segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Mediunidade e Autocura




A mediunidade é faculdade orgânica de que todos nós, em graus diferentes, somos portadores. Kardec, o mestre de Lion, nos esclarece, contudo, que essa denominação aplica-se àquele a que a faculdade se apresenta “bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes...(1) .  Assim, não um dom, pois todos a possuímos. Nem um privilégio.

        As classificações de médiuns e mediunidade variam muito. Guardam relação com os compromissos assumidos no mundo espiritual e com o progresso individual de cada criatura.

        Conquanto os médiuns sejam classificados em dois grupos ─ de efeitos físicos e de efeitos intelectuais ─ médiuns com faculdades semelhantes apresentam inúmeras diferenças quanto à sua aplicação ou ostensividade. Tudo depende de um organismo mais ou menos sensível, conforme ensina Kardec.

A árvore da mediunidade

         Costumo explicar a mediunidade comparando-a a uma árvore ─ ‘a árvore da mediunidade’.

        Para entendermos isso, vamos imaginar que a raiz seja formada de duas palavras: sensitivo e impressionável. Todos nós somos sensitivos e impressionáveis.

         A raiz ─ é a fonte principal de alimentação de toda a árvore; onde tudo começa. Seguindo esse raciocínio, encontramos o princípio pelo qual Kardec define que todos são médiuns, tendo em vista que em diversos momentos recebemos as impressões, mas quase sempre não as compreendemos. Isso resulta em sensações diversas como, por exemplo, arrepios, calafrios, de que alguem está no local conosco, ou que alguem passou por nós, etc.

          No caule ─ encontramos a inspiração e a intuição. Todos nós, mesmo quando não pensamos ou raciocinamos em torno da inspiração ou da intuição, sempre estamos sendo inspirados ou intuidos, para o bem ou para o mal. Na maioria das vezes, julgamos serem nossas todas as idéias, sejam elas de grande ou pequena monta. É um fator de tal ordem, que Kardec, ao questionar os Espíritos Codificadores sobre esse tema ─ “Influem os Espíritos em nossos pesamentos e em nossos atos? ─ teve como resposta: “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vós dirigem” (2) .

          Os diversos galhos ─ são as várias faculdades mediúnicas que Kardec define como “de efeitos patentes”, em que nos especializamos para desempenhar nossa tarefa evolutiva na terra. Ex.: psicofonia, psicografia, psicopraxia (3) , clarividência, clariaudiência e outras tantas.

A mente e os fenômenos mediúnicos

          Salientamos que a mente é a base de todos os fenômenos mediúnicos. Perispirito a perispirito nos conectamos. O pensamento e a vontade são os agentes dessa conexão e facultam o intercâmbio entre os dois mundos: o fisico e o espiritual.

          Ao emitirmos um pensamento, ele reflete em nosso perispírito, e outros Espíritos o podem ler como se fosse em um livro (4) . Diriamos até que, diante do avanço tecnológico, Espíritos de nossa ordem, como também os mais evoluidos, veriam o nosso pensamento como em uma televisão de plasma. Essa emanação de ondas mentais, no entanto, pode atrair ou repelir, refletindo uma lei universal: a lei de afinidade.

O complexo pineal

          Mergulhados no Éter Divino nos movemos e respiramos. A física quântica nos mostra a realidade das redes de conexão universal onde tudo está em tudo, razão pela qual estamos intimamente interligados.

         Os dois mundos ─ o fisico e o espiritual ─ são separados por estados vibratórios diferentes. Quanto ao mundo espiritual, podemos, através da sensibilidade mediúnica, percebê-lo e com ele estabelecer contato.

         Em constante comunicação, atráves do complexo pineal (essa ‘antena’ potente e muitas vezes despercebida em nossas experiências reencarnatorias) (5) , captamos, emitimos, atraimos ou repelimos ondas mentais, de acordo com os nossos pensamentos, nos processos de vibração e sintonia. E mesmo que não identifiquemos a sua existência, ela existe e é responsável pela faculdade mediúnica. Nela reside a plataforma orgânica da mediunidade.

          Em essência, somos o que pensamos. E o que pensamos constitui a nossa plataforma mental de contato com o plano espiritual. Daí resultam as assimilações de correntes mentais, muitas vezes doentias, pois, não rara vezes, estamos doentes da alma, enfermos da raiva, da mágoa, do orgulho, da vaidade, presos aos laços da matéria ou grudados nela pelo apego aos bens terrenos e pelo desejo de posse.

          Entretanto, não obstante vivermos ainda instintos primários e adorarmos as sensações, estamos trilhando o campo dos sentimentos, na busca do Amor, tão decantado e tão desconhecido.

          Construimos, então, a felicidade ou a infelicidade de acordo com o mundo mental em que nos situamos. Quanto a isso, destacamos, mais uma vez, o papel do complexo pineal, que, além de emitir e receber ondas mentais, as transforma em reações neuroquímicas, despejando em nosso organismo o fruto mental de nossas escolhas.

            Por isso, doente não cura doente. Curar alguém significa, primeiro, buscar a nossa cura, ou, no mínimo, estar em processo de renovaçao constante, que engloba reforma íntima, mudança de hábitos, renovação de pensamento, autoamor, autoperdão, resignação, o exercicio do bem e a prática das várias expressões da Caridade, na terra e no além.

A cura e o poder da vontade

             Por oportuno, lembremo-nos do episódo da cura do paraltico (Lucas 5-18:24):

            “Alguns homens transportaram o paralítico numa cama e procuravam fazê-lo entrar. Não achando por onde o pudessem levar, por causa da multidão, subiram ao telhado, e, por entre as telhas, o baixaram com a cama, até ao meio, diante de Jesus. E, vendo Ele a fé deles, disse-lhe: Homem, os teus pecados te são perdoados. [...] Que arrazoais em vossos corações? Qual é mais fácil? dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa. E, levantando-se logo diante deles, e tomando a cama em que estava deitado, foi para sua casa, glorificando a Deus.[...]”.

             Como vemos, o poder da vontade, aliado ao conhecimento, pode operar o que o vulgo chama de “verdadeiros milagres”. Como em nossa doutrina, segundo a lógica dos fluidos, o milagre não encontra espaço nem ressonância, isso ficaria apenas no campo do acaso. Mas o bom senso nos manda estudar as energias, conhecer a intimidade dos fluidos, averiguar e esmiuçar o fenômeno da mediunidade, com o intento de entender o espírito, o perispirito e o corpo fisico.

             O melhor médium é sempre aquele que mais se conhece; o que busca, inquire e quer saber de sí mesmo. O “conhece-te a ti mesmo” (atribuído aos Sete Sábios - 650 a.C. - 550 a.C.), inscrito no portal do oráculo de Delfos, já revelava a necessidade de autoconhecimento em nosso processo evolutivo. Conhecendo-nos, seremos capazes de discernir o que é e o que não é nosso, o que, nesse campo intrínseco da fenomenologia medianímica, é deveras importante.

            E assim, envolvidos no campo da ciência espírita, mobilizados pela sua filosofia e pela imensidão de questionamentos concernentes à vida e sua amplitude metafisica, somos convocados, pela Sabedoria Divina, a desenvolver o reino dos céus que está dentro de nós.

            Para tal proposito, no entanto, devem estar em nossa linha de ação o autoamor e a autoiluminação, para que esse reino se exteriorize em nossas relações do dia-a-dia, abrangendo tudo e todos à nossa volta, transformando-nos e transformando o mundo.

             Eis aí o sentido da religião espírita, a ligação com Deus, fazendo-nos parte ativa do seu reino.

             Que brilhe a vossa luz!

Leonardo Pereira
(Designer Gráfico,
Orador Espírita e trabalhador doGrupo Lamartine Palhano JR em Jardim da Penha.

(1) - O Livro dos Médiuns (Allan Kardec) - Cap. XIX – Dos Médiuns – item 159.
(2) - O Livro dos Espíritos(Allan Kardec) -Parte 2ª – Cap. IX – questão 459.
(3) - Dicionário de Filosofia Espírita – Lamartine Palhano Jr.
(4) - A Gênese ( Allan Kardec) - Cap. XIV – item 15.
(5) - Dr. Sergio Felipe / Estudos sobre a glândula pineal –
matéria sobre Medicina e Espiritualidade. (USP) Universidade de São Paulo.
(Foto:http://www.overmundo.com.br/banco/frondosa-arvore)

Nenhum comentário:

Postar um comentário