaremos com um peso emocional não transmutado e que poderá nos prejudicar de várias formas.
O perdão que o Evangelho propõe e que os Sábios Guias comentam na questão 886, de “O Livro dos Espíritos”, é o perdão das ofensas, antes mesmo do perdão aos ofensores. Há uma enorme diferença entre perdoar ofensas e ofensores. A ofensa é a dor que trazemos no peito em decorrência da atitude lesiva de outrem contra nós, e o ofensor é o sujeito que intencionalmente ou não foi agente ativo deste processo emocional. A ofensa é o conjunto de sentimentos que derivam do ato lesivo. Entre eles está a raiva, a sensação de injustiça, a dor da decepção e da frustração de sonhos e expectativas. Se não resolvemos conosco estes sentimentos, será infrutífero o ato de procurar o ofensor para o perdão. Concluímos, portanto, que perdoar é algo que começa em nós para depois se expressar na relação. Claro que isso tem variações. Casos, por exemplo, de marido e esposa, relações profissionais e outras tantas formas de conviver, nem sempre o distanciamento físico será possível, e assim a mágoa estará presente no dia a dia sem que tenhamos o tempo que seria desejável, para curar as ofensas e depois criar uma nova relação ou, até mesmo, romper definitivamente com o ofensor.
Nos ambientes religiosos o conceito de perdão como esquecimento automático das faltas tem levado muitas pessoas a viver uma vida emocionalmente miserável, repleta de culpa, raiva contida, tristeza, exploração afetiva e depressão. E o pior… depois que desencarna ainda vai ter que ser tratado no mundo espiritual como enfermo grave. O espírita, nesse aspecto, utiliza do carma para justificar suas dores, sendo que carma não tem nada haver com fazer de conta que não estamos sentindo algo que necessita ser curado em nós. Ao contrário, o carma da mágoa é impulsionador, mobilizador. Vamos refletir neste prisma?
A mágoa é uma experiência muito dolorosa para não ter um sentido divino em nossas vidas. Quem é ofendido está sendo convocado a enxergar algo que não quer ver. Ser magoado significa ter que olhar a vida sobre uma perspectiva que não queríamos ou gostaríamos, significa ter que olhar de forma diferente para nós, para nossas relações ou para a nossa vida como um todo.

Vamos dar um exemplo: uma pessoa confia demais na outra e confia-lhe um bem ou uma empresa. Depois de um tempo que pode ser curto ou muito longo, descobre que a pessoa que ela mais confiava a estava traindo ou destinando indevidamente aquele bem ou aquela empresa. Então, o ofendido se volta contra o ofensor que é a tendência mais comum. Entretanto, ele não percebe que o ocorrido tem haver com ele também. Tem haver, por exemplo, com sua acomodação, com sua preguiça de acompanhar ou gerenciar suas responsabilidades, tem haver com o fato de não saber dizer “não”. Esse caso singelo pode ser percebido com muita freqüência nos relacionamentos. Pais com filhos, chefes com empregados, dirigentes com freqüentadores de Centros Espíritas, enfim, em qualquer nível de convivência. O assunto é muito amplo.
No livro “Quem Perdoa Liberta”, o autor José Mario, deixa bem claro que o Grupo X, um grupo espírita no qual é tecido o enredo da obra, faltou o perdão pela perspectiva da misericórdia. Isso levou o grupo às piores conseqüências de dor e separação. A misericórdia é a atitude de romper com os fios da mágoa através do movimento de focar a vida mental no melhor que o outro é. Quem consegue aplicar a misericórdia, além de proteger das ofensas contra si, enobrece sua atitude não criando elos com a dor emocional da ofensa e seus reflexos em nossas vidas, libertando-se para um estágio de vida rico de atitudes sadias e educativas, defensivas e fortalecedoras.
Impossível esgotar o tema. Fiquemos com essas considerações a título de debate. Nada conclusivo. A idéia é só mesmo a de abrir o tema para o estudo e a conversa.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

"O PRESENTE MAIS BELO?


O PERDÃO."

Perdoar ainda é o melhor remédio para combater o estresse emocional, os estados alterados de humor e a infelicidade, além de oferecer grande ajuda na manutenção da saúde, em todos os sentidos. Se um dia fui uma religiosa, hoje sou também uma pesquisadora da ciência do viver, do bem viver. E, quando falo do perdão, de seus efeitos e suas consequências, não sou a primeira a tocar do assunto, nem de longe. Apenas reinterpreto certos textos do Evangelho e traduzo, em outras palavras, o que nos dias de hoje muitos líderes políticos, cientistas e filósofos já estão explorando em seus discursos e teses.
É fato comprovado que, sem perdoar, torna-se quase impossível a convivência entre os seres humanos. Isso é atestado hoje em dia até mesmo por representantes da ciência ortodoxa e suas pesquisas, que procuram quantificar este fato inegável: a grande influência que o perdão exerce sobre os estados emocionais e a saúde. O ressentimento, o rancor, a mania de pôr a culpa nos outros ou a busca de culpados para os contratempos e dificuldades são fatores que levam nossa mente e nosso coração a pararem de funcionar de maneira equilibrada e sadia.
Se antes das recentes descobertas da ciência o conceito de perdoar, exercitar o esquecimento das faltas, nossas e alheias, podia ser reduzido a uma fórmula exaltada por alguns religiosos, atualmente a s coisas mudaram de forma radical. Acho até que os religiosos são os que menos perdoam ou buscam perdoar, mas isso é tema para outras reflexões. Quero dizer que o exercício do perdão se transformou em receita de saúde, inclusive na acepção que os médicos dão ao termo. Em minhas poucas leituras sobre saúde e com base nas pequenas informações sobre os assuntos científicos de que disponho, sei apenas que, assim como o rancor faz mal e ocasiona danos no nosso sistema nervoso, o perdão, ao contrário, aumenta nossa imunidade da alma e do corpo.
Quem sabe seja por isso que Jesus Cristo aconselhou o perdão? Uma vez que ele conhecia muito bem o estado emocional e espiritual dos indivíduos que habitam este nosso planeta, é sensato supor tal coisa. Além disso, como ele foi o médico que mais solucionou enfermidades em seu tempo, talvez a indicação para perdoar fosse uma prescrição visando à integridade de nossa saúde, tanto física quanto de alma. Hoje em dia, os estudiosos do mundo têm descoberto que muitas receitas como essa, dadas por Cristo, são antídotos poderosos o bastante para combater certos males que os medicamentos convencionais são incapazes de debelar. Dese modo, perdoar não somente cura os males da alma, como angústia, rancor e ressentimento, mas também produz reações físicas facilmente detectadas em nossos corpos. O perdão adquire outra conotação e passa a ser, acima de tudo, uma atitude de inteligência.
Assisti a muita gente morrer, cotidianamente, quando estive de posse do corpo. Entretanto, não era a morte física, pura e simplesmente. Era a morte da alma, da razão, do bom senso. Indivíduos que se fecharam a toda espécie de apelo e se isolaram na amargura, na culpa, na cobrança de atitudes mais perfeitas por parte do outro.
Um tipo de perdão que precisamos exercitar urgentemente, a fim de evitar quadros assim, é o autoperdão. Muitos cristãos se veem encarcerados em círculos de culpa, a qual, em grande número de vezes, é agravada por uma religião do medo. Como resultado, proliferam instrumentos mais ou menos variados de autopunição, que acometem a própria pessoa e os que lhe acompanham a marcha. Desse modo tenaz, cobram-se por atos pretéritos de negligência ou ignorância; enclausuram-se em sérias limitações por não se permitirem experiências mais felizes, tanto quanto relações e realizações duradouras e nobres.
(...)
 Fonte: livro A FORÇA ETENA DO AMOR, pelo Espírito Teresa de Calcutá, pelas mãos de Robson Pinheiro, Casa dos Espíritos Editora, 2009.

Retirado do blog: http://casadocaminhobm.blogspot.com/2010/01/o-perdao.html

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

RESIGNAÇÃO E RESILIÊNCIA



 

Por Leonardo Pereira

"O homem que sofre é semelhante a um devedor de grande soma, a quem o credor dissesse: "Se me pagares hoje mesmo a centésima parte, darei quitação do resto e ficarás livre; se não, vou perseguir-te até que pagues o último centavo". O devedor não ficaria feliz de submeter-se a todas as privações, para se livrar da dívida, pagando somente a centésima parte da mesma? Em vez de queixar-se do credor, não lhe agradeceria? (Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V - item 12)".

A palavra resignação aparece com bastante frequência em palestras e livros espíritas. Também está presente nas obras básicas de Allan Kardec, especialmente no Evangelho Segundo o Espiritismo ─ Cap. V - "Bem aventurados os Aflitos".

Esse capítulo aborda, inicialmente, a temática do sofrimento e das provas e expiações e suas origens nesta e noutras existências, causas de muitos de nossos problemas atuais, em vista de nossas escolhas e pela semeadura que fazemos ao longo da nossa esteira reencarnatória. No final, o capítulo aborda o suicídio. Contudo, destacaremos, aqui, o seu item 12 ─ "Motivos de Resignação".

Resignação

Quando adentramos a Doutrina Espírita, muitas questões perpassam por nossas mentes. Logo nos deparamos com algum expositor nos orientando para sermosresignados. O que seria, então, resignação? Como compreender os dramas que a vida nos propõe, frutos ou não de nossas escolhas? Como proceder para ser considerado um indivíduo resignado? 

Muitas vezes, entendemos resignação como aceitação do problema ou da dor, sem buscarmos alívio, respostas ou o entendimento para o que ocorre conosco. E também, principalmente, porque devemos ser resignados, questionando aonde isso vai nos levar.

"A resignação, ou ainda aceitação, na espiritualidade, na conscientização e na psicologia humana, geralmente se refere à experienciar uma situação sem a intenção de mudá-la. A aceitação não exige que a mudança seja possível ou mesmo concebível, nem necessita que a situação seja desejada ou aprovada por aqueles que a aceitam. De fato, a resignação é freqüentemente aconselhada quando uma situação é tanto ruim quanto imutável, ou, quando a mudança só é possível a um grande preço ou risco. [...] Noções de aceitação são proeminentes em muitas fés e práticas de meditação". Por exemplo, a primeira nobre verdade do Budismo, "a vida é sofrimento", convida as pessoas a aceitarem que o sofrimento é uma parte natural da vida." ( Wikipédia, a enciclopédia livre).

É justamente esse significado que complica o ensinamento. Se resignação é somente aceitação, sem expectativas de mudanças, ou, mesmo, aceitação pura e simples, fica muito fácil a derrapagem na acomodação, na inércia. É só dizer que "Deus quer assim", e que nada pode mudar.

Se muitos dos nossos problemas não podem ser mudados nesta existência, podemos, entretanto, pela sua compreensão, mudar a forma de enfrentá-los. Ou aliviamos o tal "sofrer", passando pela dor, sem lamentação ou reclamação constante (atitude essa, muitas vezes, responsável por mais dor), ou fazemos o problema ou a dor parecerem maior do que realmente são.

No que diz respeito à citação budista ─ "a vida é sofrimento" ─, é válido ressaltar que esse sofrer significa "passar por", sofrer uma situação de dor. Não recebe, portanto, a conotação de lamentação, desesperação.

A Terra, por ser um mundo de provas e expiações, obviamente não é um paraíso de delicias. Estamos aqui para evoluir. A dor, nesse caso, quase sempre, transforma-se no impulso evolutivo necessário à nossa caminhada. Atrelada à Lei de Ação e Reação, ela nos convida, não raras vezes, ao reajuste, ao resgate de nossos débitos anteriores ou atuais.

Quando temos um problema, a dor que dele resulta é um fato - algo que acontece ou aconteceu. O sofrimento é a nossa resposta a esse fato, a nossa reação diante da dor, do fato, do problema. 

É bom lembrar, quanto a isso, que a dor pode vir atrelada ao campo das causas e efeitos, mas o sofrimento é opcional, ou seja, não sofrer no sentido de não se lamentar, não se desesperar, equivalendo dizer, não perder a esperança. Em verdade, isso não nos retira o cadinho da dor, mas sublima os nossos sentimentos em relação ao fato.

"O homem pode abrandar ou aumentar o amargor das suas provas, pela maneira de encarar a vida terrena. Maior é o eu sofrimento, quando o considera mais longo. Ora, aquele que se coloca no ponto de vista da vida espiritual, abrange na sua visão a vida corpórea, como um ponto no infinito, compreendendo a sua brevidade, sabendo que esse momento penoso passa bem depressa [...]". (ESE - Cap. V, item 13).

Diante desses apontamentos, podemos afirmar, sem sombra de dúvida, queresignação é dor sem sofrimento, momento em que o individuo, ante a imortalidade da alma, compreende o processo. Não pela subserviência, submissão ou inércia diante dos fatos, mas por uma oportunidade de crescimento que nos impulsiona à busca do melhor para nós e para o momento.

Resiliência

O caro leitor, nessa altura do texto, há de perguntar: - E a tal resiliência?

A resiliência começa justamente quando a dor nos encontra.

"Resiliência (psicologia) - A psicologia tomou essa imagem emprestada da física, definindo resiliência como a capacidade do indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse, etc. - sem entrar em surto psicológico. Tais conquistas, face essas decisões, propiciam forças na pessoa para enfrentar a adversidade. Assim entendido, pode-se considerar que a resiliência é uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano, condições para enfrentar e superar problemas e adversidades [...]". (Wikipédia, a enciclopédia livre).

Quando o texto acima afirma que a Psicologia tomou emprestado o termo da Física, é porque resiliência é a "[...] Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação." (Dic. online Priberam). Já na Medicina o termo se aplica quando um osso fraturado consegue retomar sua forma original. Podemos dizer, assim, que a resiliência se configura quando, diante de problemas, pressões e traumas, conseguimos superar os obstáculos "dando a volta por cima", como diz popularmente. É a capacidade de organizar, avaliar e retomar o nosso caminho, com a percepção, porém,  de "dor" como fonte de crescimento, e não de sofrimento.

O que, então, nos faz resignados ou resilientes?

Podem ser considerados resignados e resilientes indivíduos que suportam grandes dramas na vida, ou passam por situações problemáticas constantemente e, mesmo assim, mantêm um olhar de paz e tranquilidade (considerando-se que os olhos são os espelhos da alma), superando os obstáculos que a vida coloca à sua frente, e dessa forma, superando a si mesmos.

O grande segredo, se é que podemos falar assim, encontra guarita na fé. A fé humana em si mesmo -autoconfiança. A fé divina no Criador, certeza absoluta de que não estamos sós, de que tudo passa e que nossas dores chegarão logo ao fim. Fé é a certeza de que o futuro nos reserva algo muito melhor. É a visão na vida futura, que glorifica os dias na Terra, de tantas provas e expiações. É visão mais além, que modifica o nosso comportamento diante das dores e aflições, e que, nos modificando, transforma tudo o que está à nossa volta.

Somos, portanto, artífices da nossa evolução espiritual, escultores de nós mesmos, tendo o cinzel da vontade como ferramenta para talhar as pedras que nos cobrem e dificultam a nossa existência, removendo, assim, os entulhos do passado para, então, lapidados e polidos, apresentarmos face nova diante do Criador e, afinal, podermos dizer, parafraseando o Apóstolo Paulo: "Já não sei se vivo no Cristo ou é o Cristo que vive em mim".


 
(Leonardo Pereira é designer gráfico,
orador espírita e um dos trabalhadores do
Grupo Espírita Lamartine Palhano Junior - Vitória – ES.)
Imagem: Disponível em: www.google.com . Acesso em: 08/OUT/2010.
Publicado   originalmente  no Blog espiritualismo e espiritismo : http://espiritualismoeespiritismo.blogspot.com/

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sala Repleta...Casa Deserta



 

*Joana Abranches
 
Gilberto Gil tem uma canção que diz: "Tanta gente!... E estava tudo vazio. Tanta gente!... E o meu cantar tão sozinho."

 
O que teria isso a ver com o cotidiano dos grupos espíritas na atualidade?... Muita coisa!...

Em Casas equivocadamente agigantadas, equipes trabalham por turno e mal se conhecem, pessoas viram números e o velho e essencial acolhimento que começaria "dentro de casa" acaba se perdendo em meio à distribuição de senhas para o passe e outras novidades em nome da organização. A preocupação é atender e impressionar bem aos que chegam, aos que vem de fora. Enquanto isso, no interior dos grupos, quanta gente sofrendo de solidão acompanhada... Minguando afetivamente!
 
Importante avaliar como tem sido a nossa relação com os companheiros de dentro, no cotidiano institucional espírita. Conseguimos perceber seu olhar mais triste nesse ou naquele dia? Quando desaparecem por algum tempo, o nosso primeiro pensamento é de censura ou preocupação? Passa pela nossa cabeça que possam estar atravessando uma fase difícil e, em caso afirmativo, nos mobilizamos para ampará-los? Aos que retornam após um período de ausência, a manifestação tem sido de acolhimento e alegria ou de cobrança? 

Ah, as tais cobranças... Das piadinhas sarcásticas e olhares enviesados ao dedo em riste, vale tudo para manter o "bom andamento das atividades, em nome de Jesus"... Porém, vale a pena pensar se tem sido oferecido afeto, compreensão e solidariedade na mesma medida em que se cobra.

Favorecidos por regras monásticas que inibem a espontaneidade e a afetividade entre os trabalhadores, os grupos acabam resvalando para o extremismo. "O silencio é uma prece"...
Antes, durante e depois das reuniões. Ignora-se que onde não há espaço para diálogo e autenticidade não pode haver uma relação saudável e verdadeira. Assim, vestindo a armadura do formalismo que afasta - em lugar da naturalidade que aproxima - temos nos tornado meros tarefeiros, cada vez mais robotizados e indiferentes. Sem perceber, em vez de estar uns com os outros temos apenas passado uns pelos outros, como se as pessoas fizessem parte dos móveis e utensílios da Casa Espírita.
 
Muito comum entrar no grupo, assinar a lista de freqüência (uma espécie sutil de folha de ponto para espíritas) e ligar no automático. A preocupação em ser impecável sobrepõe-se então ao importar-se com. É que andamos muito ocupados em ser perfeitos. Mesmo que ser perfeito signifique apegar-se a detalhes ínfimos e apontar a imperfeição alheia para colocar em destaque a pretensa superioridade que ainda estamos longe de possuir... Quanta ilusão!

Se o companheiro procura ajuda, lá vem o julgamento implacável implícito na "receitinha de bolo": Prece, água fluidificada, redobrar a vigilância... Com direito, é claro, a sorrisinho paternalista e tapinha nas costas. Dali cada qual pro seu lado e a cômoda sensação de dever cumprido, sem que tenhamos, entretanto, caminhado um milímetro sequer em direção às reais necessidades do outro. Sem contar que, convenhamos, numa quase ditadura da pseudo-santidade como critério de "promoção" a trabalhador espírita, raros são os que têm coragem de expor suas dificuldades, por mais que estejam passando o pão que o diabo amassou. Afinal, reza a lenda que espírita não pode estar sujeito aos problemas existenciais inerentes aos "reles mortais", como stress, depressão, frustração amorosa ou coisa que o valha. Daí o receio de se abrir, pois mostrar alguma fragilidade pode significar perda de credibilidade e exclusão dos trabalhos, pode render o estigma indigesto de obsediado.
 
Some-se a tudo isso o fato que, embora espíritas, a maioria de nós tem vivido na prática como bons materialistas. Interagindo numa sociedade altamente competitiva, temos sido sutilmente seduzidos pelo supérfluo, em detrimento do essencial. O objetivo primordial da vida passou a ser o sucesso profissional, social e financeiro, que inclui produzir, consumir e ostentar (desde títulos acadêmicos e profissionais a bens materiais). Mas ser "bem sucedido" dá muito trabalho. Os inúmeros cursos, viagens e horas extras à noite, fins de semana e feriados, somados à necessidade exacerbada de ter, tomam-nos muito tempo. Então os compromissos espirituais deixam de ser prioridade. Vão sendo adiados ou assumidos pela metade, encaixados nas sobras de tempo que restam de tudo o que é material e "urgente." Passa-se então a ir à Casa Espírita quando dá... Só pra bater o ponto... E de preferência "correndinho," como quem dá um pulinho no supermercado mais próximo só pra suprir uma ou outra coisa que está em falta na despensa. Nem bem acabou o "assim seja" e as pessoas já saem feito foguete para "levar ou buscar Fulaninho e Beltraninha não sei onde"... Ou para compromissos que poderiam tranquilamente ser agendados em outra data.

Ora, quanto mais superficial a convivência, mais frieza nas relações. Passamos então a nos esbarrar na Instituição, não como irmãos, mas como meros colegas de trabalho; a viver uma vida paralela fora do Grupo Espírita, com um circulo de relações à parte, onde dificilmente há lugar para os companheiros de ideal.

Em que vão escuro do preciosismo doutrinário e do igrejismo teremos perdido a sensibilidade, o prazer de estar juntos, os laços de amizade que extrapolavam os muros da Casa Espírita? Em que lugar do tempo foram parar as gostosas confraternizações extra-reuniões... Os agradáveis bate-papos após as atividades... A amizade parceira que se estendia para os programas de lazer em comum... O olhar atento que detectava quando esse ou aquele amigo não estava bem... O interesse verdadeiro pelo bem-estar uns dos outros?... Talvez seja mais fácil culpar a correria e o medo da violência dos dias atuais - alegando que é perigoso chegar tarde em casa ou pretextando falta de tempo ou pretextando "a a ante os "?- do que responder honestamente a essas perguntas, mas uma coisa é inegável: Coragem é questão de fé, e tempo é questão de prioridade.

E são tantos os irmãos que reclamam atenção especial... Companheiros solitários para os quais os fins de semana são intermináveis e que, se acolhidos, com certeza se sentiriam muito melhor!... Companheiros em processos reencarnatórios difíceis ou em períodos de crise existencial, para os quais faria toda a diferença uma conversa amorosa, a presença amiga naquele momento crucial ou a festinha surpresa de aniversário. Celebrar gente é trabalhar a auto-estima individual e coletiva. Quando as pessoas se sentem valorizadas, quando são envolvidas em ambiente de carinho, alegria e leveza, todo o grupo se torna mais harmônico, feliz e produtivo. 
 
"Espíritas, amai-vos e instruí-vos!" - Recomendou o Espírito de Verdade. A construção da frase sinaliza, clara e pedagogicamente, para a ação prioritária. Teoria já temos de sobra. Agora é aplicá-la no cotidiano das relações. É avaliar com honestidade até que ponto ser impecável, indispensável e PHD em Espiritismo, tem sido mais importante do que ser irmão.

"Reconhecereis os meus discípulos por muito se amarem" – afirmou Jesus. Neste momento é imperioso resgatar a nossa identidade de seguidores sinceros do Mestre, buscando interagir com sinceridade e companheirismo. Como distribuir aos que chegam o afeto, o aconchego e a tolerância que sequer conseguimos construir entre nós, companheiros de caminhada e de ideal?

Repensemos. Continuar a brincar de ser fraternos, alimentando a distância entre o discurso e a pratica da legítima fraternidade, é um enorme desserviço a nossa própria evolução e felicidade. O mundo espiritual tem nos alertado que das boas intenções de teóricos e indiferentes espíritos-espíritas o umbral já está cheio... E os hospitais das colônias espirituais também!.. Muito embora - pra sorte nossa - em casos de extrema pobreza e vulnerabilidade espiritual a Misericórdia Divina nunca negue licença pra mais um puxadinho.


 
*Joana Abranches - Assistente Social, escritora e presidente da Sociedade Espírita Amor Fraterno - Vitória – ES – joanaabranches@gmail.comamorefraterno@gmail.com

domingo, 15 de maio de 2011

"Quais são suas obras"


*Por Leonardo Pereira

Estudo e comentários da mensagem contida no Evangelho Segundo o Espiritismo capítulo XVIII, ITEM 16, de autoria do espírito Simeão na cidade de Bordeaux, 1863..

Continuação:
 
8 -O viajor sedento, que se detém sob seus galhos à procura do fruto da esperança, capaz de lhe restabelecer a força e a coragem, somente vê uma ramaria árida, prenunciando tempestade. Em vão pede ele o fruto de vida à árvore da vida; caem-lhe secas as folhas; tanto as remexeu a mão do homem, que as crestou. (grifos meus).


Muitos têm buscado na doutrina espírita as respostas para seus dramas e suas dores. Tentam entender o porquê da vida, do sofrimento, das doenças, desigualdades sociais, e, principalmente, decifrar os enigmas da morte física e as verdades do pós-morte.
Desorientados e sem encontrar essas respostas em suas religiões aportam em nossas instituições querendo soluções imediatas para tudo e para todas as coisas. Frutos de um mundo atribulado e apressado ficam na periferia da doutrina espírita sem se aprofundar ou buscarem modificar o pensamento e as ações.
Nós muitas vezes também contribuímos para a inércia de muitos e a desilusão de outros tantos por não sabermos acolher!
Transformamos nossas reuniões em burocracia querendo ver nossas casas grandes e cheias de gente mesmo que essa "gente" não saiba o que esta fazendo ali.
Buscamos temas complicados e palestrantes com fala rebuscada que, na verdade, ninguém sabe o que realmente querem dizer. Não conseguem consolar e esclarecer, fundamento básico para qualquer reunião de estudos da doutrina espírita.
Tratamos as pessoas com indiferença, não percebemos o irmão ou irmã sentados semana a semana na nossa casa, não sabemos seu nome, de onde veio, porque veio?
Criamos tantos trabalhos e atividades e não vemos os trabalhadores. Não paramos para observar, escutar e principalmente para amparar. O pobre e estropiado não tem lugar em muitas das nossas casas espiritas. Elitizamos os centros onde são bem vindos os ricos, famosos e doutos, contudo, os que buscam o fruto da árvore da vida realmente não encontram nada. A árvore não germinou. Nossa árvore está seca.
Queremos templos gigantes, luzes e grandes plateias. Tudo isso como fruto do atavismo religioso que trás de volta os antigos lideres cristãos acostumados com a pompa das grandes catedrais.
Queremos os grandes congressos para divulgar e ensinar as pessoas, onde quanto mais gente melhor para que possamos divulgar: "o nosso foi 1000 pessoas", "minha semana espírita foi a melhor", "eu trouxe fulano e ciclano".
Na verdade queremos nos fazer grandes quando a recomendação é de sermos pequenos e humildes.
É preciso olhar nosso irmão de doutrina e sentir quando ele está bem ou não. Saber da sua vida e saber quem é ele ou ela!
Que frutos sua casa espírita tem dado?


9 - Abri, pois, os ouvidos e os corações, meus bem-amados! Cultivai essa árvore da vida, cujos frutos dão a vida eterna. Aquele que a plantou vos concita a tratá-la com amor, que ainda a vereis dar com abundância seus frutos divinos.

 
Allan Kardec, o insigne codificador, nos convida a amar e nos instruir. Com isso reconhece a necessidade de aprimoramento intelectual, mas, também de autoconhecimento. No processo de amar é preciso auto amor. Somente assim cultivaremos a árvore da vida.
Em um planeta em transição, o amor, fruto da árvore divina, deve florescer em cada um de nós.
É importante nesse momento a dedicação ao bem comum e a pratica da caridade pura como Jesus nos ensinou.
Assim, fica fácil perceber quão abundante serão os frutos de nossa colheita pessoal.

 
10 - Conservai-a tal como o Cristo voa-la entregou: não a mutileis; ela quer estender a sua sombra imensa sobre o Universo: não lhe corteis os galhos. Seus frutos benfazejos caem abundantes para alimentar o viajor faminto que deseja chegar ao termo da jornada; não amontoeis esses frutos, para armazená-los e deixar apodrecer, a fim de que a ninguém sirvam.

 
Por muitos séculos temos lutado em guerras pelo poder e pela posse. Temos exercitado o orgulho e a vaidade procurando sempre os tesouros perecíveis da vida material. Com isso, esquecemo-nos de praticar o bem e, mais, esquecemos que respondemos por todo mal gerado do bem não praticamos em favor do próximo.
A árvore do cristianismo em sua pureza recebeu, nos exemplos do sublime carpinteiro de Nazaré, os mais belos exemplos de vida, que alguém poderia no legar, lecionando magistralmente,  como agir, perdoar, amar, dividir e doar em todos os instantes.
Fica bastante visível que com a falta da caridade, da justiça e do amor aos semelhantes cortamos os galhos que se estendiam com seus frutos que alimentariam a multidão esfomeada de amor.
Sem o agasalho do perdão e da caridade a justiça divina perde seu poder de curar e deixa de ser o balsamo que alivia,   transformando o mendicante de justiça em criminoso e pecador.
Passamos tanto tempo amontoando os frutos do conhecimento sem praticar o bem, sem consolar nem esclarecer, que acabamos transformando todo conhecimento em lixo.
Esperamos tanto para distribuir os frutos do Cristo redevivo, perdendo tempo avaliando se as pessoas podem comer, se sabem comer, ou, se é hora de comer. Colocamo-nos na condição de espíritos evoluídos e passamos a decidir até quem pode comer. Avaliamos o outro pelo intelecto, cultura e dinheiro.
Será que não estamos deixando os frutos do amor apodrecer aos pés de nossas portas fechadas?

 
11 - "Muitos são os chamados e poucos os escolhidos." É que há açambarcadores do pão da vida, como os há do pão material. Não sejais do número deles; a árvore que dá bons frutos tem que os dar para todos. Ide, pois, procurar os que estão famintos; levai-os para debaixo da fronde da árvore e partilhai com eles do abrigo que ela oferece.

 
O Arquivo mental de nossas vidas pretéritas, o que fomos e como fomos, se apresenta na personalidade atual em forma de tendências. Ao analisarmos essas tendências sabemos quem realmente somos.
Ainda egoístas e orgulhosos e presos às paixões do mundo que nos impõem necessidades, tais como as de conquistar e dominar, não queremos ficar para trás, pois, acreditamos que nascemos para sermos os primeiros em tudo.
Muitas vezes quando fracassamos na vida social, familiar ou profissional acabamos conseguimos a projeção que nos faltava dentro das religiões. Nesse momento o atavismo reencarnatório nos faz querer mais e mais o poder.
Acreditando que somos dominadores das mentes das outras pessoas, nos tornamos os açambarcadores (nos apoderamos dos bem do senhor).Usamos o conhecimento das escrituras, da bíblia, do corão, dos livros de Allan Kardec, dos conhecimentos milenares trazidos por benfeitores da vida maior em todas as partes da Terra para sobrepujamos os irmãos, que chegam até nós trazidos pelas suas dores incompreendidas, recheados de perguntas e esfomeados de respostas.
Usamos e abusamos dos cargos. Esses abusos tem um triste registro na história do cristianismo chegando às fileiras do espiritismo cristão onde a disputa por cargos, a necessidade de títulos e rótulos, a pregação proselitista e a luta pela tal "pureza" doutrinária tem causado muito mal.
Diante de tantas fugas da realidade, e, novamente transformando a mensagem de Jesus, continuamos como os sacerdócios do passado, agora, com roupagem democrática, "aqui todos podem" , mas, "só alguns tem a capacidade". É preciso fazer esse ou aquele curso de catecismo espírita para trabalhar, amar, doar, e, se você não faz, "que pena, não pode ficar".
Então, é hora de mudar. A árvore da vida doa seus frutos para todos. É urgente caminharmos em busca dos famintos e trazê-los para se alimentar da árvore do cristianismo.
Tal qual o samaritano da parábola devemos descer do cavalo, nos aproximar, pesar as feridas deitando-lhes o azeite do carinho, cobrindo-lhes com o cobertor da caridade e o abrigando-lhes na hospedaria do senhor. Essas hospedarias são as igrejas, os templos, os centros espíritas, os terreiros de umbanda e todos os  outros lugares onde o bem se faz presente.
É necessário e imprescindível aprender a acolher e evangelizar, principiando pela auto-evangelização.

 
12- "Não se colhem uvas nos espinheiros." Meus irmãos, afastai-vos dos que vos chamam para vos apresentar as sarças do caminho, segui os que vos conduzem à sombra da árvore da vida.

 
Duas são as portas que nos levam da vida terrena. Tais portas são escolhidas pela conquista do livre arbítrio e podem nos lançar em regiões de trabalho e aprimoramento ou em regiões de sofrimento.
A porta do bem é sempre estreita, difícil de passar, requer esforço, dedicação, coragem, humildade e amor. A porta larga é a porta dos prazeres materiais, do orgulho, do egoísmo, da negação do bem e a ostentação do poder.
Essas portas nos trazem os estados de céu interior ou de inferno astral, onde vivenciamos e nos alimentamos pelos frutos de nossas escolhas. Se buscarmos a árvore da vida receberemos o alimento do conhecimento aprenderemos a semear e não demoraremos a colher bons frutos. Se, ao contrario, escolhemos as sarças do caminho ou seguirmos os que gostam de "sarças" a lei Divina nos conduzirá a viver com nossos semelhantes colhendo sempre o que plantamos.
Há de ficar claro que mesmo seguindo a porta larga nunca estaremos desamparados, pois, a oportunidade de mudar de se transformar e refazer os caminhos sempre existe, e, ainda poderemos escolher o melhor e o mais doce fruto: o amor, apenas lembrando, esse caminho mais fácil no início é responsável por muitos dificuldades no futuro dos que o escolhem.

 
13 - O divino Salvador, o justo por excelência, disse, e suas palavras não passarão: "Nem todos os que dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos Céus; entrarão somente os que fazem a vontade de meu Pai que está nos Céus."
Realmente não basta dizer: " Senhor! Senhor!". O reino dos céus não se conquista com palavras. É preciso muita ação no bem, profundo senso de abnegação e trabalho constante de humildade e resignação.
Allan Kardec sabia disso e nos alertou em relação a nossa fala espírita e nossa pratica do espiritismo. Vejamos seus apontamentos: (3)
  1. Os que creem nas manifestações: espíritas experimentadores. Só se importam com os fenômenos e sua explicação científica.
  2. Os que, além dos fatos, compreendem as consequências morais, mas não as colocam em prática: espíritas imperfeitos, que não abrem mão de ser como são.
  3. Aqueles que praticam a moral espírita e aceitam todas as suas consequências: os verdadeiros espíritas ou espíritas cristãos, apresentando duas características básicas: a caridade como regra de proceder, e, pela compreensão dos objetivos da existência terrestre, o esforço "por fazer o bem e coibir seus maus pendores" (3).
  4. Os demasiadamente confiantes em tudo que se refere ao mundo invisível, aceitando sem verificação ou reflexão todos os conteúdos que lhes chegam ás mãos: espíritas exaltados. Este tipo de adeptos é mais nocivo que útil à causa espírita. (4)
Diante dessas colocações de Kardec como nos enquadrar ou avaliar? Que tipo de espírita somos nós?
Kardec, ainda, informa o caminho para recuperarmos o cristianismo esquecido e vivenciarmos os ensinos do Cristo Jesus em nossas relações, em nossas vidas, resumindo todos os deveres do homem na máxima: "Fora da caridade não há salvação"(5)
Complementando com o preceito: "Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações". (6)

 
14 - Que o Senhor de bênçãos vos abençoe; que o Deus de luz vos ilumine; que a árvore da vida vos ofereça abundantemente seus frutos! Crede e orai. — (SIMEÃO. Bordeaux, 1863.)

 
Não há tempo para substituições, cada um de nós esta inserido no seu campo de trabalho. São muitas as oportunidades de fazer o bem de sermos caridosos, equilibrados, brandos e pacíficos.
As provas são muitas e muitos são os que expiam suas faltas, contudo, se percebermos a vida com um olhar de impermanência, um olhar na vida futura saberemos que tudo passa e que as provas e expiações, escolhidas por nós pelo livre arbítrio das ações, nos atrela ao carro das reações.
A misericórdia Divina chega pelas bênçãos da reencarnação oportunizando uma vida nova, um tempo novo, novas oportunidades redentoras, que só s cabe a cada um, individualmente, cumprir ou executar.
Que o senhor da vida nos fortaleça e ilumine a consciência!

 
*Leonardo Pereira
Designer Gráfico - Orador espírita
Colaborador do Grupo Espírita Lamartine Palhano Jr em Vitória do ES

 

 
Fontes de consulta:
(1) Daemon (mitologia) Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Daimon ou daemon (grego δαίμων, transliteração dáimon, tradução "divindade", "espírito"), é um tipo de ser que em muito se assemelha aos gênios da mitologia árabe. A palavra daimon se originou com os gregos da Antiguidade; no entanto, ao longo da História, surgiram diversas descrições para esses seres. O nome em latim é dæmon, que veio a dar o vocábulo em português demônio.
(2) - NHENHENHÉM* Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indígenas não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer "nhen-nhen-nhen".
(3) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, 60a ed., FEB, Conclusão, item VII.
(4) Kardec, Allan, O Livro dos Médiuns. 26a ed., FEB, 1ª parte, cap. III, item 28 

(5)
(Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. .XV, item 5).
(6) (Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 4).