quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Reencarnação e vida




A doutrina espírita tem como um dos seus princípios básicos a crença no espírito, em sua pré existência ao corpo físico e sua sobrevivência após a morte biológica.
Se não deixamos de existir não perdemos a individualidade e a morte não passa da continuidade da vida, mesmo que em outra estrada. Assim, fugindo das questões quase infantis de Inferno e céu, afugentando de nossas mentes o descanso eterno e o fogo infernal que não cessa de queimar, é bem mais justo ao falarmos de um Deus de amor, de um pai Criador, inteligência suprema do universo e causa primeira. Devemos falar de suas leis e principalmente da lei de reencarnação, ou seja, o retorno do espírito a carne, a vida física em novo corpo e nova personalidade.
Essa doutrina da reencarnação foi crença comum à época de Jesus. Ele mesmo, o mestre de Nazaré, fez questão de lecionar ao doutor da lei, Nicodemos, que o buscou na calada da noite, corcoveando entre as sombras para não ser visto e notado na presença do jovem Rabi.
Faço aqui uma paráfrase do diálogo ocorrido e do magnífico ensino registrado pelo evangelista: _ Nicodemos, "Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (João 3:3).
Retruca o doutor ancião: mas, mestre, como pode, homem velho, voltar ao ventre de minha mãe e nascer de novo?
Compreensivo responde o Nazareno: Sois doutor entre os homens e não sabes dessas coisas?
Diante do olhar desesperado do então considerado sábio doutor, o mestre leciona: "Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus" (João 3:5).
E completa, arrematando a lição que perdura até hoje sem ser compreendida por muitos doutores do nosso tempo: "O que é nascido da carne é carne; o que é nascido do Espírito é espírito" (João 3:6).
Eis ai a lei da reencarnação ou a pluralidade das vidas sucessivas. Estamos de volta, nessa esteira reencarnatoria, nas idas e vindas do plano espiritual para o plano físico, animando corpos diferentes, vivenciando formas e personalidades masculinas e femininas, atravessando a linha do tempo de cada uma dessas oportunidades de aprendizado como, pais, mães, filhos, avôs, avós, irmãos, contribuindo para esse grande projeto evolutivo divino, chamado família.
O tempo passa, os corpos voltam ao pó da terra. Nós os viajantes, só levamos na bagagem individual, nossas conquistas intelectuais e morais, os verdadeiros bens que podemos acumular. O restante, que tanto fazemos questão de ajuntar na vida física, permanece. Não podemos levar as casas e castelos, os carros e o dinheiro, o poder e o status social. O que é material permanece na matéria. Só vivenciamos no campo da mente, aprisionados pelo apego, pela cobiça, pelo desejo e pela posse de coisas e pessoas. Atormentamos-nos construindo o inferno astral de nossos dias e quando acordamos, do outro lado, para a realidade eterna, percebemos que cada um leva o que é, o que realmente vivencia no mundo íntimo.
Jesus, o médico de homens e de almas, já nos alertava a esse respeito, quando mais uma vês derrama sobre nos seus ensinamentos, dizendo; - "E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mateus 16:19 e 18:18).
Em outro momento fala do apego e da verdadeira riqueza: "Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam. Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a ferrugem, nem a traça consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração." (Mateus 6: 19-21)
No grande teatro terreno representamos muitos papeis: ora pobres, outras vezes ricos; repletos de cultura e com altos postos de comando, recheados de títulos que validam nossa posição social, e em muitas outras oportunidades de reencarnação retornamos como servidores humildes da sociedade e passamos despercebidos e afastados das colunas sociais.
Se bons e honestos aprendemos a viver e a compreender os excessos e supérfluos ou conviver até com a falta do necessário. A riqueza e a pobreza são para nós campos de prova ou expiação. Já a miséria material é provocada pelos homens, pela sociedade, que não compartilha o que detém de bens com quem está ao seu lado na experiência terrena.
Quando aprendermos a vivenciar e entender o "ter" e o "deter", descobrindo que somos usufrutuários dos bens divinos, se realmente compreendermos o nosso papel na sociedade, conquistaremos a paz na consciência e avançaremos rumo a felicidade. Por outro lado, se ignorarmos as leis divinas e cairmos no abuso do poder, na corrupção, no crime, independente de nossa posição social, cultural ou intelectual, responderemos pelas lesões de sentimento, mutilações sócias e pela morte de muitos sonhos e projetos. Devemos nos lembrar que temos livre arbítrio na escolha, na ação, e que a reação é determinista e vem na justa medida.
Se formos contra as leis divinas, ferindo os que nos rodeiam, contrários a lei de amor, justiça e caridade, estaremos escolhendo para nos mesmos dias difíceis e carregados de lágrimas. Essas lagrimas só secarão se repararmos nossos caminhos e isso leva tempo, esforço e dedicação.
Quando, por vezes nos decidimos paralisar nosso próprio progresso, usando de nosso livre arbítrio, automaticamente convidamos a dor, essa companheira evolutiva, que aparece para nos lembrar essa necessidade de continuidade no caminho reto e seguro que o mestre Jesus nos oferece, quando se coloca como o caminho a verdade e a vida, apontados como bússola certeira e direção correta: "ninguém vai ao pai senão por mim".
E para chegar ao Pai precisamos entender a lei de reencarnação, temos uma vida só como espíritos em diversas experiências. Não perdemos de cada uma dessas experiências as verdadeiras riquezas, que nada mais são nossas qualidades e virtudes. A inteligência é um atributo do espírito e nunca se perde, também nunca involuímos, podemos até estacionar por não querer caminhar, mas, sempre somos impelidos pelo amor divino a continuar em frente. É esse amor maior que proporciona essas tantas oportunidades reencarnatorias que nos faz paulatinamente evoluir. Hoje com toda certeza cada um de nos está em nossa melhor encarnação.

 
Leonardo Pereira
Designer Gráfico, orador espírita e colaborador do Grupo Espírita Lamartine Palhano Junior em Goiabeiras - Vitória – ES
Imagem retirada da Internet: Google imagens

 
Publicado anteriormente no blog: http://espiritualismoeespiritismo.blogspot.com/

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