quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

VÓS SOIS DEUSES!



 

Essa fala de Jesus é muito utilizada no meio espírita, principalmente entre os oradores, para promover a motivação e gerar esperança nas pessoas, "vós sois deuses", e acrescentam ainda: "podem fazer o que eu faço e muito mais".
Trataremos primeiro do contexto que a Jesus citou o salmo 82:6, "Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo.".
Parafraseando o apostolo João no seu capitulo de número dez, versículos de 22 á 38. Estando Jesus em Jerusalém, passando pelo templo de Salomão, os judeus o cercaram novamente e começaram a questioná-lo, tentando mais uma vez o apedrejarem, se ele fosse contra a lei de Moises. Queriam de toda forma que Jesus afirmasse se era realmente o "Cristo", o enviado o ungido de Deus, e Jesus lhes chama à atenção dizendo:
- não vedes as minhas obras? Se não credes é porque não são minhas ovelhas, pois as minhas ovelhas me ouvem e me seguem, e eu vos darei vida eterna, complementa ainda, e justamente o complemento da fala que faz com que a turba de Judeus o queira apedrejar, "Eu e o Pai somos um".
Os judeus em busca de motivos para condenarem á Jesus, não admitem que ele tenha chamado a si mesmo de Deus e lançaram mãos de pedras e gritavam: Blasfêmia, blasfêmia!
Jesus então cita o salmo 82:6 da lei mosaica: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses? Veja aqui que Jesus "cita" a lei já existente, ele não faz nenhuma afirmativa, e nem há anula, Jesus usa da própria lei judaica para calar a boca da turba, pois essa lei refere-se a homens comuns - embora homens de autoridade e prestígio, (juízes) - como "deuses".
Continua Jesus: vocês me acusam de blasfêmia por causa do meu uso do título "Filho de Deus"; mas sua própria Escritura utiliza esse mesmo termo para líderes em geral. Se aqueles nomeados divinamente para ocupar uma posição de autoridade podem ser considerados "deuses", quanto mais deve ser assim considerado o Único a quem Deus escolheu e enviou Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada).
Vale salientar que, quem faz a afirmação é o salmista e não Jesus, ele apenas a utiliza para mostrar aos seus perseguidores como estavam sendo contraditórios ao acusá-lo de blasfemo.
Depois dessa, todos se vão e Jesus vai para o rio Jordão...
A outra fala de Jesus citada no inicio de nosso texto, "Podem fazer o que eu faço e ainda muito mais", neste caso de acordo com a tradução bíblica de João Ferreira de Almeida, encontramos em João 14: 12 a seguinte expressão: "Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas..." (os crivos são nossos), vemos Jesus aqui orientando seus discípulos e talvez seja um dos capítulos mais ricos em ensinos do mestre Nazareno em relação à doutrina espírita e seus princípios básicos, começa ele pedindo para crermos em Deus e crermos nele, (1º principio básico da doutrina; Crença em Deus), depois segue maravilhando os que o cercavam: Na casa de meu Pai há muitas moradas (também um dos princípios básicos), continua com o roteiro seguro para a felicidade: Eu sou o caminho a verdade e a vida, ninguém vem ao pai senão por mim.
Mais adiante o rabino da Galiléia responde a Felipe, que o interpela rogando para Jesus lhe mostrar o Pai, lecionando sobre a fé raciocinada, ele diz: Quem me vê a mim vê ao Pai, pois eu e o Pai somos um,... credes pelo menos pelas minhas obras.
Complementa o meigo carpinteiro: na verdade na verdade vos digo que aquele que crê em mim fará as obras que faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu pai e tudo que pedirdes em meu nome eu o farei para que o pai seja glorificado.
Leciona sobre a esperança e a sobrevivência do espírito, bem como de seu retorno no mundo corporal (princípios básicos), quando promete que nos enviará um novo consolador, e devemos nos ater ao texto do apostolo João: "Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós."
Aqui vale relembrar que Jesus promete aos homens daquela época, naquele contexto, que enviaria para "eles", para fazê-los relembrar, pois o Cristo de Deus trouxe um consolador, sua mensagem de amor e paz, suas lições sobre a vida e a felicidade, sua forma simples de dizer de nossas imperfeições e nos apontar o caminho reto e seguro, pautados nas verdades eternas do amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, rogaria ao pai para enviar o espírito da verdade, que os apóstolos conheciam e estava com eles.
O ser mais evoluído que pisara em nosso planeta, falava de si mesmo e de suas mensagens, sabia de antemão que nos as esqueceríamos, e assim aconteceu transformados pela letra morta, ludibriados pelos poderes temporais dos sacerdócios em seu nome, movidos pela ambição e covardia, construímos as guerras santas, queimamos pessoas, destruímos idéias e ideais, levantamos falso testemunho, erigimos castelos de ouro e templos vazios, tudo em seu nome, Ele sabia.
Voz sois Deuses, disse o mestre de amor, no sentido de que se seguirmos seu caminho, suportando nosso cadinho de dor, erigido no passado dos dias, mais vivos na consciência de hoje, chegaria o consolador para nos relembrar sobre os nossos compromissos perante a consciência e Deus, e as capacidades desprezadas nas sucessivas encarnações, vem o consolador a nos falar do sublime peregrino, que exemplificou todas as leis e todos os profetas, dividindo a historia e permanecendo vivo, o espírito da verdade, verdade que tanto precisamos nos dias de hoje.
Sim somos Deuses, ou somos seu templo divino, e para que seu reino se estabeleça em nós e saia de nós em direção ao outro, precisamos acreditar nisso, sem vaidade ou supervalorização, pois, Deus, não fere, não mata não mágoa, não rouba, não sofre não se envaidece, não é egoísta, um Deus, só pode ser amor.

Salve o consolador prometido, que vivifica a letra e nos faz retomar a fé com razão, retirando o véu dos textos apostólicos, os transfigurando em frases iluminadas a nos banhar de conhecimento.

 
Leonardo Pereira
Designer Gráfico, Orador espírita e um dos colaboradores do Grupo Espírita Lamartine Palhano Junior, Goaibeiras – Vitória - ES


Publicado originalmente no blog: http://espiritualismoeespiritismo.blogspot.com/

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Reencarnação e vida




A doutrina espírita tem como um dos seus princípios básicos a crença no espírito, em sua pré existência ao corpo físico e sua sobrevivência após a morte biológica.
Se não deixamos de existir não perdemos a individualidade e a morte não passa da continuidade da vida, mesmo que em outra estrada. Assim, fugindo das questões quase infantis de Inferno e céu, afugentando de nossas mentes o descanso eterno e o fogo infernal que não cessa de queimar, é bem mais justo ao falarmos de um Deus de amor, de um pai Criador, inteligência suprema do universo e causa primeira. Devemos falar de suas leis e principalmente da lei de reencarnação, ou seja, o retorno do espírito a carne, a vida física em novo corpo e nova personalidade.
Essa doutrina da reencarnação foi crença comum à época de Jesus. Ele mesmo, o mestre de Nazaré, fez questão de lecionar ao doutor da lei, Nicodemos, que o buscou na calada da noite, corcoveando entre as sombras para não ser visto e notado na presença do jovem Rabi.
Faço aqui uma paráfrase do diálogo ocorrido e do magnífico ensino registrado pelo evangelista: _ Nicodemos, "Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (João 3:3).
Retruca o doutor ancião: mas, mestre, como pode, homem velho, voltar ao ventre de minha mãe e nascer de novo?
Compreensivo responde o Nazareno: Sois doutor entre os homens e não sabes dessas coisas?
Diante do olhar desesperado do então considerado sábio doutor, o mestre leciona: "Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus" (João 3:5).
E completa, arrematando a lição que perdura até hoje sem ser compreendida por muitos doutores do nosso tempo: "O que é nascido da carne é carne; o que é nascido do Espírito é espírito" (João 3:6).
Eis ai a lei da reencarnação ou a pluralidade das vidas sucessivas. Estamos de volta, nessa esteira reencarnatoria, nas idas e vindas do plano espiritual para o plano físico, animando corpos diferentes, vivenciando formas e personalidades masculinas e femininas, atravessando a linha do tempo de cada uma dessas oportunidades de aprendizado como, pais, mães, filhos, avôs, avós, irmãos, contribuindo para esse grande projeto evolutivo divino, chamado família.
O tempo passa, os corpos voltam ao pó da terra. Nós os viajantes, só levamos na bagagem individual, nossas conquistas intelectuais e morais, os verdadeiros bens que podemos acumular. O restante, que tanto fazemos questão de ajuntar na vida física, permanece. Não podemos levar as casas e castelos, os carros e o dinheiro, o poder e o status social. O que é material permanece na matéria. Só vivenciamos no campo da mente, aprisionados pelo apego, pela cobiça, pelo desejo e pela posse de coisas e pessoas. Atormentamos-nos construindo o inferno astral de nossos dias e quando acordamos, do outro lado, para a realidade eterna, percebemos que cada um leva o que é, o que realmente vivencia no mundo íntimo.
Jesus, o médico de homens e de almas, já nos alertava a esse respeito, quando mais uma vês derrama sobre nos seus ensinamentos, dizendo; - "E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mateus 16:19 e 18:18).
Em outro momento fala do apego e da verdadeira riqueza: "Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam. Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a ferrugem, nem a traça consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração." (Mateus 6: 19-21)
No grande teatro terreno representamos muitos papeis: ora pobres, outras vezes ricos; repletos de cultura e com altos postos de comando, recheados de títulos que validam nossa posição social, e em muitas outras oportunidades de reencarnação retornamos como servidores humildes da sociedade e passamos despercebidos e afastados das colunas sociais.
Se bons e honestos aprendemos a viver e a compreender os excessos e supérfluos ou conviver até com a falta do necessário. A riqueza e a pobreza são para nós campos de prova ou expiação. Já a miséria material é provocada pelos homens, pela sociedade, que não compartilha o que detém de bens com quem está ao seu lado na experiência terrena.
Quando aprendermos a vivenciar e entender o "ter" e o "deter", descobrindo que somos usufrutuários dos bens divinos, se realmente compreendermos o nosso papel na sociedade, conquistaremos a paz na consciência e avançaremos rumo a felicidade. Por outro lado, se ignorarmos as leis divinas e cairmos no abuso do poder, na corrupção, no crime, independente de nossa posição social, cultural ou intelectual, responderemos pelas lesões de sentimento, mutilações sócias e pela morte de muitos sonhos e projetos. Devemos nos lembrar que temos livre arbítrio na escolha, na ação, e que a reação é determinista e vem na justa medida.
Se formos contra as leis divinas, ferindo os que nos rodeiam, contrários a lei de amor, justiça e caridade, estaremos escolhendo para nos mesmos dias difíceis e carregados de lágrimas. Essas lagrimas só secarão se repararmos nossos caminhos e isso leva tempo, esforço e dedicação.
Quando, por vezes nos decidimos paralisar nosso próprio progresso, usando de nosso livre arbítrio, automaticamente convidamos a dor, essa companheira evolutiva, que aparece para nos lembrar essa necessidade de continuidade no caminho reto e seguro que o mestre Jesus nos oferece, quando se coloca como o caminho a verdade e a vida, apontados como bússola certeira e direção correta: "ninguém vai ao pai senão por mim".
E para chegar ao Pai precisamos entender a lei de reencarnação, temos uma vida só como espíritos em diversas experiências. Não perdemos de cada uma dessas experiências as verdadeiras riquezas, que nada mais são nossas qualidades e virtudes. A inteligência é um atributo do espírito e nunca se perde, também nunca involuímos, podemos até estacionar por não querer caminhar, mas, sempre somos impelidos pelo amor divino a continuar em frente. É esse amor maior que proporciona essas tantas oportunidades reencarnatorias que nos faz paulatinamente evoluir. Hoje com toda certeza cada um de nos está em nossa melhor encarnação.

 
Leonardo Pereira
Designer Gráfico, orador espírita e colaborador do Grupo Espírita Lamartine Palhano Junior em Goiabeiras - Vitória – ES
Imagem retirada da Internet: Google imagens

 
Publicado anteriormente no blog: http://espiritualismoeespiritismo.blogspot.com/

Convocação para reunião de diretoria

Vitória, 01 de Dezembro de 2010.


 


Aos Associados do Grupo Espírita Lamartine Palhano Júnior

Prezados Senhores,


Convocamos Vv.Ss. para participar da Reunião de Diretoria, a realizar-se no dia  10 (dez) de dezembro de 2010, sexta-feira da próxima semana, na sede da instituição localizada na Rua Armando Moreira de Oliveira, 45, 1º pavimento, Goiabeiras, nesta cidade Vitoria, ES, às 19h30min (dezenove horas e trinta minutos) em primeira convocação, com a presença da maioria dos associados, ou às 20hs (vinte horas), em segunda convocação, com qualquer número de presentes, para deliberar sobre a seguinte ordem do dia:

I – Escolha dos coordenadores dos Departamentos;

II – Assuntos Administrativos.


 

O presente edital será afixado na sede do GELP em local visível e entreguei a todos os associados via e-mail que devem acusar recebimento. Além disso, o edital será divulgado no blog da instituição: http://glamartinepjr.blogspot.com/


 

Sem mais para o momento, ficam todos desde já convocados.


 

Esperamos que todos possam estar presentes.    


 


 

Atenciosamente,


 


 


 


 

Adriana Cristina do Nascimento Perroni

Diretora Administrativa


 


 


 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Projeto pizza fraterna no Gelp


Caros amigos, colaboradores do bem em geral,

Paz em cristo!

Mais uma vez, agradecemos os companheiros e companheiras, que de forma bastante receptiva nos responderam via email e/ou telefone, congratulando pela fundação da nova casa, divulgando e repassando o email da pizza fraterna, oferecendo ajuda e nos recebendo em suas residências com muito carinho, as vibrações e preces que temos sentido nessa nova etapa do trabalho, nos estimulam a continuar firmes e fortes.
Muito obrigado!

Aos que ainda não nos conhecem:

O grupo Espírita Lamartine Palhano Junior, iniciando suas atividades no movimento espírita capixaba e necessitando custear as despesas de aluguel de imóvel entre outras, aproveitando o projeto da venda de pizza que Leonardo Pereira, um de seus colaboradores, trouxe para o Espírito Santo e implantou em uma casa espírita de Vitória, e diante da experiência adquirida com o mesmo projeto em outras cidades, o Gelp*, oferece mensalmente em todo primeiro final de semana de cada mês, seis deliciosos sabores temperados com muitos amor.
Começamos a produzir no dia 02 de Outubro de 2010, e já vamos para a terceira etapa de venda e produção.
Vem chegando ai, mais uma produção da Pizza Fraterna "Com sabor de caridade", contamos com vocês!
Vendas até o dia 02/12 - Produção dia 04/12 (sábado)

As entregas em domicílio a partir do dia 05/12 (Domingo).

Contanto com a colaboração de todos em prol desse trabalho no bem.

Faça o pedido pelo email da pizzafraterna@gmail.com ou gelpalhanojr@googlegroups.com.br


Procure qualquer associado de nossa casa ou ligue: 9925-1755 ou 9964-0126 = Léo Pereira

Atenderemos entregas para Vitória, Vila- Velha - Cariacica e Serra.

Atenciosamente,

*Grupo Espírita Lamartine Palhano Jr / Leonardo Pereira – Presidente em exercício

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

UMBRAL O PORTAL DA CONSCIÊNCIA





 




"O Umbral começa na crosta terrestre. É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos."





Narra André Luiz: "Após receber tão valiosas elucidações, aguçava-se-me o desejo de intensificar a aquisição de conhecimentos relativos a diversos problemas que a palavra de Lísias sugeria. As referências a espíritos do Umbral mordiam-me a curiosidade. A ausência de preparação religiosa, no mundo, dá motivo a dolorosas perturbações. Que seria o Umbral? Conhecia, apenas, a idéia do inferno e do purgatório, através dos sermões ouvidos nas cerimônias católico-romanas a que assistira, obedecendo a preceitos protocolares. Desse Umbral, porém, nunca tivera notícias.
Ao primeiro encontro com o generoso visitador, minhas perguntas não se fizeram esperar. Lísias ouviu-me, atencioso, e replicou:
- Ora, ora, pois você andou detido por lá tanto tempo e não conhece a região?
Recordei os sofrimentos passados, experimentando arrepios de horror.
- O Umbral - continuou ele, solícito - começa na crosta terrestre. É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos. Quando o espírito reencarna, promete cumprir o programa de serviços do Pai; entretanto, ao recapitular experiências no planeta, é muito difícil fazê-lo, para só procurar o que lhe satisfaça ao egoísmo. Assim é que mantidos são o mesmo ódio aos adversários e a mesma paixão pelos amigos. Mas, nem o ódio é justiça, nem a paixão é amor. Tudo o que excede, sem aproveitamento, prejudica a economia da vida. Pois bem: todas as multidões de desequilibrados permanecem nas regiões nevoentas, que se seguem aos fluidos carnais. O dever cumprido é uma porta que atravessamos no Infinito, rumo ao continente sagrado da união com o Senhor. É natural, portanto, que o homem esquivo à obrigação justa, tenha
essa bênção indefinidamente adiada.
Notando-me a dificuldade para apreender todo o conteúdo do ensinamento, com vistas à minha quase total ignorância dos princípios espirituais, Lísias procurou tornar a lição mais clara:
- Imagine que cada um de nós, renascendo no planeta, somos portadores de um fato sujo, para lavar no tanque da vida humana. Essa roupa imunda é o corpo causal, tecido por nossas mãos, nas experiências anteriores. Compartilhando, de novo, as bênçãos da oportunidade terrestre, esquecemos, porém, o objetivo essencial, e, ao invés de nos purificarmos pelo esforço da lavagem, manchamo-nos ainda mais, contraindo novos laços e encarcerando-nos a nós mesmos em verdadeira escravidão. Ora, se ao voltarmos ao mundo procurávamos um meio de fugir à sujidade, pelo desacordo de nossa situação com o meio elevado, como regressar a esse mesmo ambiente luminoso, em piores condições? O Umbral funciona, portanto, como região destinada a esgotamento de resíduos mentais; uma espécie de zona purgatorial, onde se queima a prestações o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu por atacado, menosprezando o sublime ensejo de uma existência terrena.
A imagem não podia ser mais clara, mais convincente. Não havia como disfarçar minha justa admiração. Compreendendo o efeito benéfico que me traziam aqueles esclarecimentos, Lísias continuou:
- O Umbral é região de profundo interesse para quem esteja na Terra. Concentra-se, aí, tudo o que não tem finalidade para a vida superior. E note você que a Providência Divina agiu sabiamente, permitindo se criasse tal departamento em torno do planeta. Há legiões compactas de almas irresolutas e ignorantes, que não são suficientemente perversas para serem enviadas a colônias de reparação mais dolorosa, nem bastante nobres para serem conduzidas a planos de elevação. Representam fileiras de habitantes do Umbral, companheiros imediatos dos homens encarnados, separados deles apenas por leis vibratórias. Não é de estranhar, portanto, que semelhantes lugares se caracterizem por grandes perturbações. Lá vivem, agrupam-se, os revoltados de toda espécie. Formam, igualmente, núcleos invisíveis de notável poder, pela concentração das tendências e desejos
gerais. Muita gente da Terra não recorda que se desespera quando o carteiro não vem, quando o comboio não aparece? Pois o Umbral está repleto de desesperados. Por não encontrarem o Senhor à disposição dos seus caprichos, após a morte do corpo físico, e, sentindo que a coroa da vida eterna é a glória intransferível dos que trabalham com o Pai, essas criaturas se revelam e demoram em mesquinhas edificações. "Nosso Lar" tem uma
sociedade espiritual, mas esses núcleos possuem infelizes, malfeitores e vagabundos de várias categorias. É zona de verdugos e vítimas, de exploradores e explorados.
Valendo-me da pausa, que se fizera espontânea, exclamei, impressionado:
- Como explicar? Então não há por lá defesa, organização?
Sorriu o interlocutor, esclarecendo:
- Organização é atributo dos espíritos organizados. Que quer você? A zona inferior a que nos referimos é qual a casa onde não há pão: todos gritam e ninguém tem razão. O viajante distraído perde o comboio, o agricultor que não semeou não pode colher. Uma certeza, porém, posso dar-lhe: - não obstante as sombras e angústias do Umbral, nunca faltou lá a proteção divina. Cada espírito lá permanece o tempo que se faça necessário. Para isso, meu amigo, permitiu o Senhor se erigissem muitas colônias como esta, consagradas ao trabalho e ao socorro espiritual.
- Creio, então - observei -, que essa esfera se mistura quase com a esfera dos homens.
- Sim - confirmou o dedicado amigo -, e é nessa zona que se estendem os fios invisíveis que ligam as mentes humanas entre si. O plano está repleto de desencarnados e de formas-pensamento dos encarnados, porque, em verdade, todo espírito, esteja onde estiver, é um núcleo irradiante de forças que criam, transformam ou destroem, exteriorizadas em vibrações que a ciência terrestre presentemente não pode compreender. Quem pensa, está
fazendo alguma coisa alhures. E é pelo pensamento que os homens encontram no Umbral os companheiros que afinam com as tendências de cada um. Toda alma é um ímã poderoso. Há uma extensa humanidade invisível, que se segue à humanidade visível. As missões mais laboriosas do Ministério do Auxílio são constituídas por abnegados servidores, no Umbral, porque se a tarefa dos bombeiros nas grandes cidades terrenas é difícil, pelas labaredas
e ondas de fumo que os defrontam, os missionários do Umbral encontram fluidos pesadíssimos emitidos, sem cessar, por milhares de mentes desequilibradas, na prática do mal, ou terrivelmente flageladas nos sofrimentos retificadores. É necessário muita coragem e muita renúncia para ajudar a quem nada compreende do auxílio que se lhe oferece.
Interrompera-se Lísias. Sumamente impressionado, exclamei:
- Ah! como desejo trabalhar junto dessas legiões de infelizes, levando-lhes o pão espiritual do esclarecimento!
O enfermeiro amigo fixou-me bondosamente, e, depois de meditar em silêncio, por largos instantes, acentuou, ao despedir-se:
- Será que você se sente com o preparo indispensável a semelhante serviço?"




(Nosso Lar, cap. 12, André Luiz/Chico Xavier, FEB)



Publicado originalmente no site: http://ideal.andreluiz.vilabol.uol.com.br/

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

MINUTOS COM EMMANUEL



DO LIVRO O CONSOLADOR
ENSINAMENTOS DE JESUS

 
302 – Como compreender a afirmativa de Jesus aos Judeus: - "Sois deuses?".
-Em todo homem repousa a partícula da divindade do Criador, com a qual pode a criatura terrestre participar dos poderes sagrados da Criação.
O Espírito encarnado ainda não ponderou devidamente o conjunto de possibilidades divinas guardadas em suas mãos, dons sagrados tantas vezes convertidos em elementos de ruína e destruição.
Entretanto, os poucos que sabem crescer na sua divindade, pela exemplificação e pelo ensinamento, são cognominados na Terra santos e heróis, por afirmarem a sua condição espiritual, sendo justo que todas as criaturas procuram alcançar esses valores, desenvolvendo para o bem e para a luz, a sua natureza divina.

 
303 –Qual o sentido do ensinamento evangélico: - "Todos os pecados ser-vos-ão perdoados, menos os que cometerdes conta o Espírito Santo?".
-A aquisição do conhecimento espiritual, com a perfeita noção de nossos deveres, desperta em nosso íntimo a centelha do espírito divino, que se encontra no âmago de todas as criaturas. Nesse instante, descerra-se à nossa visão profunda o santuário da luz de Deus, dentro de nós mesmos, consolidando e orientando as nossas mais legítimas noções de responsabilidade na vida.
Enquanto o homem se desvia ou fraqueja, distante dessa iluminação, seu erro justifica-se, de alguma sorte, pela ignorância ou pela cegueira. Todavia, a falta cometida com a plena consciência do dever, depois da bênção do conhecimento interior, guardada no coração e no raciocínio, essa significa o "pecado contra o Espírito Santo", porque a alma humana estará, então, contra si mesma, repudiando as suas divinas possibilidades. É lógico, portanto, que esses erros são os mais graves da vida, porque consistem no desprezo dos homens pela expressão de Deus, que habita neles.

 
304 –Qual o espírito destas letras: - "Não cuideis que vim trazer paz à Terra; não vim trazer a paz, mas a espada"?
-Todos os símbolos do Evangelho, dado o meio em que desabrocharam, são, quase sempre, fortes e incisivos. Jesus não vinha trazer ao mundo a palavra de contemporização com as fraquezas do homem, mas a centelha de luz para que a criatura humana se iluminasse para os planos divinos.
E a lição sublime do Cristo, ainda e sempre, pode ser conhecida como a "espada' renovadora, com a qual deve o homem lutar consigo mesmo, extirpando os velhos inimigos do seu coração, sempre capitaneados pela ignorância e pela vaidade, pelo egoísmo e pelo orgulho".

 
305 –A afirmativa do Mestre: - "Porque eu vim pôr em dissensão o filho contra seu pai, a filha contra sua mãe e a nora contra sua sogra" – como deve ser compreendida em espírito e verdade?
-Ainda aqui, temos de considerar a feição antiga do hebraico, com a sua maneira vigorosa de expressão.
Seria absurdo admitir que o Senhor viesse estabelecer a perturbação no sagrado instituto da família humana, nas suas elevadas expressões afetivas, mas, sim, que os seus ensinamentos consoladores seriam o fermento divino das opiniões, estabelecendo os movimentos naturais das idéias renovadoras, fazendo luz no íntimo de cada um, pelo esforço próprio, para felicidade de todos os corações.

 
306 – "E tudo o que pedirdes na oração, crendo o recebereis" – Esse preceito do Mestre tem aplicação igualmente, no que se refere aos bens materiais?
-O "seja feita a vossa vontade", da oração comum, constitui nosso pedido geral a Deus, cuja Providência, através dos seus mensageiros, nos proverá o espírito ou a condição de vida do mais útil, conveniente e necessário ao nosso progresso espiritual, para a sabedoria e para o amor.
O que o homem não deve esquecer, em todos os sentidos e circunstâncias da vida, é a prece do trabalho e da dedicação, no santuário da existência de lutas purificadoras, porque Jesus abençoará as suas realizações de esforço sincero.

 
307 –Por que disse Jesus que "o escândalo é necessário, mas aí daquele por quem o escândalo vier?".
-Num pano de vida, onde quase todos se encontram pelo escândalo que praticaram no pretérito, é justo que o mesmo "escândalo" seja necessário, como elemento de expiação, de prova ou de aprendizado, porque aos homens falta ainda aquele "amor que cobre a multidão dos pecados".
As palavras do ensinamento do Mestre ajustam-se, portanto, de maneira perfeita, à situação dos encarnados no mundo, sendo lastimáveis os que não vigiam, por se tornarem, desse modo, instrumentos de tentação nas suas quedas constantes, através dos longos caminhos.

 
308 –As palavras de João: - "A luz brilha nas trevas e as trevas não a compreenderam", tiveram aplicação somente quando da exemplificação do Cristo, há dois mil anos, ou essa aplicação é extensiva à nossa era?
-As palavras do apóstolo referiam-se à sua época; todavia, o simbolismo evangélico do seu enunciado estende-se aos tempos modernos, nos quais a lição do Senhor permanece incompreendida para a maioria dos corações, que persistem em não ver a luz, fugindo à verdade.

 
309 –Em que sentido devemos interpretar as sentenças de João Batista: - "A quem pertence a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que com ele está e ouve, muito se regozija por ouvir a voz do esposo. Pois este gozo eu agora experimento; é preciso que ele cresça e que eu diminua"?
-O esposo da Humanidade terrestre é Jesus-Cristo, o mesmo Cordeiro de Deus que arranca as almas humanas dos caminhos escusos da impenitência. O amigo do esposo é o seu precursor, cuja expressão humana deveria desaparecer, a fim de que Jesus resplandecesse para o mundo inteiro, no seu Evangelho de Verdade e Vida.

 
310 –A transfiguração do Senhor é também um símbolo para a Humanidade?
-Todas as expressões do Evangelho possuem uma significação divina e, no Tabor, contemplamos a grande lição de que o homem deve viver a sua existência, no mundo, sabendo que pertence ao Céu, por sua sagrada origem, sendo indispensável, desse modo, que se desmaterialize, a todos os instantes, para que se desenvolva em amor e sabedoria, na sagrada exteriorização da virtude celeste, cujos germes lhe dormitam no coração.

 
311-Qual o sentido da afirmativa do texto sagrado, acerca de Jesus: - "Não tendo Deus querido sacrifício, nem oblata, lhe formou um corpo?".
-Para Deus, o mundo não mais deveria persistir no velho costume de sacrificar nos altares materiais, em seu nome, razão por que enviou aos homens a palavra do Cristo, a fim de que a Humanidade aprendesse a sacrificar no altar do coração, na ascensão divina dos sentimentos para o seu amor.

 
312 –Como interpretar a afirmativa de João: - "Três são os que fornecem testemunho no céu: o Pai, o Verbo e o Espírito Santo?".
-João referia-se ao Criador, a Jesus, que constituía para a Terra a sua mais perfeita personificação, e à legião dos Espíritos redimidos e santificados que cooperam com o Divino Mestre, desde os primeiros dias da organização terrestre, sob a misericórdia de Deus.

 
313 –Como entender a bem-aventurança conferida por Jesus aos "pobres de espírito?".
-O ensinamento do Divino Mestre, referia-se às almas simples e singelas, despidas do "espírito de ambição e de egoísmo" que costumam triunfar nas lutas do mundo.
Não costumais até hoje denominar os vitoriosos do século, nas questões puramente materiais, de "homens de espírito?" É por essa razão que, em se dirigindo à massa popular, aludia o Senhor aos corações despretensiosos e humildes; aptos a lhes seguirem o ensinamento; sem determinadas preocupações rasteiras da existência material.

 
314 –Qual a maior lição que a Humanidade recebeu do Mestre, ao lavrar ele os pés
dos seus discípulos?
-Entregando-se a esse ato, queria o Divino Mestre testemunhar Pás criaturas humanas a suprema lição da humildade, demonstrando, ainda uma vez, que, na coletividade cristã, o maior para Deus seria sempre aquele que se fizesse o menor de todos.

 
315 –Por que razão Jesus, ao lavar os pés dos discípulos, cingiu-se com uma toalha?
-O Cristo, que não desdenhou a energia fraternal na eliminação dos erros da criatura humana, afirmando-se como o Filho de Deus nos divinos fundamentos da Verdade, quis proceder desse modo para revelar-se o escravo pelo amor à Humanidade, à qual vinha trazer a luz da vida, na abnegação e no sacrifício supremos.

 
316 –Aceitando Jesus o auxílio de Simão, o cireneu, desejava deixar um novo ensinamento às criaturas?
-Essa passagem evangélica encerra o ensinamento do Cristo, concernente à necessidade de cooperação fraternal entre os homens, em todos os trâmites da vida.

 
317 –A ressurreição de Lázaro, operada pelo Mestre, tem um sentido oculto, como lição à Humanidade?
-O episódio de Lázaro era um selo divino identificando a passagem do Senhor, mas também foi o símbolo sagrado da ação do Cristo sobre o homem, testemunhando que o seu amor arrancava a Humanidade do seu sepulcro de misérias, Humanidade da qual tem o Senhor dado o sacrifício de suas lágrimas, ressuscitando-a para o sol da vida eterna, nas sagradas lições do seu Evangelho de amor e de redenção.

 
318 –Poderemos receber um ensinamento sobre a eucaristia, dado o costume tradicional da Igreja Romana, que recorda a ceia dos discípulos com o vinho e a hóstia?
-A verdadeira eucaristia evangélica não é a do pão e do vinho materiais, como pretende a igreja de Roma, mas, a identificação legítima e total do discípulo com Jesus, de cujo ensino de amor e sabedoria deve haurir a essência profunda, para iluminação dos seus sentimentos e do seu raciocínio, através de todos os caminhos da vida.

 
319 –Quem terá recebido maior soma de misericórdia n a justiça divina: - Judas, o discípulo infiel, mas iludido e arrependido, ou o sacerdote maldoso e indiferente, que o induziu à defecção?
-Quem há recebido mais misericórdia, por mais necessitado e indigente, é o mau sacerdote de todos os tempos, que, longe de confundir a lição do Cristo uma só vez, vem praticando a defecção espiritual para com o Divino Mestre, desde muitos séculos.

 
320 –Que ensinamentos nos oferece a negação de Pedro?
-A negação de Pedro serve para significar a fragilidade das almas humanas, perdidas na invigilância e na despreocupação da realidade espiritual, deixando-se conduzir, indiferentemente, aos torvelinhos mais tenebrosos do sofrimento, sem cogitarem de um esforço legítimo e sincero, na definitiva edificação de si mesmas.

 
321 –Qual a edição dos Evangelhos que melhor traduz a fonte original?
-A grafia original dos Evangelhos já representa em si mesma, a própria tradução do ensino de Jesus, considerando-se que essa tarefa foi delegada aos seus apóstolos.
Sendo razoável estimarmos, em todas as circunstâncias, os esforços sinceros, seja qual for o meio onde se desdobram, apenas consideramos que, em todas as traduções dos ensinamentos do Mestre Divino, se torna imprescindível separar da letra o espírito.
Poderia objetar que a letra deveria ser simples e clara.
Convenhamos que sim, mas importa observar que os Evangelhos são o roteiro das almas, e é com a visão espiritual que devem ser lidos; pois, constituindo a cátedra de Jesus, o discípulo que deles se aproximar com a intenção sincera de aprender encontra, sob todos os símbolos da letra, a palavra persuasiva e doce, simples e enérgica, da inspiração do seu Mestre imortal.

(Emmanuel, de "O CONSOLADOR", 3ª Parte, cap. II (Evangelho), FCXavier, FEB)

domingo, 17 de outubro de 2010

RESIGNAÇÃO E RESILIÊNCIA






Por Leonardo Pereira

"O homem que sofre é semelhante a um devedor de grande soma, a quem o credor dissesse: “Se me pagares hoje mesmo a centésima parte, darei quitação do resto e ficarás livre; se não, vou perseguir-te até que pagues o último centavo”. O devedor não ficaria feliz de submeter-se a todas as privações, para se livrar da dívida, pagando somente a centésima parte da mesma? Em vez de queixar-se do credor, não lhe agradeceria? (Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V - item 12)".

A palavra resignação aparece com bastante frequência em palestras e livros espíritas. Também está presente nas obras básicas de Allan Kardec, especialmente no Evangelho Segundo o Espiritismo ─ Cap. V - “Bem aventurados os Aflitos”.

Esse capítulo aborda, inicialmente, a temática do sofrimento e das provas e expiações e suas origens nesta e noutras existências, causas de muitos de nossos problemas atuais, em vista de nossas escolhas e pela semeadura que fazemos ao longo da nossa esteira reencarnatória. No final, o capítulo aborda o suicídio. Contudo, destacaremos, aqui, o seu item 12 ─ “Motivos de Resignação”.

Resignação

Quando adentramos a Doutrina Espírita, muitas questões perpassam por nossas mentes. Logo nos deparamos com algum expositor nos orientando para sermosresignados. O que seria, então, resignação? Como compreender os dramas que a vida nos propõe, frutos ou não de nossas escolhas? Como proceder para ser considerado um indivíduo resignado? 

Muitas vezes, entendemos resignação como aceitação do problema ou da dor, sem buscarmos alívio, respostas ou o entendimento para o que ocorre conosco. E também, principalmente, porque devemos ser resignados, questionando aonde isso vai nos levar.

“A resignação, ou ainda aceitação, na espiritualidade, na conscientização e na psicologia humana, geralmente se refere à experienciar uma situação sem a intenção de mudá-la. A aceitação não exige que a mudança seja possível ou mesmo concebível, nem necessita que a situação seja desejada ou aprovada por aqueles que a aceitam. De fato, a resignação é freqüentemente aconselhada quando uma situação é tanto ruim quanto imutável, ou, quando a mudança só é possível a um grande preço ou risco. [...] Noções de aceitação são proeminentes em muitas fés e práticas de meditação”. Por exemplo, a primeira nobre verdade do Budismo, "a vida é sofrimento", convida as pessoas a aceitarem que o sofrimento é uma parte natural da vida.” ( Wikipédia, a enciclopédia livre).

É justamente esse significado que complica o ensinamento. Se resignação é somente aceitação, sem expectativas de mudanças, ou, mesmo, aceitação pura e simples, fica muito fácil a derrapagem na acomodação, na inércia. É só dizer que “Deus quer assim”, e que nada pode mudar.

Se muitos dos nossos problemas não podem ser mudados nesta existência, podemos, entretanto, pela sua compreensão, mudar a forma de enfrentá-los. Ou aliviamos o tal “sofrer”, passando pela dor, sem lamentação ou reclamação constante (atitude essa, muitas vezes, responsável por mais dor), ou fazemos o problema ou a dor parecerem maior do que realmente são.

No que diz respeito à citação budista ─ “a vida é sofrimento” ─, é válido ressaltar que esse sofrer significa “passar por”, sofrer uma situação de dor. Não recebe, portanto, a conotação de lamentação, desesperação.

A Terra, por ser um mundo de provas e expiações, obviamente não é um paraíso de delicias. Estamos aqui para evoluir. A dor, nesse caso, quase sempre, transforma-se no impulso evolutivo necessário à nossa caminhada. Atrelada à Lei de Ação e Reação, ela nos convida, não raras vezes, ao reajuste, ao resgate de nossos débitos anteriores ou atuais.

Quando temos um problema, a dor que dele resulta é um fato - algo que acontece ou aconteceu. O sofrimento é a nossa resposta a esse fato, a nossa reação diante da dor, do fato, do problema. 

É bom lembrar, quanto a isso, que a dor pode vir atrelada ao campo das causas e efeitos, mas o sofrimento é opcional, ou seja, não sofrer no sentido de não se lamentar, não se desesperar, equivalendo dizer, não perder a esperança. Em verdade, isso não nos retira o cadinho da dor, mas sublima os nossos sentimentos em relação ao fato.

“O homem pode abrandar ou aumentar o amargor das suas provas, pela maneira de encarar a vida terrena. Maior é o eu sofrimento, quando o considera mais longo. Ora, aquele que se coloca no ponto de vista da vida espiritual, abrange na sua visão a vida corpórea, como um ponto no infinito, compreendendo a sua brevidade, sabendo que esse momento penoso passa bem depressa [...]”. (ESE - Cap. V, item 13).

Diante desses apontamentos, podemos afirmar, sem sombra de dúvida, queresignação é dor sem sofrimento, momento em que o individuo, ante a imortalidade da alma, compreende o processo. Não pela subserviência, submissão ou inércia diante dos fatos, mas por uma oportunidade de crescimento que nos impulsiona à busca do melhor para nós e para o momento.

Resiliência

O caro leitor, nessa altura do texto, há de perguntar: - E a tal resiliência?

A resiliência começa justamente quando a dor nos encontra.

“Resiliência (psicologia) - A psicologia tomou essa imagem emprestada da física, definindo resiliência como a capacidade do indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse, etc. - sem entrar em surto psicológico. Tais conquistas, face essas decisões, propiciam forças na pessoa para enfrentar a adversidade. Assim entendido, pode-se considerar que a resiliência é uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano, condições para enfrentar e superar problemas e adversidades [...]”. (Wikipédia, a enciclopédia livre).

Quando o texto acima afirma que a Psicologia tomou emprestado o termo da Física, é porque resiliência é a “[...] Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação.” (Dic. online Priberam). Já na Medicina o termo se aplica quando um osso fraturado consegue retomar sua forma original. Podemos dizer, assim, que a resiliência se configura quando, diante de problemas, pressões e traumas, conseguimos superar os obstáculos “dando a volta por cima”, como diz popularmente. É a capacidade de organizar, avaliar e retomar o nosso caminho, com a percepção, porém,  de “dor” como fonte de crescimento, e não de sofrimento.

O que, então, nos faz resignados ou resilientes?

Podem ser considerados resignados e resilientes indivíduos que suportam grandes dramas na vida, ou passam por situações problemáticas constantemente e, mesmo assim, mantêm um olhar de paz e tranquilidade (considerando-se que os olhos são os espelhos da alma), superando os obstáculos que a vida coloca à sua frente, e dessa forma, superando a si mesmos.

O grande segredo, se é que podemos falar assim, encontra guarita na fé. A fé humana em si mesmo -autoconfiança. A fé divina no Criador, certeza absoluta de que não estamos sós, de que tudo passa e que nossas dores chegarão logo ao fim. Fé é a certeza de que o futuro nos reserva algo muito melhor. É a visão na vida futura, que glorifica os dias na Terra, de tantas provas e expiações. É visão mais além, que modifica o nosso comportamento diante das dores e aflições, e que, nos modificando, transforma tudo o que está à nossa volta.

Somos, portanto, artífices da nossa evolução espiritual, escultores de nós mesmos, tendo o cinzel da vontade como ferramenta para talhar as pedras que nos cobrem e dificultam a nossa existência, removendo, assim, os entulhos do passado para, então, lapidados e polidos, apresentarmos face nova diante do Criador e, afinal, podermos dizer, parafraseando o Apóstolo Paulo: “Já não sei se vivo no Cristo ou é o Cristo que vive em mim”.

(Leonardo Pereira é designer gráfico,
orador espírita e um dos trabalhadores do
Grupo Espírita Lamartine Palhano Junior - Vitória – ES.)
Imagem: Disponível em: www.google.com . Acesso em: 08/OUT/2010.
Publicado   originalmente  no Blog espiritualismo e espiritismo : http://espiritualismoeespiritismo.blogspot.com/

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Campeonato da Insensatez


Vianna de Carvalho & Divaldo Pereira Franco


 
(...) Um século e meio quase transcorrido, após o surgimento de O Livro dos Espíritos, em Paris, a 18 de abril de 1857, a Doutrina resistiu a todas as investidas da cultura científica, tecnológica, filosófica, permanecendo vigorosa e insuperável como no instante da sua consolidação.
O Movimento Espírita espraiou-se por diversas nações terrestres, apresentou escritores, médiuns, oradores e conferencistas, pedagogos, psicólogos, médicos e advogados, juízes e desembargadores, entre muitos outros profissionais, todos incorruptíveis, que deixaram um legado honorável, mas que, infelizmente, em alguns dos seus bolsões, não está sendo dignamente preservado. Os atavismos ancestrais, em diversos espíritas, que se elegeram ou foram eleitos líderes por si mesmos, no entanto, não têm suportado o peso da responsabilidade pela execução do trabalho que lhes diz respeito, e, preocupados injustamente com o labor organizacional, vêm-se desviando dos conteúdos insofismáveis da Doutrina, qual fizeram ontem em relação à Mensagem cristã, que transformaram em romanismo...
Às preocupações em torno da caridade fraternal em referência aos infelizes de todo porte, entregam-se à conquista de patrimônio material e de projeção social, vinculando-se a políticos de realce, nem sempre portador de conduta louvável, para partilharem das migalhas do mundo em detrimento das alegrias do reino dos céus.
Substituem a simplicidade e a espontaneidade dos fenômenos mediúnicos por constrições e diretrizes escolares que culminam, lamentavelmente, com a diplomação de médiuns e de doutrinadores, que também alcançam os patamares teológicos da autofascinação. Exigências descabidas e vaidosas agridem a simplicidade que deve viger nas Sociedades espíritas, antes desvestidas de atavios ditos tecnológicos e atuais, que eram vivenciados pela tolerância e bondade entre os seus membros.
Ao estudo sério dos postulados doutrinários, sucede-se a chocarrice e o divertimento em relação ao público que busca as reuniões, em atitudes mais compatíveis com os espetáculos burlescos do que com a gravidade de que o Espiritismo se reveste. O excesso de discussões em torno de questões secundárias toma o tempo para análise e reflexão em relação aos momentosos desafios sociais e humanos aos quais o Espiritismo tem muito a oferecer.
A presunção e a soberba elegem delineamentos e condutas que recordam aqueles formulados pelos antigos sacerdotes, e que ora pretendem se encarreguem de definir os rumos que devem ser tomados pelo Movimento, após reuniões tumultuadas com resíduos de mágoas e animosidades mal disfarçadas. Ouvem-se as mensagens dos Benfeitores espirituais, comovendo-se com as suas dissertações, e logo abandonando-as dominados pela alucinação da frivolidade.
Apegam-se ao poder, como se fossem insubstituíveis, esquecidos de que as enfermidades e a desencarnação os desalojam das funções que pretendem preservar a qualquer preço. O tecnicismo complicado vem transformando as Instituições em Empresas dirigidas por executivos brilhantes, mas sem qualquer vínculo com os postulados doutrinários...
Divisões que se vão multiplicando por setores, por especializações, ameaçam a unidade do corpo doutrinário, olvidando-se daqueles que não possuem títulos terrestres, mas que são pobres de espírito, simples e puros de coração, em elitismo injustificável. Escasseiam o amor, a compaixão e a caridade...
Críticas sórdidas, perseguições públicas, malquerenças grassam, onde deveriam vicejar o perdão, o bem-querer, a compreensão fraternal, a caridade sem jaça. Não se dispõe de tempo, consumido pelo vazio exterior, para a assistência aos sofredores e necessitados que aportam às casas espíritas, relegados a segundo plano, nem para a convivência com os pobres e desconhecedores da Doutrina, que são encaminhados a cursos, quando necessitam de uma palavra de conforto moral urgente... Os corações enregelam-se e a fraternidade desaparece.
O Cristianismo resistiu bravamente a trezentos anos enquanto perseguido e odiado, até o momento em que o imperador Constantino o vilipendiou, no dia 13 de junho de 313, mediante o Edito de Milão, que o tornou tolerado em todo o Império romano, descambando posteriormente para religião do Estado, em olvido total às lições de Jesus Cristo, passando, depois, de perseguido a perseguidor...
O Espiritismo ainda não completou o seu sesquicentenário de surgimento na Terra e as mesmas nuvens borrascosas ameaçam-no de extermínio, por invigilância de alguns dos seus profitentes... É hora de estancar-se o passo na correria desenfreada em busca das ilusões, a fim de fazer-se uma análise mais profunda em torno da Doutrina Espírita e dos seus objetivos, saindo-se das brilhantes teorias para a prática, a vivência dos ensinamentos libertadores.
Não é momento para escamotear-se a realidade, em face do anseio para conseguir-se, embora rapidamente, o brilho momentâneo dos holofotes, como se blasona com certa mofa, em relação aos que disputam as glórias terrestres.Menos competição e mais cooperação, deve ser a preocupação de todos espíritas sinceros, a fim de transferir a Doutrina para as futuras gerações, conforme a receberam do Codificador e dos seus iluminados trabalhadores das primeiras horas.
Bons espíritas, meus bem-amados, sois todos obreiros da última hora, conforme proclamou o Espírito protetor Constantino, em O Evangelho segundo o Espiritismo.*
Não vos esqueçais!
Estais comprometidos, desde antes da reencarnação, com o Espiritismo que agora conheceis e vos fascina a mente e o coração.
Tende cuidado!
Evitai conspurcá-la com atitudes antagônicas aos seus ensinamentos e imposições não compatíveis com o seu corpo doutrinário.
Retornar às bases e vivê-las qual o fizeram Allan Kardec e todos aqueles que o seguiram desde o primeiro momento, é dever de todo espírita que travou contato com a Terceira Revelação judaico-cristã porque o tempo urge e a hora é esta, sem lugar para o campeonato da insensatez.
Vianna de Carvalho e outros Espíritos-espíritas (Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 17 de julho de 2006, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)

sábado, 2 de outubro de 2010

EDITAL DE CONVOCAÇÃO

Vitória, 30 de setembro de 2010.


 


Aos Associados do Grupo Espírita Lamartine Palhano Júnior

Prezados Senhores,


Leonardo Pereira, na qualidade de Presidente Provisório da Diretoria desta Instituição, nomeado para dirigir os trabalhos de constituição do GELP – Grupo Espírita Lamartine Palhano Junior, convoca Vv.Ss. para participar da Assembléia Geral Extraordinária, a realizar-se no dia  04 (quatro) de outubro de 2010, segunda –feira p.f., na sede da instituição localizada na Rua Armando Moreira de Oliveira, 45, 1º pavimento, Goiabeiras, nesta cidade Vitoria, ES, às 19h30min (dezenove horas e trinta minutos) em primeira convocação, com a presença da maioria dos associados, ou às 20hs (vinte horas), em segunda convocação, com qualquer número de presentes, para deliberar sobre a seguinte ordem do dia:

I – Aprovação do Estatuto Social da Instituição, nos moldes do art. 54 do Código Civil Brasileiro c/c art. 21 da Lei. 5746/71;

II- Eleição e nomeação dos membros do Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal;

III – Eleição e nomeação dos Membros da Diretoria Executiva;

IV – Demais assuntos urgentes relacionados a instituição do GELP.


 

Eu, Adriana Cristina do Nascimento Perroni, assessora jurídica nomeada para formalização da instituição como pessoa jurídica, assino o presente documento, juntamente com o Diretor Presidente nomeado. Declaro, ainda, que afixei o edital na sede do GELP em local visível e entreguei a todos os associados com confirmação de recebimento mediante assinatura do livro de registro de correspondências. Além disso, o edital esta sendo divulgado no blog da instituição:
http://glamartinepjr.blogspot.com/


 

Sem mais para o momento, esperamos que todos possam estar presentes em uma data tão importante para o Grupo Espírita Lamartine Palhano Junior.    


 


 

Atenciosamente,


 


 


 


 

Adriana Cristina do Nascimento Perroni

OAB/SP. 167.999


 


 


 


Leonardo Pereira

Diretor Presidente Provisório


 

terça-feira, 14 de setembro de 2010

PIZZA FRATERNA " COM SABOR DE CARIDADE"





Queridos amigos e irmão de ideal espírita, muita paz!
Nos do Grupo Lamartine Palhano Junior, grupo esse recem fundado e necessitando de uma sede para se estabelecer e gerir seus projetos e tarefas, com vistas em auxiliar o próximo na prática da caridade cristã, inicia esse projeto "Pizza fraterna",  visando angariar fundos para custear as despesas de aluguel e outros.

contamos com a sua colaboração e degustação, pois, essa pizza tem um sabor especial de caridade, 
e um gosto irresistível de amor, que mata a fome do corpo e da alma. 

faça seus pedidos pelo email:  pizzafraterna@gmail.com
ou pelos fones:  9925-1755 ou 9964-0126 ( Leonardo Pereira).

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Jesus - Modelo e Guia





Por Leonardo Pereira*

"Vós me chamais de mestre e senhor,
e dizeis bem porque eu o sou" (João - 13:13).


     Jesus nunca aceitou nenhum titulo, a não ser o de mestre. Agia assim para nos orientar, fazendo-Se modelo e guia, convocando-nos sempre à reflexão, seja sobre nossa vida, seja sobre nossa destinação futura.

     De onde vim? Para aonde vou? O que estou fazendo aqui? São questões que permeiam o nosso dia-a-dia, e que Jesus, falando ao espírito ─ ao ser imortal, não ao homem temporal ─ respondeu há mais de dois mil anos, sabendo que tais lições seriam repetidas na necessidade didática da vida, nas oportunidades que cada um tem para evoluir.

     Mestre entre seu povo, o Cristo de Deus exemplificou cada palavra, vivenciou cada conselho e imortalizou cada ação, dividindo a História em ‘antes e depois’ Dele, inaugurando o reino de Deus na Terra, o Deus do amor e justiça, negando a Si mesmo o título de bom. Aos que o cercavam, dizia: “bom somente é o Pai que está no céu”, demonstrando, com tal assertiva, sua humildade e respeito ao Criador.

     Com elevada capacidade de síntese, ensinou a cada um de acordo com sua cultura e conhecimento. Aos homens do campo, ensinou sobre o trigo, o joio, as vinhas, a semeadura e a semente; aos que reclamavam dos pesados impostos, levou a reflexão precisa sobre o pagamento ou não dos tributos, chamando-os à atenção a respeito do rosto esculpido na moeda; aos doutores da lei, falou da caridade plena, humanizando as relações entre Judeus e Samaritanos, forçando um deles a responder, na belíssima Parábola do Samaritano, quem era o próximo daquele que estava caído.

     Chamado a julgar a adúltera, questionou prudentemente a turba que o cercava, suscitando nas consciências dos apedrejadores profunda meditação ─ “quem estiver sem pecado que atire a primeira pedra” ─, dizendo, em seguida, à “pecadora”: “Mulher, onde estão os que te condenavam? Se ninguém te condena, eu tampouco te condenarei, vai e não tornes a pecar”, redimensionando, desse modo, o valor da Mulher. Da mesma forma, valoriza a ação de Maria Madalena, quando esta cai de joelhos à sua frente e unge seus pés com óleo e lágrimas, secando-os com seus próprios cabelos, como se toda sua alma se revelasse naquele momento, dizendo: ”Senhor, eis aqui a pecadora, entrego a ti o que me é mais precioso: meu coração e minha vida.”

     Ao proferir a inesquecível sentença ─ “Deixai vir a mim os pequeninos porque deles é o reino dos céus” ─, chamando para o seu colo as crianças que os apóstolos queriam afastar, demonstra carinho e compreensão para com a nossa condição de ‘menores’ espirituais, e claramente nos convida a nos posicionar como aprendizes da vida ─ crianças do saber.

     Sensível às nossas súplicas, mesmo no meio da multidão, ouviu o pedido do cego Bartimeu e pergunta-lhe: “Que queres que te faça?”. Após a resposta do cego ─ “Mestre, que eu tenha vista.” ─, sentencia: “Vai, a tua fé te salvou”, ilustrando, dessa maneira, a necessidade da Fé (fidelidade, certeza absoluta). O cego, então, recupera a vista; Jesus segue pelo caminho.

     Mestre por excelência, ensinou até mesmo na morte aparente, quando despertou a menina de 12 anos (a filha de Jairo): “Talita cumi” (“Menina, ordeno que levante!”). E a criança, supostamente morta, imediatamente abre os olhos para a vida.

     Hoje ainda essa memorável passagem soa também para nós como uma exortação para abrirmos os olhos, avivando-nos para a verdadeira vida, acordando do sono profundo ─ mortos em vida ─ em que muitas vezes nos detemos. Exorta-nos, igualmente, a despertar para as realidades espirituais, com uma visão abrangente da imortalidade, para que possamos descortinar a vida futura.

     No drama da Paixão, exemplificando a humildade, defronta-se com Pilatos, que insiste em ouvir Dele se, de fato, considerava-Se rei. Segue-se, então, o inesquecível diálogo registrado pelo evangelista Marcos (15:1) . Na sequencia, Pilatos, mesmo sem ver Nele nenhum defeito ou crime, lava as mãos, e deixa que outros decidam o destino do ‘condenado’.

     Por incrível que pareça, agimos assim todos os dias, lavando nossas mãos, ou evitando tomar partido do que é correto. Temos vergonha de sermos bons, justos e caridosos. Vemos a vida como Pilatos, sem compreendermos a Verdade ─ que o Espiritismo vem revelar, convidando o homem velho a se renovar, buscando dentro de si o reino dos céus, que não é o mundo da matéria, mas o mundo íntimo de cada um, da essência, do espírito.

      Lembremos, pois, o Mestre Nazareno, que nos conclama há dois mil anos ao aprendizado das Leis Divinas. Façamos uma profunda reflexão sobre as Lições que Ele nos deixou, e o possível para aprendê-las, repeti-las e vivenciá-las no nosso dia-a-dia. Realizemos, como alunos da imortalidade, o Seu desejo: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.”

Que nossas luzes brilhem cada dia mais,
iluminando nossas consciências e nossos caminhos!

(*Designer Gráfico e orador espírita.) 

postado originalmente   em http://espiritualismoeespiritismo.blogspot.com/

"SUBSTITUIÇÃO” - UMA GRAVE ENFERMIDADE




Por Francisco de Assis Daher Pirola

    Era a Casa Espírita dos sonhos. Patrimônio invejável. Reuniões concorridas. Freqüência predominante das classes mais abastadas. A ‘elite’ estava toda ali.

      A equipe mediúnica, muito rigorosa, primava pelo ‘elevado nível de doutrinação’. Oradores e conferencistas, exigentes e minuciosos na erudição doutrinária, tornavam primorosas as conferências e palestras. No entanto, a sua melhor ‘atração’ era o ‘médium principal’, também o fundador, dirigente e administrador de todo o patrimônio. Enfim, a pessoa que decidia tudo por ali. Sem “ele”... nada feito.

     Autor de psicografias, livros, mensagens avulsas, cartas de mortos, receituários sem fim, “ele” também era o responsável pelos fenômenos mediúnicos que ali aconteciam.

    E a Casa crescia francamente, multiplicando seguidores e admiradores, firmando-se a cada dia como a ‘vitrine’ do Movimento na sua região. Requinte e auto-suficiência, por isso, eram regras gerais. E tudo parecia funcionar da melhor maneira possível.

    Mas, como se diz, ‘um dia a casa cai’. Da noite para o dia a Verdade, como um vendaval implacável, desabou sobre a propalada instituição, atingindo-a qual se fora mero castelo de cartas. É que o ‘médium principal’, aquele que ‘sustentava tudo’, tornara-se alvo de sérias controvérsias. Não ficou ‘pedra sobre pedra’. Houve choro e ranger de dentes.
*
    Conversava, dia desses, com um atento observador desses fatos, um aplicado estudioso da Doutrina, analisando o acontecido, para dele extrairmos a proveitosa, necessária, inevitável e indispensável lição.

     – Essa Casa foi acometida de uma grave enfermidade – diagnosticou o meu interlocutor.
     – Qual delas? – perguntei curioso.
     – A “substituição” – respondeu-me circunspecto.
     – Essa eu não conheço. Explique-se melhor – solicitei.
     – ‘Substituíram’ KARDEC pelo ‘médium principal’ – sentenciou.

     E nada mais foi dito nem lhe foi perguntado.

(Publicado originalmente em A Senda, Orgão informativo da FEEES -
Federação Espírita do Estado do Espírito Santo,edição Ano 86. nº 95, abril / 2008, pág. 5.)

postado originalmente no http://espiritualismoeespiritismo.blogspot.com/

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Lobos em peles de cordeiros













Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. (Mateus 7 v.15).


Jesus em suas palavras se referia diretamente aos doutores da lei e alcançava os judeus de forma geral e mais precisamente aos que se apresentavam com a máscara da bondade, da humildade, da retidão e do amor. Estes eram representados pela ovelha, um animal dócil e afável. Por outro lado, apresentava como a figura do lobo todos aqueles que agiam no orgulho, na soberba, nas sombras, tramando, desejando o mal, humilhando os seus semelhantes.
Estes verdadeiros lobos famintos de poder, de riqueza e de domínio sobre o outro, através da falsidade se impõem como criaturas perfeitas e desejosas de guiar as almas, ou melhor, seu rebanho de ovelhas para a salvação.


A bem da verdade, Jesus, um mestre por excelência, já conhecendo os espíritos ali reencarnados, sabendo da verdadeira natureza dos mesmos e de seus grandes males e ignorâncias - sendo o principal deles o orgulho do qual deriva a vaidade e o egoísmo - alerta o espírito viajor para a necessidade de mudanças. Contudo, essas mudanças não devem ser externas, aparentes, fingidas, mas sim de dentro para fora. Devem ser medidas, avaliadas, compreendidas, vivenciadas no dia a dia da religião e da sociedade.


Dois mil anos se passaram e a fala do pastor de almas anotada pelo evangelista nos parece atual, necessária e nos chama a fazer uma avaliação profunda e urgente.
É necessário sair do marasmo de nossas vidas, complicadas e cheias de dramas, removendo as mascaras criadas para a projeção na sociedade e mesmo para as relações familiares.


Ao longo de nossa esteira evolutiva criamos estas muitas máscaras, as quais volta e meia trocamos de acordo com as nossas necessidades.
Não podemos deixar de aproveitar o ensejo e citar aqui algumas delas: mascara de bonzinho, de amoroso, de humilde, prestativo, sem cultura, intelectual, honesto, fiel, dedicado, indulgente, doce, solidário. Estes são apenas alguns exemplos entre as tantas outras facetas que nós, os espíritos, apresentamos no campo da vida física, independente do sexo ou da sexualidade.


Essas "personas" invadem também as instituições religiosas de todas as denominações, e são muitas, umas bem recentes e outras tantas que se arrastam pelos séculos e séculos em práticas externas sem nenhuma reforma moral por grande parte de seus sacerdotes ou freqüentadores .


As instituições espíritas não estão isentas e essas máscaras estão presentes principalmente entre alguns de seus lideres que se julgam profetas de uma nova doutrina. Enraizados nos enganos do passado e no atavismo religioso adentram a Doutrina Espírita e querem de toda forma modificar os seus postulados. Em nome do espiritismo igrejeiro, pessoal, em benefício próprio, intentam fazerem das instituições e nas instituições o que bem entendem.


Tais indivíduos encontram-se desequilibrados, viciados, doentes da alma. São verdadeiras montanhas russas emocionais e estão moralmente arruinados, mas se mostram mascarados com as brumas do evangelho sem vivência real, sem a pratica, mostrando apenas a teoria.Trazem a fala vazia e parecem apenas rádios a transmitirem a mensagem do Cristo e da Doutrina Espírita, sem dela nada retendo para si mesmo.
Entretanto, ainda assim, confeccionam, com maestria e talento, diferentes máscaras, uma para cada situação, uma para cada pessoa.


Apenas para exemplificar, encontraremos em todas as religiões e nos centros espíritas: tiranos domésticos e aplicados trabalhadores da fé; infiéis nas relações e pregadores da moral e bons costumes; fofoqueiros e maledicentes e atenciosos e prestativos nas igrejas e casas espíritas; chefes enlouquecidos e vaidosos e humildes e servis nos palanques doutrinários, impacientes na vida e no reduto religioso calmos e mansos.


É claro que a máscara da calmaria e da mansidão nem sempre são mantidas em todos os momentos dentro das cúpulas do poder temporal, até mesmo na própria casa espírita, principalmente quando se trata de defenderem seus espaços de poder, de liderança, ou como preferem dizer, "seus cargos de diretoria". "Muitas vezes sem os encargos das tarefas, apenas com os "nomes" e as medalhas no peito, "eu sou"!


Nestas ocasiões as chagas da humanidade são bem representadas: orgulho total, vaidade sem medida e egoísmo desmesurado. Nestes momentos as peles de ovelhas caem e os lobos, famintos de poder e status, se lançam uns contra os outros.


Logo depois de entrar em combate, elavam o olhar aos céus e oram a Deus dizendo no final uma citação fatídica para o momento "Que assim seja".
Há tantos para mandar e poucos para servir, e todos que pensam e agem assim estão doentes e ainda não sabem e acabam por adoecer a instituição.


Não pode ser assim! "Que não seja assim"!


Nós, os lobos, precisamos buscar a melhora, modificar e compreender a oportunidade que nos é ofertada. Chegou à oportunidade de nos transformarmos domesticando o lobo que ruge em nós. As disputas por cargos, por diretorias, por quem sabe mais, quem faz mais, quem fundou a casa, quem lava, quem paga, tudo isso, cai no mesmo lugar.
Para os lobos espíritas o que interessa é quem manda e quem chegou primeiro, é a defesa do território, porque sem esse território "eu não sou ninguém, o centro é meu, ninguém tasca que eu vi primeiro".


Usamos a mascara da falsa humildade com sorrisos falsos, abraços sem calor e apertos de mão sem sentimentos. O que queremos é devorar, acabar com o outro, quando na verdade ele é como nós. Ele nos reflete, mas não queremos ver.


No julgamento que fazemos dos outros não enxergamos que só vemos neles o que somos, os lobos em pele de cordeiro. Como não temos coragem para enfrentar a nossa "fera" interna, desejamos destruir a outra, o outro, seus projetos, suas idéias, seus sonhos, sua vida.
Julgamo-nos católicos, protestantes e espíritas cristãos, mas não nos damos conta que ainda não conhecemos ao Cristo Jesus.


Somos doutores da lei e falsos profetas, e a afirmativa do Rabi da Galilea é mais atual que se pode pensar. Não é por acaso, que somos considerados os trabalhadores da última hora.
Aqueles que ficaram se espreguiçando na esteira do tempo, vendo a banda passar, esperando que a evolução chegue de fora, e de um minuto para o outro, "zaz", que fiquemos perfeitos, têm que compreender que infelizmente não é assim.


É necessário esforço e vontade, a evolução não vai dar saltos ou parar na esquina do tempo para nos esperar.


O seu momento é agora! O meu momento é agora!


Somos os últimos a aceitar a tarefa e viemos carregados de preconceitos, quase vergados sob o peso das latas de lixo que carregamos encarnação após encarnação.
Chega! É preciso vivenciar o espiritismo tão decantado e falado nas relações do dia a dia, em casa, principalmente "em casa".


Devemos usar de autenticidade, realidade e verdade nas relações do centro espírita, pois um centro espírita não é feito de paredes, de muitas salas, de grandes monumentos religiosos, mas é feito de pessoas, de convivência e de amor.
O nosso amor está em evolução e não somos perfeitos, mas, somos capazes de adquirir a perfeição, é só começar. Agora! Já!
Para tanto devemos usar de quatro ferramentas muito importantes:




  • O bom senso para poder compreender qual de nós esta mais doente no momento e saber diferenciar os estados evolutivos, onde poderemos encontrar homens velhos agindo como crianças birrentas.

  • O senso autocrítico para que possamos reconhecer nossas falhas e buscar pela melhora sem a autopiedade e o desculpismo reinante.




  • O senso critico para que possamos avaliar as ações e projetos e não quem os conduz, aprendendo a eleger o melhor para todos e não mais o "meu" o "seu", e hora do nosso, dos nossos e para todos.




  • E o senso de humor, pois sem ele, poderemos ser devorados pelos lobos da nova revelação que se encontram gentilmente prostrados nos cargos vitalícios ora considerados como "supra-sumos" doutrinários, onde ninguém é melhor para o "seu" lugar.




Parafraseando um texto que recebi pela internet, intitulado " A batalha dos lobos", onde um velho índio conversa com seu neto a respeito da grande batalha íntima que travamos entre o nosso lado bom e o lado mau, entre a sombra e a luz, o velho índio começa assim:

- A batalha é entre os dois lobos que vivem dentro de todos nós. Um é Mau: é a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, orgulho falso, superioridade e ego.
O outro é Bom: é alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.
 O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô: - "Qual é o lobo que vence? "
 O velho índio respondeu: - "Aquele que você alimenta!"

Que possamos não mais servir de alimento energético e ração para a alcatéia de lobos religiosos e sem religiosidade, dos lobos espíritas, famintos de poder. Falso e volátil, pois, não sabendo de nada, já aprendemos que tudo passa, tudo de bom e de ruim e o que fica de verdade é o que realmente eu sou, nos somos, eu faço, nos fazemos.

Leonardo Pereira
Designer Gráfico, Orador Espírita e um dos Trabalhadores do Grupo Espírita Lamartine Palhano Jr em Vitória ES.




Imagem retirada da internet, do site google.